O governo da Nova Zelândia suspendeu a maioria das medidas rigorosas de lockdown do país nesta quinta-feira (14), depois de quase dois meses. O que os neozeolandeses fizeram? Eles foram às lojas, fizeram tatuagens, se encontraram com amigos (em grupos de no máximo dez pessoas) e cortaram o cabelo. Foram muitos cortes de cabelo.

Restaurantes, cinemas, shoppings, lojas, salões de beleza, playgrounds e academias de ginástica abriram hoje, embora o governo da Nova Zelândia tenha incentivado as pessoas a seguirem as diretrizes de distanciamento social. E foi claramente um alívio para as pessoas na Nova Zelândia, onde o Sol já se pôs nesta quinta-feira (14).

A Nova Zelândia se tornou motivo de inveja no mundo durante a pandemia global do coronavírus, mantendo com sucesso a saúde da sua população de 5 milhões de pessoas por meio de boas medidas do governo e um planejamento competente.

O país teve apenas 1.497 infecções e 21 mortes por coronavírus — mérito da primeira-ministra Jacinda Ardern e sua decisão de bloquear o país inteiro quando ainda não havia nenhuma morte e implementar efetivamente o rastreamento de contatos para encontrar e isolar portadores de COVID-19.

Para se manter em segurança, a Nova Zelândia provavelmente precisará manter suas fronteiras fechadas por algum tempo, pelo menos para impedir a entrada de cidadãos dos países mais atingidos, como os EUA, Brasil, Rússia e Reino Unido — nações com governos extremamente incompetentes.

Como Daily Beast explicou no início desta semana, os americanos (e muito provavelmente os brasileiros) não serão bem-vindos em muitos países em breve, pois a doença ainda está longe de ser controlada. Mas é encorajador saber que pelo menos algumas pessoas conseguiram voltar ao normal.

Hoje havia longas filas para cortes de cabelo na Nova Zelândia. Algumas pessoas até telefonaram para os barbeiros para cortar o cabelo à meia-noite, de acordo com o site australiano Nine News, que foi a hora em o bloqueio foi oficialmente suspenso.

O governo da primeira-ministra Jacinda Ardern também entregou hoje um orçamento de cerca de US$ 30 bilhões ao Parlamento, que incluiu o maior pacote de gastos da história do país. Escapar de um número alto de mortes não significa que o país não sofrerá economicamente como todos os outros países do mundo.

“Nada neste momento da nossa história é habitual e, portanto, nossa resposta também não deve ser assim”, disse Ardern, na foto abaixo, ao Parlamento da Nova Zelândia hoje, defendendo uma enorme injeção de dinheiro no país.

No destaque, a primeira-ministra primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern. Crédito: Getty ImagesNo destaque, Jacinda Ardern, a primeira-ministra da Nova Zelândia. Crédito: Getty Images

Nunca pensei que ficaria com inveja de pessoas em uma fila, mas aqui estamos nós. E, olha, estou mesmo com inveja disso. Ainda mais por serem pessoas com risco muito baixo de serem infectadas por uma doença mortal que está devastando o mundo.

Existem muitos lugares nos EUA que se parecem com a Nova Zelândia agora. O estado da Geórgia, por exemplo, reabriu estabelecimentos, apesar da alta taxa de infecção. O estado cerca de 10 milhões de pessoas, o dobro da população da Nova Zelândia, mas 23 vezes mais infecções e 72 vezes mais mortes. Na manhã de quinta-feira, a Geórgia tinha, no total, 35.427 casos e 1.517 mortes — bem mais do que os 1.497 casos e 21 mortes na Nova Zelândia.

Essas fotos da Nova Zelândia podem ser hoje a Geórgia. Mas há uma grande diferença. E ela é invisível até começar a atacar as pessoas. Um vírus microscópico é capaz de se transformar em montanhas de sacos com corpos muito rapidamente.

Aposto que a Nova Zelândia está feliz por não ter se tornado parte dos Estados Unidos no século 19, algo que foi discutido quando o comércio entre os dois países se fortalecia. A Nova Zelândia, sem dúvida, lutará para se recuperar, já que parte de sua economia depende do turismo internacional, mas o governo está trabalhando para salvar o maior número de empregos possível. E os cidadãos da Nova Zelândia devem ser elogiados por respeitarem dois meses difíceis de bloqueio severo, para que possam colher os frutos agora.