A Força Aérea dos Estados Unidos revelou um vídeo que mostra a visão de um piloto iniciante que desmaiou após uma manobra complicada. Felizmente, o caça F-16 estava equipado com um sistema de prevenção de colisão e salvou a vida dele.

• Por que você deve vestir a máscara de oxigênio primeiro quando a cabine do avião despressurizar
• O que tem dentro da caixa preta de um avião?

A tecnologia se chama “sistema automático de prevenção a colisões no solo”, ou Auto-GCAS na sigla em inglês. Levou quase 30 anos para a Força Aérea dos EUA desenvolvê-la, com esforços do próprio laboratório de pesquisa, da NASA e da Lockheed Martin. Eles colocaram o Auto-GCAS no caça F-16 no final de 2014, e o sistema já salvou pelo menos 4 pilotos, contando com esse do vídeo.

O Auto-GCAS funciona comparando continuamente a previsão da trajetória do avião com um perfil de terreno pré-existente. Se o sistema prevê uma colisão iminente com esse perfil – como faz aos 26 segundos do vídeo – o piloto automático toma o controle. Guy Norris, do Aviation Week, explica o que aconteceu:

Nesse caso, um piloto iniciante do F-16 estava passando por um treinamento básico de manobras com seu instrutor da Força Aérea dos EUA, que estava em outro F-16. O estudante fez uma manobra e perdeu a consciência (situação chamada de G-LOC). Com o piloto inconsciente, o avião ficou com seu bico para baixo, de uma altitude de mais de 5.000 m, e foi mergulhando.

Depois de apenas 22 segundos, o F-16 estava numa inclinação de quase 50 graus em relação ao horizonte e a uma velocidade muito alta. O instrutor pede via rádio “2 recover!” quando o piloto chega nos 3.750 m a 1.086 km/h. Dois segundo depois, ele chega a uma inclinação de 55 graus, 3.300 m de altitude e 1.134 km/h, o instrutor novamente pede “2 recover!”. Em pouco menos de outros dois segundos, o instrutor faz outro chamado desesperado para o aluno levantar a aeronave e é nesse momento que o Auto-GCAS executa a manobra de recuperação, a 2.670 m de altitude e 1.207 km/h.

E é nesse momento que o piloto finalmente acorda e toma controle do caça. O altímetro do radar sugere uma altitude mínima de 900 m – naquela velocidade, isso significa que ele teria pouco espaço para realizar manobras.

Foi por pouco, e todo o mérito para a Força Aérea dos EUA por desenvolver um sistema desses. Provavelmente não vai demorar muito até que os jatos supersônicos se tornem totalmente autônomos e nos deixem de lado.

[Aviation Week via Popular Science]

Foto por D. Miller/Flickr