O Spotify confirmou nesta quarta-feira (26) que começou a remover as músicas de Neil Young de seu catálogo. O cantor tinha exigido que a plataforma retirasse do ar um episódio de um podcast do ator e comentarista de UFC Joe Rogan, que ele acusa de espalhar desinformação sobre a Covid-19.

A decisão foi tomada para acatar uma exigência do próprio músico, que ameaçou pedir a retirada de sua propriedade artística da plataforma de streaming, caso não excluísse de seu catálogo de podcasts o programa anti-vacina comandado pelo conservador Rogan.

O veterano roqueiro Neil Young, 76 anos, responsável por hits como “Rockin’ in the Free World” e “Harvest Moon”, fez um pedido público por meio de uma carta aberta, posteriormente apagada, publicada em um de seus perfis oficiais.

O cantor acusou a plataforma de streaming de “propagar informações falsas sobre vacinas, potencialmente causando a morte daqueles que acreditam”, ao disponibilizar os podcasts com informações falsas para milhões de ouvintes.

Na quarta-feira (26), ele postou uma segunda mensagem em seu site, agradecendo à gravadora Reprise Records, da Warner, por seu apoio “em nome da verdade”. No texto, afirma que a plataforma “se tornou o lar de desinformação que coloca vidas em risco” e que tem “mentiras vendidas por dinheiro”.

O Spotify concentra 60% das reproduções da sua música no streaming – mesmo assim, ele continuou com o pedido. Com isso, o cantor fez um ultimato, dizendo que a plataforma poderia ter apenas um dos dois em seu catálogo. 

Segundo apurou o The Hollywood Reporter, a plataforma de streaming acatou o pedido do músico, e já iniciou o processo de retirada de todas as canções de seu serviço. A estimativa, agora, é que as citações sejam retiradas da plataforma em algumas horas.

Além disso, o Spotify se defendeu das acusações em declaração nesta quarta.

“Nós queremos que toda a música do mundo e todo o conteúdo em áudio esteja disponível para os usuários do Spotify. Com isso, vem grande responsabilidade ao balancear a segurança de nossos ouvintes e a liberdade de nossos criadores. Nós temos políticas de conteúdo detalhadas em posição e removemos mais de 20 mil episódios de podcasts relacionados à covid-19 desde o início da pandemia. Nós lamentamos a decisão de Neil em remover sua música da plataforma, mas esperamos que ele retorne logo”, afirmou um porta-voz da plataforma de streaming ao THR.

Rogan, que apresenta o podcast exclusivo do Spotify “The Joe Rogan Experience”, enfrentou críticas por repetidamente compartilhar informações falsas ou conflitantes sobre vacinas de Covid-19 em seu programa.

Em dezembro, um grupo de 270 médicos e outros profissionais de saúde escreveram uma carta para o Spotify buscando “mitigar a disseminação de desinformação na plataforma”. Isso aconteceu pouco depois de Rogan receber o Dr. Robert Malone, um cético anti-vacina que promove teorias sem base científica contra a vacinação preventiva da covid-19, em seu podcast.

A decisão da plataforma de manter Rogan e abrir a mão de Young não é uma surpresa. Lançado em 2009, o podcast de Rogan é um dos mais populares do mundo e em 2020 o Spotify pagou, segundo o Wall Street Journal, 100 milhões de dólares pela exclusividade.

O streaming, inclusive, já defendeu Rogan no passado, depois de um episódio que contornou com o teórico da conspiração Alex Jones. 

Até o momento da publicação desta matéria, ainda é viável ouvir músicas do artista, porém a lista da discografia foi enxugada para apenas dois títulos. O último lançamento “Barn” , por exemplo, já está completamente inacessível. É provável que todos os trabalhos sejam removidos nas próximas horas.

O site Neil Young Archives disponibiliza a discografia completa do roqueiro.