O Brasil já aplicou a primeira dose da vacina contra Covid-19 em cerca de 2,99% da população. O ritmo ainda é lento e, somando-se a isso, há a preocupação sobre quantos brasileiros estão, de fato, dispostos a receber o imunizante.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto em parceria com outras universidades e centros de pesquisa, o volume de desinformação sobre as vacinas no Facebook aumentou 131,5% desde que a imunização começou. As publicações falam sobre falsos casos de mortes e teorias sem qualquer evidência científica.

O projeto faz parte da iniciativa União Pró-Vacina (UPVacina). Durante o mês de janeiro, foram identificados 257 posts no Facebook com dados falsos e que foram publicados por dois grupos antivacina. Em comparação, o número havia sido de 111 publicações no mês anterior. Quando as vacinas ainda estavam sendo testadas, por volta de julho de 2020, foram contabilizados cerca de 87 conteúdos do tipo.

De acordo com João Henrique Rafael Junior, fundador da UPVacina, as publicações são feitas em grupos públicos do Facebook, mas não é possível determinar se os perfis responsáveis são de pessoas reais, falsos ou robôs. Os conteúdos foram postados por 116 autores, sendo que 16 deles acumulam quase metade das postagens. Em relação ao tipo de mídia, a maioria contém vídeos (41,6%) e links (24,5%). Os idiomas mais comuns são português (71%), inglês (19,8%) e espanhol (7,1%).

Os números ainda mostram uma alta taxa de engajamento: 3.942 reações, 1.313 comentários e 2.372 compartilhamentos. Com o início da campanha de vacinação, o tipo de conteúdo que mais se destacou foram aqueles que alertavam para um suposto perigo das vacinas (45,1%), seguido de teorias da conspiração.

Em declaração ao G1, Júnior diz que “os posts na categoria perigo afirmam que as vacinas podem causar morte, infertilidade, alteração genética, além de alegações de que pessoas que já tomaram a vacina estão morrendo ou sofrendo fortes reações adversas”.

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Considerando que o Facebook já havia anunciado que iria combater conteúdos com informações falsas sobre as vacinas, o grupo de pesquisa questiona as medidas adotadas pela rede social. Um dos grupos antivacina identificados no projeto não está mais ativo desde o dia 10 de fevereiro. Porém, o outro permanece na plataforma há seis anos. Entre as publicações analisadas pela UPVacina, apenas 7,6% foram sinalizadas como conteúdo falso.

De acordo com o G1, a resposta do Facebook em relação ao estudo é que ele foi baseado apenas em uma pequena amostragem e, portanto, não reflete o trabalho que vem sendo realizado pela plataforma. A empresa ainda diz ter removido mais de 12 milhões de posts que continham informações falsas sobre a Covid-19 em todo o mundo.

[G1]