A LG Mobile está em apuros. Nos últimos dois anos e meio, a divisão de smartphones registrou prejuízos de mais de US$ 1,5 bilhão – e um dos maiores motivos para as dificuldades da empresa foi a baixa venda dos celulares topo de linha.

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Quando olhamos para 2016, o LG G5 estava fadado ao fracasso desde o início. Ele tinha um design sem graça e um sistema mal feito de módulos que exigia que a pessoa desligasse seu celular e trocasse a bateria para incluir novos acessórios. Então, em 2017, a LG lançou o G6, que era muito menos ousado, mas não tinha funcionalidades e estilo a altura de competidores como o Galaxy S8.

Mas agora, a LG está tentando virar o jogo com o G7 ThinQ, que mantém as funcionalidades avançadas de vídeo que foram anunciadas com o LG V30 e adiciona alguns truques novos. Mas a questão que fica é: vai ser o suficiente para voltar a competir?

Talvez as coisas fiquem diferentes na produção final, mas quero olhar com calma para essa tela que a LG diz ter brilho de 1000 nit. Foto: Sam Rutherford (Gizmodo)

Assim como seu antecessor, o G7 possui resistência à água com certificado IP68, o que deve protegê-lo de uma molhada acidental. Ele também tem o design de vidro que se tornou quase que onipresente entre os smartphones mais caros. A LG colocou um grande esforço em alguns componentes como o alto-falante e a tela. (Sim, temos um entalhe. E não, isso não é grande coisa).

A LG afirma que sua tela QHD LCD de 6,1 polegadas extra-wide pode chegar a um brilho de 1000 nits, o que deve ser mais do que o suficiente para enxergar a tela sob a luz do sol. No entanto, devo dizer, quando comparei a unidade prévia do G7 com o Galaxy S9+, com ambos definidos no brilho automático máximo, a tela do celular Samsung pareceu mais luminosa.

O estéreo do G7 não tá de brincadeira. Foto: Sam Rutherford (Gizmodo)

Enquanto isso, os alto-falantes chegam a mais de 100 decibéis, três vezes mais do que o G6 conseguia. Além disso, a LG manteve o plug tradicional do fone de ouvido e ainda adicionou uma tecnologia DTS-X de surround virtual que é capaz de fazer com que fones com fio tinham um som melhor e mais imersivo.

Para as câmeras, a LG está tentando aprimorar a sua inteligência artificial – por isso a marca ThinQ – ao utilizar uma plataforma inteligente para fazer fotos melhores. Assim como vimos nos celulares Mate 10 Pro e P20 Pro da Huawei, a inteligência artificial da câmera da LG pode identificar uma variedade de cenas e objetos, como bichos de estimação, frutas e pôr do sol para ajustar as configurações da câmera automaticamente.

Nada mal para um ambiente que estava realmente escuro. Foto: Sam Rutherford (Gizmodo)

A dupla traseira de câmeras de 16 megapixels tem uma funcionalidade de combinação de pixels, que a gente já ouviu falar antes em smartphones como o HTC One M7 (que foi lançado em 2013!) e era conhecida como tecnologia UltraPixel. É uma técnica em que o celular combina os pixels próximos com um pixel maior, dando mais sensibilidade à luz e resultando em fotos mais claras, com menos granulação. Em troca, a resolução da foto cai de 16 MP para 4 MP. Não é das ideias mais originais, mas pode ser útil de vez em quando.

Tá vendo o pequeno ícone de fruta no canto direito inferior? É a inteligência artificial de câmera do G7 em ação. Foto: Sam Rutherford (Gizmodo)

A integração com a inteligência artificial da LG se estende até mesmo para o design do aparelho já que, assim como o Galaxy S8 e S9, ele tem um botão dedicado para a assistente virtual. A diferença é que no G7, o botão abaixo do controle de volume aciona o Google Assistente, o que talvez tornará a implementação da LG um pouco menos questionável. Talvez.

Para manter as coisas fluindo, a LG trabalhou com o Google para criar frases únicas de comandos para o Google Assistente no G7, como “Tire uma foto com o modo de pouca luz”, ou “Abra a câmera no modo IA”. É esperto, mas ainda não é algo que eu chamaria de superinteligente.

Além do botão dedicado ao Google Assistente, a LG colocou o botão power no lado direito, em vez de colocá-lo junto com o sensor de impressões digitais na traseira, como tinha feito em modelos anteriores. Foto: Sam Rutherford (Gizmodo)

Finalmente, como você poderia esperar, o G7 tem especificações decentes, mas não exemplares. Inclui um processador Snapdragon 845, 4 GB de RAM, 64 GB de armazenamento, um slot para cartão microSD, bateria de 3.000 mAh e tecnologia de carregamento sem fio.

Mas, aqui vem o problema: enquanto a lista de funcionalidades e componentes do G7 pareçam bem legais, tenho dificuldades em me animar com o aparelho, o que é justamente a LG precisa invocar nos consumidores. Veja, é possível que minha opinião mude depois de uma análise completa, mas estou preocupado se o preço não for menor do que o da concorrência. O G7 pode acabar sendo mais um daqueles celulares sólidos que ficou ofuscado por um mercado extremamente competitivo.

Imagem do topo: Sam Rutherford (Gizmodo)