A linha Motorola One tinha como mote ser uma espécie de “intermediário avançado”, enquanto o “intermediário de entrada” da marca é a linha Moto G. Então, o Motorola One Hyper tem recursos de hardware próprios dessa categoria e, digamos, três destaques menos comuns neste ramo: a câmera retrátil, um carregador monstruoso e um sensor principal de 64 MP.

Utilizei o aparelho por uma semana antes deste tempo de quarentena e digo com tranquilidade que é uma boa escolha para quem preza por uma bateria de carregamento rápido, câmera com bom desempenho e tela gigante. Abaixo, as impressões do meu tempo de uso do aparelho:

Usando

O Motorola One Hyper impressiona pelo tamanho. Ele tem uma telaça de 6,5 polegadas que parece ser ainda maior, pois a frente do aparelho não tem um buraco reservado para câmera. Então, é só display e uma borda.

Motorola One Hyper de frente
Crédito: Guilherme Tagiaroli/Gizmodo Brasil

Pessoalmente, não gosto muito de aparelhos com tela muito grande, pois tenho que fazer malabarismo para atingir certas partes da tela, sem contar que dá a margem para queda, mas não deixa de ser um atrativo interessante para quem gosta de assistir vídeos.

Motorola One Hyper

Motorola One Hyper

O que é?
Smartphone de gama intermediária da Motorola

Preço
Cerca de R$ 1.600 em varejistas online

Gostei
Carregamento rápido, design maneiro sem furo na tela, câmera boa em ambientes claros

Não gostei
Tela grande (mas tem quem goste), fotos no modo noturno ficam boas apenas em ambientes controlados

Na traseira, a unidade que testei era na cor azul oceano, que na verdade era um tom bem metalizado. É estiloso, mas parece um episódio de CSI, do tanto de marca de digital que fica. Para resolver isso, a Motorola inclui uma capinha plástica na caixa que ajuda a amortecer quedas e não ficar tão paranoico com as marcas de dedo.

Motorola One Hyper
Sem capa, o Motorola One Hyper é um prato cheio para quem se aborrece com limpeza. Crédito: Guilherme Tagiaroli/Gizmodo Brasil

A câmera frontal retrátil é bem discreta. Diferente do Galaxy A80 que testei no ano passado, ele não faz nenhum barulho à la Robocop. O fato é que as pessoas ainda se impressionam com o sensor saindo do topo do telefone.

O sistema embarcado é o Android 10, e a Motorola faz poucas alterações no sistema, então nada de aplicativos já embarcados. A exceção é o Moto Ações no qual é possível configurar algumas coisas, como os gestos de “chacoalhão” para acessar a câmera ou tirar captura de tela tocando com três dedos sobre a tela.

Câmera retrátil do Motorola One HyperCrédito: Guilherme Tagiaroli/Gizmodo Brasil

Por dentro, o One Hyper conta com o chip Snapdragon 675, que faz parte da linha intermediária de opções da Qualcomm, lançada no fim de 2018. Deu para jogar games casuais como Speed Drifters e Slap Kings (uma competição bizarra de tapa na cara), e a navegação no smartphone em redes sociais era bem fluída. Óbvio: não é igual a um aparelho topo de linha, mas bem honesto, sem aquelas travadas enquanto se desliza o dedo na tela.

Motorola One Hyper em detalhe da entrada para fone de ouvido
Sim, ele tem entrada convencional de fone de ouvido. Crédito: Guilherme Tagiaroli/Gizmodo Brasil

O único problema que tive foi em um dia que estava ouvindo música no Spotify e quis tirar algumas fotos. As primeiras duas imagens saíram ok. Depois disso, travou o aplicativo da câmera, e só pude voltar a captar imagens depois de reiniciar o aparelho.

Em termos de bateria, os 4.000 mAh aguentam um dia de uso. Então, saía de casa cedo, ouvia música por streaming via 4G com um fone Bluetooth, enquanto navegava nas redes sociais. Chegava no trabalho e me conectava ao Wi-Fi, onde checava o aparelho apenas ocasionalmente para checar Google Analytics, Twitter e Instagram. Depois, ao voltar para a casa, um comportamento parecido de consumo de música e mídias sociais.

