Não se compra um computador de cem milhões de dólares sem um plano de reparos, mas é exatamente isso que a NASA faz quando manda seus satélites caríssimos para o espaço. Para garantir que os valiosos equipamentos não se tornem o lixo mais caro do sistema solar, a agência espacial está construindo um robô capaz de consertar e reabastecer satélites em órbita.

• Cientistas da NASA conseguiram fazer um motor funcionar sem usar combustível
• O ‘robô operário’ da NASA pode ser a solução para mineração em outros planetas

A NASA anunciou que irá fechar um contrato de US$ 127 milhões com a empresa Space Systems/Loral (SSL) da Califórnia pela Restore-L, uma nave robótica capaz de consertar, reabastecer e realocar satélites na órbita baixa da Terra, além de conseguir testar tecnologias para missões futuras. A SSL terá três anos para construir o robô, que deve ser lançado em 2020.

Sem a possibilidade de reabastecer, a vida útil de um satélite é restrita à quantidade de
propulsores que os engenheiros conseguem colocar no tanque no lançamento. Essa vida útil pode ser ainda menor se a nave tiver qualquer problema elétrico ou mecânico durante suas órbitas. Enquanto mais e mais satélites começam a chegar ao final da sua capacidade de operação, as agências governamentais e empresas privadas vêm trabalhando em ações para remediar esse problema ao desenvolver robôs capazes de dar aos satélites um upgrade em gravidade zero.

servicing-armUma unidade do Robotic Servicing Arm da NASA, que será usado no Restore-L. Imagem: NASA/Chris Gunn

A DARPA (Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa, dos EUA), por exemplo, lançou recentemente um programa destinado a projetar robôs capazes de fazer a manutenção de satélites em órbitas geossíncronas que são de difícil alcance, a 35.000 quilômetros de distância da Terra. A Divisão de Manutenção de Satélites da NASA, por sua vez, está trabalhando em uma porção de demonstrações de tecnologias de reparo e reabastecimento em órbita, incluindo um braço robótico com o mesmo alcance de movimento do braço humano; um sistema de navegação projetado para ajudar os robôs se encontrarem com objetos em movimento no espaço; e o Restore-L, que combinam essas e outras capacidades numa máquina com diversos propósitos.

Por enquanto, o objetivo principal do Restore-L é reabastecer o Landsat 7, um importante satélite de monitoramento da Terra operado pela NASA e pela US Geological Survey. Se for bem sucedido, o projeto pode ser modificado para todos os outros tipos de tarefas úteis, desde recolher o lixo que não para de crescer na órbita do nosso planeta, até prestar serviços para grandes missões como a Asteroid Redirect Mission, que irá pegar uma rocha que pesa toneladas da superfície de um asteróide e rebocá-la de volta à órbita em torno da Lua.

[NASA via Motherboard]

Imagem do topo: conceito artístico do Restore-L. Créditos: NASA.