Com um banimento que impedirá a Huawei de fazer negócios com empresas dos Estados Unidos começando a surtir efeito em novembro, parece que a Huawei tem uma ideia que pode potencialmente permitir que ela tenha presença em mercados ocidentais: um contrato de licenciamento único que daria ao comprado acesso ilimitado às atuais patentes e tecnologia 5G da Huawei.

Em uma entrevista recente à revista Economist, o CEO da Huawei, Ren Zhengfei, disse que este acordo permitirá que quem licencie as patentes examine e modifique o código fonte da Huawei, como uma maneira de eliminar qualquer medo de que a Huawei ou a China possam espionar redes móveis com equipamentos 5G da Huawei.

Como a Huawei é a maior fabricante do mundo de equipamentos de rede 5G, a empresa claramente tem interesse em manter sua capacidade de vender tecnologia 5G fora da China, uma vez que a proibição nos EUA forçaria as operadoras americanas (juntamente com operadoras de outros países aliados) a confiar em equipamentos de outras empresas, como Nokia ou Ericsson, que são duas das maiores concorrentes em redes 5G da Huawei.

Além disso, os Estados Unidos tentaram usar sua influência minguante sobre aliados para convencer outros países a também proibir a Huawei de instalar redes dentro de suas fronteiras — o Brasil, inclusive, foi alvo deste assédio.

No entanto, a este ponto, o acordo de licenciamento de patente da Huawei pode ser só uma ideia de última hora do que uma proposta em si, pois Ren disse que a Huawei não estabeleceu um preço sobre quanto custaria o licenciamento de 5G da Huawei, e que a empresa atualmente “não tem ideia” de quais companhias estariam interessadas no negócio.

Esta afirmação de um dos principais executivos da Huawei vem apenas algumas semanas antes dos planos da Casa Branca de iniciar um nova rodada de negociações comerciais de alto nível com a China. A joia da coroa do “império tecnológico da China” tem sido vista por muitos como uma moeda de troca na guerra comercial do governo Trump, uma percepção que o secretário de Estados dos EUA, Mike Pompeo, fez esforços para contradizer.

Se o acordo for aprovado, quase instantaneamente criaria um novo player na corrida pelo 5G, já que os países procuram fornecedores para ajudar a atualizar as redes celulares existentes com recursos de última geração.

Mas com a Huawei também tendo que combater a ideia de perder o acesso ao Android — que é o sistema operacional mais usado do mundo — qualquer coisa que permita à Huawei manter uma presença fora da Ásia provavelmente é importante para ser considerada, pelo menos do ponto de vista deles.