Enquanto esperamos a Motorola anunciar oficialmente o seu Razr reimaginado com tela dobrável, eu quero pegar um tempinho para lembrar de outro telefone de muito tempo atrás. É isso mesmo, eu estou falando sobre o Motorola Razr original, mais conhecido como V3 aqui no Brasil, o último telefone celular de flip a ficar famoso e fazer sucesso antes dos smartphones.

Este mês marca o 15º aniversário do do lançamento do V3. Nos anos seguintes, vimos telefones evoluírem de conchas de duas peças para elegantes lajotas de vidro. Mas, com a chegada iminente de aparelhos como o Galaxy Fold, parece que os celulares de flip estão para voltar à cena.

O V3 nunca teve a durabilidade lendária de um Nokia 3310. Mesmo assim, ele foi “o” celular anos antes do iPhone existir. Em meados dos anos 2000, parecia que todos tinham um. Se você não tinha, certamente conhecia alguém que tinha. Ele era fino, elegante e visionário, de maneiras que a própria Motorola talvez nem tenha percebido na época.

Embora telefones modernos como o Moto G7 sejam obviamente muito mais poderosos, quando comparados ao Razr, eles parecem meio chatos. Foto: Sam Rutherford/Gizmodo

Ele tinha duas telas: uma do lado de fora não muito maior do que um selo de carta (com uma resolução hilária de 96 x 80 pixels) para verificar notificações (que na época nem eram chamadas de notificações) e outra tela ligeiramente maior no interior para navegar na interface do telefone (com uma resolução maior, mas ainda cômica, de 176 x 220 pixels).

Havia também uma câmera frontal que poderia capturar selfies ou fotos tradicionais, dependendo de o telefone estar aberto ou não. Em comparação, a Apple levou três anos para colocar a primeira câmera frontal em um iPhone, algo que só aconteceu com o lançamento do iPhone 4 em 2010, quase seis anos após a estreia do Razr em 2004. Imagine como as coisas seriam diferentes hoje se a Motorola pudesse prever o boom das selfies e investisse mais recursos de pesquisa e desenvolvimento em suas primeiras câmeras de celular.

Meu carro deu perda total, mas o frágil Razr V3 de alguma forma sobreviveu ao acidente. Foto: Sam Rutherford/Gizmodo

Enquanto isso, as teclas iluminadas do Razr V3 pareciam coisa de filme de ficção científica. Os números não eram divididos em teclas individuais, mas, em vez disso, tinham uma queda radical para separar várias funções. E a luz de fundo azul (ou branca, dependendo do modelo) me fazia sentir como se eu tivesse um aparelho do Blade Runner em minhas mãos.

Ele também quebrou a monotonia das cores básicas de aparelhos, já que estava disponível em um arco-íris de tons, incluindo vermelho, roxo, azul e, claro, um tom inesquecível de rosa metálico.

Embora os menus do telefone e a resolução da tela pareçam arcaicos pelos padrões modernos, ele é totalmente utilizável e fácil de navegar, mesmo em mãos desconhecidas. E, apesar de ter menos de 12 milímetros de espessura em seu ponto mais fino, o V3 ainda conseguiu trazer uma bateria removível. É pouca sofisticação ou não é?

Olha, uma bateria removível. Que coisa. Foto: Sam Rutherford/Gizmodo

No entanto, uma coisa que o V3 não tinha era durabilidade. Pessoalmente, eu tive três deles entre 2005 e 2008, quando finalmente peguei um iPhone 3G. O primeiro morreu depois de eu cair de uma canoa. O segundo teve seu fim quando eu intencionalmente fui dar um mergulho antes de remover o telefone no meu bolso. (Me perdoe, foi no meio do ano, e aparentemente colocar bolsos cargo nos shorts era moda.) Mas o terceiro está comigo até hoje. Depois de tirá-lo da gaveta e colocá-lo na tomada, ele ligou imediatamente.

Mas, além de ser facilmente danificado pela água, o V3 era um gadget frágil. Parece que só de olhar torto a bateria saía, e eu nem consigo lembrar o número de aparelhos que vi com a tela frontal rachada. Mas esse era o preço que as pessoas de bom grado pagavam por um aparelho tão leve e elegante que praticamente desaparecia sempre que era colocado no bolso ou na bolsa.

Foto: Sam Rutherford/Gizmodo

Eu tenho um monte de memórias armazenadas neste telefone: fotos do meu cachorro de infância, mensagens que eu não quero nem ver (incluindo alguns que permanecerão para sempre como não lidos) e até mesmo uma versão demo do Tetris, que eu nunca destravei porque ainda não sei como fazer para pagar pela versão completa.

E, embora o V3 fosse incrivelmente frágil como um todo, de alguma forma meu celular sobreviveu ao ser arremessado a 9 metros de distância em uma rodovia depois que eu capotei meu Ford Explorer durante uma tempestade torrencial no meio do nada no interior da Pensilvânia. Ele ainda tem as fotos para provar isso.

Olhando em retrospecto, não é de se admirar que a Motorola tenha vendido mais de 130 milhões de V3 em apenas cinco anos. O telefone foi um fenômeno. Ele pegou o design do StarTAC e o atualizou de uma maneira que deixou todo mundo doido há 15 anos. Com os rumores de que a Motorola está trabalhando em uma nova versão do aparelho para 2019, com uma tela dobrável, há a chance de que eles possam recriar essa mágica novamente.

Foto: Sam Rutherford/Gizmodo

Olha, eu ainda sou um pouco cético de que as pessoas vão gastar mais de US$ 1000 em um V3 renovado em 2019, mesmo que ele venha com uma tela fantástica como extra. Mas, se tem um celular que merece uma segunda (terceira?) chance na vida, ele é o V3.