A NASA revelou novos detalhes da Artemis, missão dos EUA para pousar novamente na Lua, incluindo um orçamento detalhado, cronogramas do projeto e um plano ambicioso para construir uma base permanente no pólo sul lunar.

Para os Estados Unidos retornarem à Lua em 2024, isso vai custar aos contribuintes americanos US$ 28 bilhões, dos quais US$ 16 bilhões irão para o programa Sistema de Aterrissagem Humana. A agência espacial divulgou estes e outros detalhes sobre o programa Artemis em um relatório de 74 páginas.

Desse total, US$ 7,6 bilhões seriam alocados para a espaçonave Orion e o próximo Sistema de Lançamento Espacial, US$ 1 bilhão para o desenvolvimento de “tecnologias de exploração” e US$ 518 milhões para desenvolver e fabricar trajes lunares para os astronautas. O preço de US$ 28 bilhões se aplica aos anos orçamentários de 2021 a 2025.

O financiamento do Sistema de Pouso Humano é o “mais ameaçado”, relata o SpaceNews, depois que o Congresso dos EUA “aprovou um projeto de lei em julho que forneceu ao programa um pouco mais de US$ 600 milhões para o ano fiscal de 2021, uma fração do pedido da agência de mais de US$ 3,2 bilhões. Falando a repórteres nesta segunda-feira (21), o administrador da NASA, Jim Bridenstine, disse que espera ver esse dinheiro até o Natal, o que significaria que a agência espacial “ainda está no caminho para um pouso na Lua em 2024”, relata a AFP.

Imagem conceitual da sonda da Blue Origin. Crédito: Blue OriginImagem conceitual da sonda da Blue Origin. Crédito: Blue Origin

Não é certo que a Câmara aprovará esta parcela do dinheiro solicitado, especialmente devido à pandemia global em curso e às eleições que se aproximam. O fato de que o presidente Donald Trump acelerou o pouso da missão Artemis na Lua de 2028 para 2024 também não ajudará a causa, pois o tempo acelerado resultou em um aumento significativo dos custos no curto prazo.

Existem atualmente três equipes trabalhando em conceitos do Sistema de Aterrissagem Humana, nenhuma foi oficialmente aprovada pela NASA para uso durante os pousos lunares. O esforço da Blue Origin, que inclui contribuições da Lockheed Martin, Northrop Grumman e Draper, parece ser pioneiro, tendo entregue uma réplica da aterrissagem em escala real para a NASA em agosto passado. Dynetics e SpaceX são as outras duas empresas privadas que atualmente desenvolvem um módulo lunar.

Detalhes sobre missões Artemis

Questões orçamentárias à parte, o novo relatório também contém detalhes tentadores sobre as próximas missões Artemis.

A NASA disse que quer pousar perto do pólo sul lunar, desfazendo relatos recentes de que a agência espacial estava planejando pousar perto dos locais das antigas missões Apollo. Uma vez nas regiões polares do sul, os astronautas da Artemis tentariam coletar gelo de água, o que as tripulações da Apollo não conseguiam fazer em seus locais de pouso.

A missão sem tripulação Artemis I envolveria o lançamento inaugural do Sistema de Lançamento Espacial da NASA, que deve acontecer em novembro de 2021. A espaçonave Orion, projetada para levar astronautas à órbita lunar, deve receber o ok até lá.

A Artemis II seria lançada em algum momento em 2023 e levaria astronautas à órbita lunar, no que seria uma reprise das missões de “ensaio geral” das missões Apollo 8 e 10. Esta missão deve dar à tripulação a oportunidade de pilotar manualmente a Orion, em uma demonstração para avaliar as “qualidades de manuseio e hardware e software relacionados” da espaçonave que “não podem ser facilmente obtidos no solo em preparação para o encontro, operações de proximidade e acoplamento, bem como operações de desencaixe em órbita lunar começando na Artemis III”, de acordo com a NASA.

Durante a missão Artemis III, prevista para 2024, a NASA levaria dois astronautas — um homem e uma mulher — para a superfície lunar, que não vê uma pegada humana desde 1972.

A dupla ficaria na superfície por cerca de sete dias, durante os quais coletariam amostras e realizariam experimentos científicos, entre outras tarefas. Esses exploradores lunares usarão novos trajes espaciais sofisticados, chamados de unidades de mobilidade extraveicular de exploração, ou XEMUs, projetados para serem mais flexíveis e permitir mais mobilidade do que as versões usadas nas missões Apollo.

Concepção artística do portal lunar. Crédito: NASAAConcepção artística do portal lunar. Crédito: NASA

Um plano para construir o posto avançado do portal lunar também foi incluído no novo relatório da NASA, mas pode não estar pronto a tempo para a Artemis III. Dito isso, a agência espacial gostaria muito de usar o portal para missões subsequentes, oferecendo um lugar para os astronautas pegarem suprimentos antes de embarcar no módulo de pouso.

O posto avançado em órbita, além de implantar o módulo lunar, “apoiará expedições mais longas na Lua e, potencialmente, várias viagens à superfície durante uma única missão Artemis”, de acordo com o relatório. O Elemento de Energia e Propulsão (PPE) e o Posto Avançado de Habitação e Logística (HALO) do portal estão programados para serem lançados junto em um único foguete em 2023, no que será o primeiro passo importante na construção dessa estação espacial lunar.

Depois que Artemis III estiver pronta e o portal for construído, a NASA trabalhará para garantir a sustentabilidade na superfície lunar, o que aconteceria até o fim de década de 2020.

Esta fase da Artemis realmente parece futurística, com planos para o “desenvolvimento incremental de infraestrutura na superfície”, disse a NASA. Para esse fim, a agência espacial planeja implantar rovers robóticos, uma instalação móvel com uma cabine pressurizada para a tripulação, um módulo de habitação, sistemas de energia e vários sistemas de utilização de recursos no local (as tripulações tentarão, por exemplo, converter a água do gelo em oxigênio e combustível). É importante ressaltar que essas missões serviriam como prelúdio para uma missão tripulada a Marte, que poderia acontecer em 2030.

Tudo isso está sujeito a mudanças, é claro. A NASA precisa de US$ 28 bilhões para realizar isso, e não há garantia de que receberá essa tremenda soma. A pandemia e os problemas associados podem ter um impacto sério no projeto e nos cronogramas propostos.