As florestas australianas arderam em fogo no começo do ano, mas agora são seus seus ecossistemas subaquáticos que estão com problemas. A Grande Barreira de Corais está enfrentando um estresse severo devido ao calor extremo e enfrenta um “evento de branqueamento generalizado”, de acordo com uma atualização da Coral Reef Watch, que faz parte da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA).

Quando um coral branqueia, ele expulsa as algas simbióticas que o ajudam a produzir alimentos. Isso pode matar um coral, e já sofremos perdas suficientes de corais nos últimos anos – o que, mais uma vez, não poderá ser evitado.

As temperaturas da superfície do mar começaram a subir em janeiro. As águas têm estado 1ºC mais quente do que a média mensal máxima. Prevê-se que a alta pressão se mantenha e os céus ensolarados aqueçam ainda mais as águas e agrave os impactos sobre os corais.

A previsão da Coral Reef Watch mostra que toda a faixa da Grande Barreira de Corais – que cobre uma área aproximadamente do tamanho da Alemanha – deve sofrer o nível 2 de branqueamento, o nível mais alto, para o resto do mês.

A agência descreve isso como um “clareamento grave, generalizado e de mortalidade significativa”. A grande escala desse fenômeno vem com uma pequena boa notícia: em 2020, o branqueamento não deverá ser tão intenso como nos últimos anos.

Eventos de branqueamento semelhantes em 2016 e 2017 deixaram a Grande Barreira de Corais gravemente degradada. Espécies de corais de crescimento rápido que ajudam o recife a manter a sua estrutura não têm sido capazes de se recuperar.

Desde então, os corais restantes têm tido um período difícil reproduzindo corais suficientes para manter o ecossistema progredindo.

Assim como com as ondas de calor em terra firme, é inegável a influência das mudanças climáticas. O Mar de Coral, onde se encontra a Grande Barreira de Corais, tem aquecido constantemente ao longo do tempo, aumentando as probabilidades de aquecimento extremo.

Pesquisas publicadas no ano passado mostraram o que os pesquisadores chamam de eventos de calor marinho “surpresa”, que estão aumentando em cada bacia oceânica.

Essas ondas de calor têm um custo particularmente alto para os corais. Outro evento de branqueamento em massa é a última coisa que este recife precisa. A descoloração deve piorar a partir da próxima semana.

E mesmo o evento sendo potencialmente menos pior do que em 2016 e 2017, não significa que não haverá consequências.

A Grande Barreira de Corais é um dos principais motores da economia local. Ela gera cerca de US$ 56 bilhões para a economia australiana vindas do turismo e de seu status como um ícone global, e 64.000 empregos estão ligados a ela.

No entanto, não é apenas a indústria do turismo que se beneficia do recife. Os corais atuam como um amortecedor, que protege as costas de ciclones e tempestades e fornece habitat para a vida selvagem.

Perder a Grande Barreira de Corais não seria apenas um golpe para a economia australiana. Ameaçaria a biodiversidade mundial em geral, numa altura em que já estamos perdendo muitas espécies para a crise climática.

Perdemos metade de todos os corais dessa região desde que o branqueamento cresceu muito, em 2016. É provável que esse evento continue com um padrão perigoso.