Em um anúncio divulgado nesta quinta-feira (26) o Facebook afirma que vai cumprir com 11 das recomendações impostas pelo seu Comitê de Supervisão, uma espécie de “tribunal superior” da rede social criada por Mark Zuckerberg, com o objetivo de melhorar sua moderação de conteúdo.

Neste documento, a empresa detalha como vai desenvolver estas novas diretrizes, que começaram em janeiro deste ano, junto da redução de conteúdos políticos na plataforma. Ao todo, foram feitas 17 recomendações. Além das 11 com as quais o Facebook se comprometeu a agir, a rede avalia a viabilidade de outras cinco medidas. Na recomendação restante, a empresa julga que não há nenhuma ação necessária.

Uma das áreas que o Facebook diz discordar do conselho, pois acredita não precisar de novas alterações, está ligada a transparência de suas informações relacionadas à Covid-19 e às vacinas (mais especificamente ao combate a desinformação), com exemplificações dos conteúdos que serão barrados e daquilo que será permitido ser visto e compartilhado.

Inclusive, houve um embate entre a companhia e o Comitê na situação em que um usuário fez uma crítica ao governo francês, que não autorizou o uso conjunto dos medicamentos hidroxicloroquina e azitromicina como forma de tratamento contra o coronavírus. A plataforma retirou o conteúdo, uma vez que violava sua política de “violência e incitação“. Mas, após uma decisão do conselho, a publicação foi restaurada, pois na visão deles, o usuário não incentivava as pessoas a comprar ou tomar o medicamento sem receita.

Em nota publicada como resposta a sua decisão de retirar a postagem de veiculação, o Facebook diz que “embora estejamos comprometidos em preservar a capacidade das pessoas de discutir e compartilhar informações sobre a pandemia e debater a eficácia de possíveis tratamentos e estratégias de mitigação, também queremos limitar a disseminação de informações falsas que podem causar danos.”

Por isso, a partir deste artigo reformulado, será possível ter um maior entendimento sobre o que a comunidade poderá cobrar ou ser cobrada. Além disso, também haverá uma maior preocupação com o uso de termos-chave, o que poderá contribuir com uma maior supervisão e controle do que eles chamam de “Pessoas e Organizações Perigosas“, que podem apresentar pessoas ou organizações associadas a grupos terroristas, discursos de ódio, violência organizada, entre outros.

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Já no pacote de atualizações de suas políticas, encontram-se os casos relacionados a nudez, que só será permitida quando vinculada à saúde. Este é um tópico bastante discutido internamente, por consequência da censura a uma publicação sobre câncer de mama, por apresentar os seios de várias modelos. Mesmo após a restauração da postagem, a discussão sobre a forma com que a rede social filtra e analisa os conteúdos sensíveis se tornou mais densa.

Assim, o Facebook também afirma estar trabalhando no aprimorando de suas ferramentas de automação, para “refinar nossos modelos de aprendizado de máquina para que eles detectem melhor os tipos de nudez que permitimos”. Realmente vai ser bem importante tais mudanças, já que existe uma enorme diferença entre remover uma postagem de incentivo a um pré-diagnóstico de suma importância para as mulheres e não coibir aquelas onde existe uma clara ilegalidade, como pornografia infantil.

O Comitê de Supervisão foi criado no ano passado, com a finalidade de auxiliar no julgamento de casos específicos e complexos, em que precisa existir uma investigação mais aprofundada. Em maio de 2020, após a conclusão de um processo de busca em todo o mundo, o Comitê anunciou os primeiros 20 membros. De acordo com o regulamento interno, as decisões do Comitê serão emitidas e implementadas em até 90 dias após a decisão final do Facebook sobre um caso.