De acordo com a mídia estatal IRNA, do Irã, ataques cibernéticos teriam interrompido o sistema ferroviário do país na manhã da última sexta-feira (9), causando um “caos sem precedentes” em estações em toda a nação. Os hackers, que ainda não foram identificados, também perseguiram o guia supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.

Meios de comunicação iranianos afirmam que o site da ferrovia, as bilheterias locais e os serviços de carga foram afetados pelos apagão repentino. A maioria dos trens continuou em funcionamento, porém muitos veículos precisaram interromper a operação. Os que continuaram andando chegavam às estações com muitos minutos de atraso.

Em contrapartida, a empresa ferroviária nacional do Irã desmentiu a agência de notícias Fars. Sadegh Sekri, porta-voz das Ferrovias da República Islâmica do Irã, afirmou neste sábado (10) que “não houve interrupção ou ataque cibernético para passageiros, carga ou trens intermunicipais”. No entanto, a companhia ponderou que técnicos checaram as supostas interrupções, negando atrasos na chegada dos trens.

Além do ataque ao sistema ferroviário, o Irã viu seu líder supremo Ali Khamenei ser supostamente um alvo do hack. Segundo a agência Reuters, ele teve seu número de telefone publicado em vários painéis de mensagens na estações de trem, com o número “64411″ exibido nas telas das construções. Esse número apareceu como sugestão para os passageiros ligarem e obterem mais informações sobre a paralisação. No entanto, ao discar a sequência, a ligação era direcionada ao escritório do aiatolá Khamenei.

Irã na mira de ciberataques

Ataques a redes de transporte são semi-frequentes, mas nem sempre são tão ruins. Nos Estados Unidos, há ataques de ransomware visando agências de transporte e, no mês passado, alguém invadiu as redes da Metropolitan Transportation Authority (MTA), companhia responsável pelo transporte público no estado de Nova York. Contudo, o ataque não afetou a empresa a nível operacional.

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O Irã, por outro lado, está quase sempre sendo hackeado (ou sendo acusado de hackear). As contínuas disputas cibernéticas do país com seu vizinho Israel resultaram em vários casos de centros de transporte sendo destruídos, incluindo um grande hack em um porto iraniano, em maio deste ano. Um mês antes, o Irã acusou Israel de provocar um blecaute na maior usina nuclear iraniana, o que, segundo autoridades da República Islâmica, teriam sido causados pela agência de inteligência israelense Mossad.