O secretário de comércio dos EUA, Wilbur Ross, confirmou que a proibição de atividades comerciais entre empresas americanas e a companhia chinesa Huawei não entrará em vigor nos próximos 90 dias, como havia sido antecipado neste domingo (18). As informações são da BBC. Segundo o canal britânico, a Huawei conseguiu uma permissão temporária para suavizar a transição para essa nova fase, que deveria começar nesta segunda-feira (19).

Ross também acrescenta que 46 afiliadas da empresa chinesa serão incluídas na chamada lista de entidades do Bureau of Industry and Security (Departamento de Indústria e Segurança, em tradução livre) dos EUA. Empresas americanas são proibidas de fornecer produtos a empresas que estão nessa lista.

Em fala reproduzida pela BBC, o secretário de comércio dos EUA disse que o adiamento ajudaria os consumidores americanos e serviria para dar mais tempo para eles abandonarem gradualmente os produtos da Huawei.

Os conflitos entre EUA e Huawei se arrastam há meses dentro de um contexto de guerra comercial entre o país e a China. A empresa é acusada pelo país de colaborar com setores militares e de inteligência do governo chinês. A Huawei rebate, acusando os EUA de fazerem acusações vagas para proteger as empresas americanas.

Os EUA estão processando a empresa por roubo de segredos industriais e fraude. Sua diretora financeira, Meng Wanzhou, foi presa no Canadá em 2018 a mando dos EUA e aguarda processo de extradição. A empresa também processou o governo americano, alegando que as proibições impostas a ela sem um julgamento são inconstitucionais.

Em maio, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que inclui a Huawei na tal lista de entidades do BIS. Ele chegou a dizer que aliviaria as restrições à empresa, mas pouca coisa mudou desde então.

Enquanto isso, a Huawei cresce nos mercados: apesar das restrições, a empresa teve um crescimento de 23% nas receitas e consolidou a segunda posição em participação no mercado de smartphones, que pertencia à Apple.

[BBC]