O cruzeiro Westerdam poderá atracar no Camboja, de acordo com uma nova declaração da Holland America Line. O navio já havia sido impedido de entrar em cinco países devido a preocupações de que os passageiros pudessem ter sido infectados com o novo coronavírus que matou 1.116 pessoas e adoeceu mais de 45.000 em todo o mundo.

“Westerdam agora está navegando para Sihanoukville, no Camboja, onde o cruzeiro atual terminará. Chegamos às 7:00, horário local, na quinta-feira, 13 de fevereiro, e permaneceremos no porto por vários dias para desembarque”, disse a Holland America Line ao Gizmodo por e-mail.

“Os hóspedes poderão desembarcar em terra. Todas as aprovações foram recebidas e somos extremamente gratos às autoridades cambojanas por seu apoio”, continuou a declaração.

O navio, que tem 1.455 passageiros e 802 membros da tripulação, foi impedido de entrar em Taiwan, Japão, Hong Kong e território norte-americano de Guam antes de tentar atracar na Tailândia na segunda-feira. Mas o governo tailandês anunciou na terça-feira que não permitiria que Westerdam atracasse em Bangkok, apesar de ninguém a bordo ter um caso confirmado do vírus.

“Todos os hóspedes a bordo são saudáveis ​​e, apesar dos relatos errôneos, não há casos conhecidos ou suspeitos de coronavírus a bordo, nem nunca houve”, disse ao Gizmodo a Holland America Line, de propriedade da Carinval Corp, com sede em Miami.

O navio Westerdam, como pode ser visto em uma imagem divulgada pela Holland America Line. Imagem: Holland America Line

Por que as pessoas estão surtando com esse cruzeiro em particular? Um passageiro que desembarcou de Westerdam em sua parada em Hong Kong mais tarde deu positivo para o coronavírus.

Agora, os passageiros de Westerdam desembarcarão em Sihanoukville, no Camboja, e farão voos fretados para a capital Phnom Penh nos próximos dias, segundo a Holland America Line. A empresa pagará todos os voos para casa, o que era uma preocupação para os passageiros que continuavam tendo que reagendar voos de diferentes lugares onde o navio estava inicialmente programado para atracar.

Ontem, a Organização Mundial de Saúde (OMS) deu um nome à doença que esse novo coronavírus causa, apelidando-o de COVID-19, mas o vírus em si ainda não tem um nome permanente além da designação original, 2019-nCoV.

O destino final original para o cruzeiro de 14 dias de Westerdam era Yokohama, no Japão, uma cidade que atualmente está enfrentando sua própria crise de coronavírus. A Diamond Princess foi colocada em quarentena na chegada ao Japão e os passageiros não foram autorizados a sair.

Hoje, pelo menos 39 pessoas testaram positivo para o coronavírus no Diamond Princess, junto com um oficial de quarentena, elevando o número total de passageiros infectados daquele navio para 174, sem incluir o oficial de quarentena. Segundo informações do jornal Japan Times, quatro pessoas estão em estado grave, embora todos que testam positivo para a doença sejam removidos do navio e levados para hospitais.

O navio Diamond Princess navega em direção ao cais de Daikoku, onde está sendo reabastecido e os novos casos de coronavírus diagnosticados são levados para tratamento, pois permanece em quarentena depois que várias das 3.700 pessoas a bordo foram diagnosticadas com coronavírus, em 12 de fevereiro de 2020 em Yokohama, Japão. Foto: Getty Images

Especialistas alertam que é altamente incomum que as autoridades de saúde exijam que as pessoas fiquem em quarentena no cruzeiro, principalmente porque muitos dos passageiros são idosos.

“Isso é quase como um paraíso para o vírus. Não faz sentido e é quase cruel”, disse recentemente Amesh Adalja, do Centro de Segurança da Saúde Johns Hopkins, ao Washington Post.

Mas o ministério da saúde do Japão não alterou sua decisão. A única maneira de sair desse barco é ficar doente. Pelo menos até o período de quarentena, originalmente agendado para 14 dias, terminar.