O Moto X está entre nós – ou quase. A Motorola confirmou os detalhes sobre o seu lançamento no Brasil: ele chega às lojas nas próximas semanas por R$ 1799 (preço do aparelho desbloqueado) apenas nas cores preto e branco e com reconhecimento de voz em português brasileiro.

Já falamos bastante sobre o Moto X por aqui e ele foi muito bem recebido lá fora. Trata-se do primeiro smartphone de uma nova Motorola. Uma Motorola que agora é uma empresa do Google e quer ser cool como é o Google. E, para ser cool, ela não pode ser igual às outras. Portanto, esqueça a guerra de especificações técnicas, essa não é mais a praia da Motorola: ela quer oferecer a melhor experiência de uso possível, hardware e software integrados, um funcionando para melhorar o outro. Como a Apple costuma fazer. O Moto X é o primeiro smartphone da empresa com esse objetivo.

Deixar de lado a guerra das specs pode ser uma forma da Motorola justificar as entranhas não tão impressionantes do Moto X – processador dual-core, tela com resolução 720p, câmera de 10 megapixels. Enfim, números que não se comparam ao encontrado na concorrência (processadores octa-core, câmeras de 41 megapixels ou de ultrapixels, coisas assim). Mas o que são números sem uma boa experiência de uso, não é mesmo? É isso que a Motorola quer. Ela quer que o Moto X seja excelente no que faz, não que seja melhor que os outros no papel.

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Apesar da tela de 4,7 polegadas, o Moto X não é exatamente grande. Estou acostumado com meu Samsung Galaxy SIII, e mesmo que a tela seja apenas 0,1 polegadas menor, o Moto X é bem mais compacto. Ele praticamente não tem bordas: a parte frontal é a tela e pouco além disso. Na parte de cima, a câmera frontal, e, no canto inferior esquerdo, um dos microfones (ele conta com dois microfones e logo falarei um pouco mais sobre isso). É isso e a tela, e só.

A traseira é levemente arredondada e se encaixa perfeitamente na mão. A carcaça não parece ser Kevlar, apesar de lembrar um pouco (como comentamos em outro hands-on, parece um tipo de policarbonato emborrachado). E é no meio dessa tampa traseira que você encontra a única referência à fabricante em todo o corpo do smartphone: o tradicional “M” da Motorola aparece pouco abaixo do flash. No canto esquerdo está a porta para o nano SIM card, e o Moto X não tem entrada para cartão micro SD (a memória de 16GB ou 32GB não é expansível), enquanto o canto direito tem o botão para ligar/desligar e o controle de volume. Na parte de cima está a entrada de fone de ouvido e, na parte de baixo, a entrada de micro USB para carregar o aparelho.

Os truques da Motorola

A Motorola não se empenhou em colocar o que há de mais avançado em processadores, mas se esforçou bastante para tudo funcionar a favor do usuário. A empresa diz que o Moto X usa um sistema de oito núcleos – quatro são da GPU, dois da CPU, um para linguagem natural e um para computação contextual. Esses dois últimos são o diferencial do Moto X. Eles servem para manter o smartphone em funcionamento o tempo inteiro com pouco consumo de energia. Eles são usados para saber que o smartphone está no seu bolso, e que você tirou ele do bolso para ver as horas (e aí ele mostra as horas sem você ligar a tela). Eles percebem quando você está em um carro e ativam o modo direção do smartphone, permitindo que você recuse uma chamada e envie um SMS para o seu contato avisando que você está dirigindo. É um sistema bem inteligente feito para simplificar o uso do smartphone – na teoria é tudo fantástico, mas e na prática?

O fato do smartphone estar sempre em uso mesmo quando não está em uso é um dos pontos que a Motorola pretende usar para diferenciar o Moto X dos outros. Funciona assim: você tira o smartphone do seu bolso e ele acende alguns pixels na tela para mostrar o horário e algumas notificações. Isso é bem inteligente por dois motivos: o primeiro é que você provavelmente realmente tirou o smartphone do bolso para checar notificações ou o horário, e ele faz isso sem que você precise apertar nenhum botão. O segundo é que ao acender apenas alguns pixels da tela o Moto X economiza bateria – segundo a Motorola, um usuário médio acende a tela do smartphone até 60 vezes em um dia, e isso consome muita bateria. Se ela não acende por completo – apenas em alguns pontos – então ele, teoricamente, gasta menos bateria.

