A Intel anunciou nesta terça-feira (16) durante o IDF (Intel Developers Forum) o licenciamento de tecnologia com a britânica ARM, companhia responsável pelo design da maioria dos chips presentes em dispositivos móveis do mercado.

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A companhia usará suas instalações que fabricam as linhas de produção de 10 nanômetros para produzir chips SoC (sistema em um chip) para outras empresas com a tecnologia da ARM. Ela, inclusive, já tem acordo para fornecimento de itens para a Netronome, Spreadrum e LG Electronics — é possível que a próxima linha de smartphones da marca sul-coreana tenha chips feitos sob medida na fábrica da Intel.

A ARM, que foi adquirida recentemente pelo grupo japonês Softbank, é importantíssima no mercado de smartphones. Os chips projetados pela companhia sempre foram conhecidos pela alta eficiência energética, o que ajudou a arquitetura a dominar este segmento do mercado; enquanto a Intel, tradicionalmente concentrada em PCs, demorou para investir neste setor.

Abaixo, parte do comunicado da Intel sobre o licenciamento:

Hoje, estamos avançando nossos esforços de ecossistema com uma nova propriedade intelectual fundamental para nossos clientes utilizarem. Nossa plataforma de 10 nm oferecerá acesso à propriedade intelectual ARM Artisan, incluindo também a POP, que é baseada na mais avançada tecnologia de núcleos ARM e série de processadores Cortex. Otimizar esta tecnologia para o processo de 10 nm da Intel significa que nossos consumidores de fundição podem aproveitar os recursos para atingir o melhor uso eficiente de energia, implementações de alta performance, internet das coisas e outras aplicações para consumidores.

Em linhas gerais, isso significa que a companhia poderá fazer chips ARM de 64 bits para companhias como Qualcomm e Apple, por exemplo. Atualmente, existem duas principais formas de produzir um chip: desenhar a estrutura e pedir para um fabricante executar (como a Apple faz) ou usar soluções prontas, como a Qualcomm que, neste caso, concebe a arquitetura e também fabrica.

Com a possibilidade de criar processadores ARM, a Intel poderá fazer, por exemplo, com que a Apple tire a produção de chips da mão de companhias concorrentes – no caso, a divisão de processadores da Samsung.

A parceria é significativa, pois mostra como a Intel perdeu o bonde no que diz respeito à mobilidade. Neste setor, ela tentou emplacar seus próprios chips móveis, como o modelo Atom. No entanto, a estratégia não deu muito certo: estima-se que 95% dos aparelhos móveis contam com chips arquitetados pela ARM. Empresas como Samsung, Qualcomm e TSMC são algumas que produzem chips ARM.

[Intel e The Verge]