Aqueles com um vazio no coração no formato de “Plutão-como-um-planeta” têm acompanhado ansiosamente as novidades sobre o Planeta 9, um mundo hipotético, cuja massa se imagina ser dez vezes maior que a da Terra, localizado a 1.000 unidades astronômicas de distância do Sol. Enquanto muita gente se opõe à ideia, uma nova pesquisa valida aqueles que acreditam — e traz novidades inesperadas sobre os primeiros anos difíceis do planeta.

• A inclinação estranha do nosso Sol pode significar que o Planeta 9 realmente existe
• As teorias sobre o hipotético Planeta 9 estão cada vez mais estranhas

O Space.com noticiou que, após meses de pesquisa, James Vesper, um estudante de graduação da New Mexico State University (NMSU), anunciou na 229ª reunião da American Astronomical Society (AAS) que é “muito plausível” que o Planeta 9 tenha sido um “planeta interestelar” — um objeto de massa planetária que vagueia pela galáxia sem ligação a uma estrela. Se Vesper estiver certo, isso significaria que nosso Sol agarrou subitamente o planeta desavisado como um PapaBurger cósmico roubando um lanche.

Vesper e seu orientador, o professor Paul Mason, da NMSU, chegaram a essa conclusão após executarem 156 simulações de possíveis encontros entre o Sol e diversos planetas interestelares. Vesper contou que, em cerca de 60% dos encontros, o planeta entrava no Sistema Solar e eventualmente acabava expelido. Mas, em 40% das simulações, era capturado pelo Sistema Solar e permanecia ali — às vezes arrancando outro planeta da órbita durante o processo. Isso não é uma explicação definitiva sobre as origens do Planeta 9, ou mesmo uma confirmação de sua existência, mas certamente é factível.

O fato de que planetas interestelares sejam abundantes — possivelmente mais do que o número de planetas com sóis — também reforça o argumento de Vesper e Mason.

A esta altura, o Planeta 9, interestelar ou não, ainda é uma pilha de hipóteses. Mas Konstantin Batygin, professor-assistente de ciências planetárias na Caltech, acredita que as descobertas de Vesper podem ser legítimas. “Certamente é plausível de que o Planeta 9 seja um objeto capturado”, contou ao Gizmodo Batygin, que foi pioneiro em pesquisas sobre o mundo hipotético. “Sem saber a órbita exata, é difícil confirmar decisivamente ou refutar a captura como a origem do Planeta 9. Mas certamente é possível.”

Independentemente de suas origens, Batygin disse que devemos continuar curiosos sobre esse mundo esquisito. “Estou certo de que o Planeta 9 existe”, afirmou. “O número de enigmas aparentemente sem relação entre si dentro do Sistema Solar que são resolvidos com a existência do Planeta 9 é simplesmente muito grande para que tudo seja uma coincidência.”

[Space.com]

Imagem do topo: Caltech/R. Hurt