Talvez você se pergunte como o 5G, que temos lido e ouvido a respeito há anos, ainda não engrenou de vez, mesmo nos países em que a tecnologia está mais avançada. Essa é uma resposta complicada, mas posso te mostrar uma justificativa a partir do que virá a seguir — no caso, o 6G. Nesta sexta-feira (20), a LG anunciou ter batido um novo marco de envio da futura rede de dados sem fio. O recorde? Transmitir o sinal de um prédio para o edifício da frente.

A LG trabalhou com os Institutos Fraunhofer Heinrich Hertz (HHI) e Fraunhofer para Física de Estado Sólido Aplicada, ambos na Alemanha, para desenvolver um novo amplificador de potência, bem como uma tecnologia de formação de feixe adaptável, que é usada para direcionar melhor os sinais sem fio. Em 13 de agosto, a tecnologia foi usada para transmitir com sucesso um sinal de 6G na faixa de 155 a 175 GHz. O sinal partiu do edifício do HHI em direção ao Instituto de Tecnologia de Berlim, em uma distância de 100 metros.

Isso pode não parecer um recorde pouco significativo, visto que os dois prédios estão basicamente próximos um do outro. Mas não se engane: é uma etapa importante para fazer com que as tecnologias que impulsionarão o 6G funcionem em um ambiente prático, e não apenas dentro de um laboratório rigidamente controlado.

O recorde anterior pertencia à Samsung. Em junho deste ano, a sul-coreana usou um transmissor de 140 GHz, desenvolvido pela primeira vez em 2017 na Universidade da Califórnia (EUA), para transmitir dados a uma taxa de cerca de 775 MB por segundo (6,2 Gbps), a uma distância de aproximadamente 15 metros. Antes da Samsung, o recorde de velocidade pertencia à Nokia que, em parceria com a empresa turca Turk Telekom, alcançaram 4,5 Gbps em março de 2021. A LG não informou a velocidade obtida nos testes na Alemanha.

6G ainda levará anos para ser lançado

Com o anúncio desta sexta, a LG Electronics, que tem trabalhado com o laboratório de pesquisa europeu Fraunhofer-Gesellschaft, não entrou em detalhes sobre quantos dados foram transmitidos. Contudo, sabemos que o 6G será extremamente rápido. Isso porque os sinais as futuras redes de sexta geração vão existir no espectro terahertz (THz), que não é utilizado atualmente, além de 100 GHz e em uma largura de banda mais ampla de frequências. Para efeito de comparação, os sinais 5G operam em uma faixa de frequência de até 40 GHz.

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O problema com as frequências THz é que, até o momento, elas têm um alcance muito limitado e tendem a perder energia ao passar por antenas usadas para transmissão e recepção. Em vez de adicionar ainda mais torres de celular em todo o país para preencher as lacunas, a solução ideal é encontrar maneiras de aumentar a distância das transmissões 6G.

Também é importante lembrar que o padrão 6G ainda nem foi finalizado, o que não acontecerá até 2025, no mínimo. A LG estima que uma versão estável e de longo alcance do 6G esteja pronta em 2025, mas o lançamento comercial da tecnologia só deve chegar aos primeiros consumidores a partir de 2029 ou 2030 — e isso levando em consideração as estimativas mais positivas, ainda mais quando lembramos que o 5G ainda não decolou no mundo.