No fim das contas, chegava em casa com cerca de 30% de carga, o que era mais do que suficiente para poder usar o smartphone como despertador para o dia seguinte.

Agora, o que é legal mesmo é o seu carregador super rápido de 45W, um dos mais rápidos disponíveis no Brasil. Com a carga zerada, ele foi de 0 a 42% em 17 minutos. Em uma outra ocasião, com o smartphone ligado, ele foi de 32% a 90% em 40 minutos. Depois dessa experiência, carregar o meu smartphone de uso pessoal passou a ser frustrante demais.

Porta USB-C do Motorola One Hyper
Detalhe da porta USB-C do Motorola One Hyper. Crédito: Guilherme Tagiaroli/Gizmodo Brasil

Câmeras

Apesar de não ser muito de selfie, não tem com falar do One Hyper sem citar sua esperta câmera pop-up. Como já disse, ela não faz nenhum barulho e parece ser bem sólida — durante as semanas de teste, não empacou nenhuma vez. Algo interessante em telefones com essa tecnologia é que eles contam com um sensor que recolhe a câmera rapidamente ao detectar que o dispositivo está caindo.

Câmera do Motorola One Hyper
Crédito: Guilherme Tagiaroli/Gizmodo Brasil

Fiz várias vezes alguns testes, como soltar o aparelho sobre um sofá de uma altura considerável, e ela sempre se escondia antes de se espatifar.

Sobre a qualidade da câmera de 32 MP, é aquela coisa: não faz milagre, né? Sobretudo, se a pessoa não colaborar muito. No meu caso, ela captou bem alguns detalhes do meu rosto, como os pelos faciais e até umas pintas que tenho próximo à região dos olhos. Pelo menos não me embranqueceu como alguns filtros de câmera fazem com quem tem pele escura.

Câmera selfie do Motorola One Hyper
Olar. Crédito: Guilherme Tagiaroli/Gizmodo Brasil

Na traseira, a situação é mais convencional. São dois sensores, sendo um de 64 MP quad pixel com abertura f/1.8 e um outro ultra-grande angular de 8 MP de 118° com abertura f/2.2.

A primeira coisa que você deve ter em mente em smartphones de múltiplas câmeras é que elas geralmente têm aberturas distintas. Então, tirar fotos nos dois possíveis modos mostra resultados diferentes. No caso, é óbvio, que o sensor principal é melhor e ele possibilita tirar fotos no modo noturno, por exemplo.

Em cenas com pouca luz, é gritante como o modo noturno ajuda a balancear o resultado. Tirei duas fotos em uma estação de trem à noite. Sem o modo noturno, tudo ficou muito estourado; com ele ligado, a imagem ficou bem boa. As luzes do local foram corrigidas de modo a não ficarem estouradas, e o céu ficou escuro mesmo — é muito comum em algumas fotos noturnas que ele fique em tons de roxo escuro.

Em cenas à noite em locais abertos, o One Hyper não foi tão bem. A imagem com o sensor principal fica com qualidade aceitável, mas com bastante granulação.

Durante o dia, não tem erro. Os dois sensores mandam bem e tiram foto com qualidade bem boa. Ainda que não tenha uma lente macro, o One Hyper também captou imagens interessantes chegando bem perto do objeto em questão.

Conclusão

O Motorola One Hyper chegou com preço sugerido de R$ 2.500, mas no varejo já é possível achá-lo com valores na casa dos R$ 1.700.

É um aparelho interessante para quem gosta de telão e de consumir conteúdo. Ele tenta trazer o melhor de dois mundos — um custo não muito alto com boas funcionalidades, da câmera pop-up ao carregador ultrarrápido.

Talvez o único impeditivo seja o chip presente no aparelho, que pode não agradar quem for usar o aparelho para atividades de bastante desempenho. No entanto, para a grande maioria das pessoas, é um dispositivo que deve suprir as necessidades facilmente.

Motorola One Hyper
Smartphone Motorola One Hyper Tela 6.5; 128GB 4GB RAM Câm 64MP + 8MP + Frontal PopUp 32MP
R$ 2.077,00
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