Caso você não saiba, a CES deste ano está um pouco mais liberal, pois agora a feira permite brinquedos eróticos e afins. Isso fica evidente ao dar uma caminhada no CES Unveiled — uma área que reúne várias empresas que atuam na área de bem-estar e saúde sexual — representando uma mudança drástica em relação ao ano passado.

Neste ano, uma das empresas da área é a Morari Medical, fabricante de um vestível destinado a resolver o problema de ejaculação precoce. Como você pode ver na imagem de abertura, o dispositivo é uma espécie de band-aid que vai lá no períneo — entre o ânus e o saco escrotal, também conhecido como o lugar onde o Sol não bate, a menos que você queira.

Repare que o manequim não tem pênis e que o band-aid fica próximo ao âmago ali das partes íntimas. Tentei dar uma olhada de perto, sem parecer uma louca, e pelo que puder ver, era um adesivo do tipo curativo preso no manequim.

Não havia muito mais que isso no estande da Morari Medical. Fora o manequim, havia um computador com uma apresentação com slides descrevendo fatos sobre a ejaculação precoce próximo a imagens em branco e preto de homens bonitos claramente incomodados. No entanto, tive algumas respostas sobre o produto.

Para começar, o adesivo ainda não tem um nome oficial. Isso porque, de acordo com a empresa, é um “protótipo em estágio inicial” para a “primeira solução vestível” no tratamento de ejaculação precoce. A ideia é desenvolver algo que use “neuromodulação” para ajudar o cérebro a se comunicar melhor com os nervos ejaculatórios. Devo admitir que não tinha a menor ideia do que é neuromodulação.

Em uma pesquisa no Google, leio que “é a alteração — ou modulação — da atividade nervosa, fornecendo agentes elétricos ou farmacêuticos diretamente para uma área alvo”.

Uma espiada no site da Morari Medical também descreve seu protótipo como o primeiro produto transdérmico externo com objetivo de “inibir os nervos do pênis, atrasando assim a ejaculação”. O objetivo principal de ser um adesivo bem escondido é torná-lo discreto e imperceptível aos parceiros sexuais

Tem muita coisa para ser analisada aqui — por exemplo, você sabia que “morari” vem do latim e significa “atraso”? Isto significa que os homens deverão grudar um eletrodo em uma das partes mais sensíveis do corpo? Ou o adesivo seria uma espécie de analgésico tópico para entorpecimento? Para ser justa, a ejaculação precoce pode ser humilhante para algumas pessoas, e seria objetivamente bom tirar o estigma para que pessoas afetadas pela condição busquem ajuda. Mas um adesivo é a melhor maneira de fazer isso?

Outra pergunta séria: o que aconteceria se este adesivo rasgasse? Afinal, você certamente poderia deixar um desses lá para sempre.

Perguntei ao meu namorado se ele acharia ok usar um desses, e ele me respondeu imediatamente: “Não, pelo amor de Deus, não. Tem muito pelo nesta região”.

Este é um ótimo argumento. Uma “clareira de pelo” afetaria a eficácia do adesivo? Como será que seria a aderência nessa região? Isso exigiria que o usuário raspasse ou depilasse regularmente esta área? A maioria dos caras aceitaria isso sob a condição de possibilitar que eles não sejam nocauteados no primeiro round na cama?

Perguntei para outros amigos se eles usariam, mas ninguém respondeu, pois são todos covardes — embora o silêncio comprove o argumento da Morari Medical de que os homens sentem vergonha de falar sobre o assunto.

Ainda assim, se funcionar e não doer, isto pode ser uma boa troca para evitar a ejaculação precoce. É uma relação em que todo mundo ganha.