A organização dos Jogos Olímpicos de Tóquio planeja produzir as medalhas com metais recolhidos de smartphones e outros produtos eletrônicos descartados. A ideia é aproveitar o lixo eletrônico do país; só o ouro e a prata contidas nos dispositivos correspondem a 16% e 22% da oferta global dos materiais.

Um breve histórico do doping, e como cada substância ajuda os atletas a trapacear
Falta de limites sobre balões vigilantes nas Olimpíadas põe privacidade da população em xeque
Finalmente sabemos a razão pela qual as piscinas das Olimpíadas ficaram verdes

Segundo o jornal Nikkei Asian Review, os organizadores do evento, oficiais do governo e executivos conversam sobre o plano desde junho. Os planos incluem uma política mais ativa de reciclagem do lixo eletrônico. O Japão produz cerca de 650 mil toneladas desse tipo de lixo e apenas 100 mil toneladas são coletadas atualmente. Dessa quantia, parte é reaproveitada para a produção de novos celulares.

Todo esse lixo seria o suficiente para produzir todas as medalhas de ouro, prata e bronze para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Para efeitos de comparação, nas Olimpíadas Londres 2012 foram utilizados 9,6 quilos de ouro, 1.210 quilos de prata e 700 quilos de cobre — o principal componente do bronze; só em 2014 o Japão reciclou 143 quilos de ouro, 1.566 quilos de prata  e 1.112 toneladas de cobre.

A ideia japonesa segue a tendência da promoção de Jogos mais sustentáveis. 30% da prata e do bronze utilizados foram reciclados, enquanto o ouro utilizado era totalmente isento de mercúrio. As fitas das medalhas foram tecidas, em média, com 50% de fios PET, também reciclados.

“Para que todas os japoneses participem das Olimpíadas de Tóquio, pedimos para empresas realizarem propostas concretas e sinalizarem que querem de trabalhar com o comitê organizador dos Jogos para realizar este projeto” disse Yuko Sakita, da ONG Genki Net for Creating a Sustainable Society.

O lixo eletrônico se tornou uma grande preocupação ambiental. Segundo a ONU, essa é uma das maiores fontes de lixo do mundo, tanto nos países desenvolvidos quanto subdesenvolvidos. Um estudo realizado em 2013 apontou que o volume global de descarte de produtos eletrônicos deve aumentar em 33% até 2017, agravando o potencial de contaminação do solo e da água por materiais como mercúrio e cádmio.

Foto do topo por: AP Photo/Andrew Medichini.

[The Verge via Nikkei Asian Review]