Imagens capturadas pela sonda OSIRIS-REx da NASA mostram a cabeça de amostragem da espaçonave tocando a superfície do asteroide Bennu, que então foi envolvido por uma nuvem de poeira e rocha. A equipe agora tem que descobrir quanto material foi coletado, mas as imagens iniciais estão sendo tomadas como um sinal muito positivo.

Na última terça-feira (20), a OSIRIS-REx fez contato com Bennu, um asteroide de 565 metros de largura localizado a 2321 milhões de quilômetros da Terra, marcando a primeira tentativa da NASA de coletar uma amostra de asteroide no espaço. Dados preliminares da sonda apontaram para um encontro bem-sucedido, mas novas imagens divulgadas pela NASA na noite de quarta são uma prova adicional disso.

Fotos captadas pelo gerador de imagens SamCam da espaçonave mostram a cabeça de amostragem de 0,3 metros de largura cheia de detritos. Embora eu não seja um especialista, seria difícil acreditar que nada foi obtido pelo sistema de coleta, conhecido como TAG (Touch-and-Go). Mas as imagens podem enganar, e a equipe, liderada pela Universidade de Arizona, passará a próxima semana tentando descobrir quanto de material foi coletado.

Aproximadamente um segundo após fazer o toque, a sonda disparou uma garrafa de gás nitrogênio, que produziu a nuvem de destroços, de acordo com um comunicado da NASA.

A OSIRIS-REx chegou a um local predeterminado chamado de Nightingale e alcançou a superfície durante sua primeira tentativa. A cabeça redonda no final do braço de amostragem, chamada TAGSAM, foi a única parte da espaçonave que tocou a superfície do asteróide. O procedimento TAG foi feito de forma autônoma com instruções pré-programadas dos engenheiros de solo.

Olhando as imagens, você pode ver a cabeça esmagando algumas das rochas porosas. Dados preliminares sugerem que a cabeça permaneceu em contato com a superfície por cerca de seis segundos, dos quais cinco segundos foram gastos coletando materiais. A NASA diz que os primeiros três segundos são quando o amostrador provavelmente coletou a maior parte do material. A sonda estava se movendo a 10 cm/s quanto atingiu a superfície.

Com a tarefa concluída, o OSIRIS-REx disparou seus propulsores reversos, que também levantaram material da superfície. A espaçonave, que recuou a 40 cm/s, está mais uma vez orbitando Bennu e parece estar funcionando normalmente.

Tradução: Ontem (22), a equipe OSIRIS-REx recebeu imagens da cabeça do coletor de amostra da espaçonave repleta de regolito. Foi coletada tanta amostra que parte dela está escapando lentamente da cabeça de amostragem.

Conforme observado, a equipe agora está tentando descobrir se o dispositivo reteve os detritos. Eles esperam ter coletado cerca de 60 gramas, que é basicamente o material de uma barra de chocolate. Eventualmente, a OSIRIS-REx retornará essas amostras para a Terra para análise, portanto, quanto mais material for coletado, melhor.

Mapa de Nightingale e a localização do TAG. Crédito: NASA/Goddard/University of ArizonaMapa de Nightingale e a localização do TAG. Crédito: NASA/Goddard/University of Arizona

A equipe usará uma variedade de técnicas para descobrir a quantidade de material. O primeiro passo será medir quanto material foi expelido pela explosão de nitrogênio. Eles revisarão as imagens do procedimento TAG, incluindo fotos que mostram a quantidade de poeira que se acumulou ao redor da cabeça de amostragem.

Como aponta um comunicado da Universidade do Arizona, a equipe também tentará pesar o material coletado, usando um pouco de física sofisticada:

Alguns dias após as imagens SamCam serem analisadas, a espaçonave irá … medir a massa da amostra coletada determinando a mudança no “momento de inércia” da espaçonave, uma fase que descreve como a massa é distribuída e como ela afeta a rotação do corpo em torno de eixo central.

Esta manobra envolve estender o braço TAGSAM para o lado da espaçonave em torno de um eixo perpendicular ao braço. Essa técnica é análoga a uma pessoa girando com o braço estendido enquanto segura uma corda com uma bola presa na ponta; a pessoa pode sentir a massa da bola pela tensão da corda. Tendo feito essa manobra antes do TAG, e agora [após a coleta], os engenheiros podem medir a mudança na massa do cabeçote de coleta como resultado da amostra dentro dele.

Se a equipe determinar que não foi coletado material suficiente, eles tentarão novamente em 12 de janeiro de 2021 em um local chamado Osprey. O sistema TAG tem mais gás nitrogênio disponível e a equipe não tem pressa em fazer o trabalho, já que a OSIRIS-REx não partirá do asteróide até março de 2021, quando a Terra e Bennu estarão em um alinhamento orbital favorável.

Uma vez na Terra, o material coletado será estudado por cientistas. Acredita-se que a superfície do Bennu contém materiais inalterados dos primeiros dias do sistema solar, que pode ajudar a esclarecer o papel que asteroides tiveram no fornecimento de água e, possivelmente, na participação dessas rochas na construção de vida primitiva na Terra.