Após algumas escavações esperançosas, Marte parece ter cuspido a sonda de medição de fluxo de calor InSight.

Quando a InSight pousou em Marte, ela tinha duas tarefas aparentemente simples: usar seu braço robótico para colocar o sismômetro na superfície e implantar o instrumento de perfuração da sonda para cavar 3 a 5 metros de profundidade. Este último, porém, se mostrou muito mais difícil do que se esperava inicialmente.

No domingo à tarde, a NASA tuitou a notícia e um timelapse mostrando o planeta ejetando a sonda:

Tradução: Marte continua a nos surpreender. Enquanto cavava neste fim de semana, o perfurador foi ejetado do solo. A avaliação preliminar aponta para propriedades inesperadas do solo como o principal motivo. A equipe está planejando os próximos passos. #SaveTheMole #Teamwork

O drama da sonda de calor prejudicou a missão desde que o aterrissador InSight da NASA pousou sobre o Planeta Vermelho em novembro passado. Os cientistas do InSight esperavam encontrar uma região livre de rochas, com solo arenoso e solto, para plantar o Pacote de Propriedades Físicas e Fluxo de Calor (HP3), e aparentemente encontraram uma. Eles implantaram o dispositivo, que, usando um martelo, deveria perfurar cada vez mais fundo o solo. Nos primeiros dias, ele cavou no máximo 46 centímetros antes de encontrar um solo denso e parecido com cimento que interrompeu seu progresso.

Os pesquisadores da NASA trabalharam por meses para tentar descobrir uma maneira de fazer com que a sonda continuasse cavando a espessa “duricrust”. Sua solução inicial foi pressionar o solo ao redor da sonda com o braço mecânico da sonda, a fim de aumentar a pressão e o atrito ao redor da sonda.

A técnica pareceu funcionar, e a sonda desceu mais um centímetro. Até ontem, quando ela foi empurrada pra fora de novo. A equipe do InSight está novamente trabalhando para tentar entender a situação. Eles tuitaram: “Uma possibilidade observada em testes na Terra é que o solo pode cair na frente da ponta do perfurador à medida que se recupera, preenchendo gradualmente o buraco à sua frente conforme o instrumento recua”.

Esses recuos foram, obviamente, frustrantes. O HP3 é um dos três principais experimentos no módulo de aterrissagem, juntamente com o Experimento Sísmico para Estrutura Interior (SEIS) de detecção de “Marsquake” (terremotos em Marte) e o Experimento de Rotação e Estrutura Interior  (RISE) de medição de campo magnético. Juntos, esses instrumentos devem medir o quão geologicamente ativo o planeta é, e eles já começaram a fornecer resultados emocionantes. A falha potencial da sonda de calor não negaria a ciência dos outros instrumentos, mas seria uma perda frustrante.

Entramos em contato com especialistas sobre o assunto e atualizaremos a postagem quando recebermos uma resposta. Mas, por enquanto, estamos apenas cruzando os dedos e esperando uma solução em breve.