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E como ele está sempre em uso, está sempre pronto para seus comandos. Inclusive seus comandos de voz. A Motorola não quer que você precise encostar no seu Moto X – basta falar o que você quer que ele faça. E ele reconhece o português falado no Brasil! E ele aprende a sua voz também, portanto, nada daquele seu amigo engraçadinho dando comandos para o seu smartphone. Fale “Ok, Google Now” e o smartphone está pronto para receber suas ordens: você pode fazer alguma busca no Google (como o Google Now faz em qualquer Android Jelly Bean, e sem retorno de voz em português), ou peça para ele ligar para alguém, pergunte direções para algum lugar, peça para checar sua caixa postal. Nesses casos, o Moto X responde para você com uma voz feminina um pouco robótica que parece o Google Tradutor. Quando você estiver dirigindo, essa mesma voz lerá suas mensagens e perguntará se você quer responder algum SMS, alguma chamada telefônica ou o que for.

Em relação aos comandos de voz, o Moto X aprende a reconhecer a sua voz e consegue entender o que você fala até mesmo em lugares com barulho: a Motorola colocou dois microfones no dispositivo, um na parte frontal e um na traseira. Juntos, eles conseguem detectar o que é que você está falando e o que é barulho de fundo, e ignoram o que é de fundo. Funciona bem em lugares com barulho médio – talvez na rua, em uma mesa com um grupo de pessoas, mas certamente não vai dar certo durante um jogo de futebol ou um show de rock (mas quem tentaria usar comandos de voz nessas ocasiões?).

Para finalizar (alguns dos) recursos únicos do Moto X, a Motorola também incluiu um gesto para ativar a câmera rapidamente. A empresa diz que smartphones costumam levar de nove a dez segundos no processo de desbloquear a tela, encontrar o app da câmera e enfim poder tirar uma foto. Botões dedicados ou atalhos na tela de bloqueio ajudam a reduzir o tempo de espera, mas não é o suficiente para a Motorola: eles querem mais rapidez. E a câmera do Moto X pode ser ativada em poucos segundos. Balance o pulso duas vezes (com o smartphone em mãos, é claro) e ela abre. Nas primeiras tentativas, tive um pouco de dificuldade para aprender o gesto, mas depois que peguei o jeito ficou tudo bem simples: o Moto X ainda vibra um pouco como forma de responder que entendeu seu comando e a câmera está abrindo. Com ela aberta, toque em qualquer área para tirar uma foto. Puxe do canto esquerdo um menu com opções de configuração (você pode desativar o gesto), ou do canto direito para encontrar a galeria de fotos. Tudo bem simples, com o objetivo de evitar que você perca aquele momento bacana de uma foto por causa dos intermináveis dez segundos até abrir a câmera do smartphone.

E o resto?

Bem, esses são alguns dos recursos incluídos pela Motorola no Moto X, mas é claro que há muito mais no smartphone do que isso. Ele roda o Android 4.2.2 com algumas poucas mudanças feitas pela Motorola (o design é praticamente o mesmo da versão stock do Google), e tudo roda com bastante fluidez (ele tem 2GB de RAM para ajudar).

O lançamento dele por aqui foi rápido – ele chegou há algumas semanas às lojas dos Estados Unidos – mas sentimos que ficamos sem algo no Moto X. Sim, estamos falando da Moto Maker, a loja de personalização do dispositivo que a Motorola lançou lá fora. Por aqui, a palavra oficial da empresa é que existe sim a possibilidade dela ser lançada, mas não será agora – talvez não em 2013. Portanto, só teremos o Moto X preto e o branco por enquanto.

Estamos com um Moto X em mãos para fazer um review mais profundo e verificaremos mais seu desempenho, a duração da bateria e se outras promessas da Motorola realmente se concretizaram. Mas, em um primeiro momento, ele parece realmente fantástico. Quer saber alguma coisa em especial sobre o Moto X? Deixe sua sugestão nos comentários!