Indiscutivelmente, o desenvolvimento recente mais empolgante na astronomia foi o anúncio de 2016 da descoberta de ondas gravitacionais, ondas que literalmente agitam a forma do espaço em si, criadas por eventos violentos como a colisão de buracos negros. Mas todas as descobertas de ondas gravitacionais até agora haviam sido feitas com apenas dois detectores, ou seja, os cientistas só sabiam o que causava as ondas, mas não exatamente de onde no céu elas vinham.

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Como você deve ter lido por aí, um outro detector de onda gravitacional chamado Virgo juntou dois experimentos LIGO operacionais para medir melhor as ondas. Nesta quarta-feira (27), cientistas de ambas as colaborações anunciam o primeiro evento de onda gravitacional incluindo observações tanto do LIGO quanto do Virgo, em entrevista coletiva em Turim, na Itália. Isso não se trata dos rumores de um “novo tipo de onda gravitacional” que você pode ter visto, mas é definitivamente um marco importante na astronomia de ondas gravitacionais.

“Ficamos tão felizes, tenho que te dizer. Celebramos”, contou a física Gabriela González, da Universidade do Estado da Louisiana (e ex-porta-voz de colaborações científicas do LIGO), em entrevista ao Gizmodo. “O Virgo se juntou a essa corrida em primeiro de agosto… mas não achávamos que veríamos algo nesse período.” Então, em 14 de agosto, vieram as ondas.

A adição do Virgo é bastante importante, principalmente para que os cientistas possam apontar seus telescópios para a fonte de ondas gravitacionais assim que elas aparecerem. “A principal vantagem de saber a direção é que você pode pegar um telescópio e levá-lo àquela direção, vendo se mais alguma coisa está vindo da fonte”, disse Imre Bartos, professor assistente na Universidade da Flórida. Algumas potenciais fontes de produção de ondas gravitacionais, como estrelas de nêutrons colidindo, vêm com uma contrapartida de onda de luz, observável por telescópios.

As mais recentes ondas gravitacionais vieram de dois buracos negros, um com 31 vezes e o outro com 25 vezes a massa do Sol, colidindo para formar um buraco negro com 53 vezes a massa do Sol, de acordo com o comunicado de imprensa do LIGO. Isso significa uma quantidade de massa três vezes a que o nosso Sol transformou em energia abastecendo as ondas.

Detectores de ondas gravitacionais são enormes tubos de vários quilômetros de distância no formato de um L, com divisão de luz laser, enviados para ambas as pontas e então juntados em um detector. Quando as ondas gravitacionais passam, os raios laser se movem dentro e fora de fase um com o outro em pequena quantidade, criando uma forma de onda que pode ser analisada para se entender as propriedades dos buracos negros e das ondas.

Originalmente, só havia dois detectores sensíveis aos tipos de ondas gravitacionais que atingem a Terra, um Laser Interferometric Gravitational Wave Observatory (LIGO), em Washington, e um na Louisiana. Ter apenas dois detectores significava que havia muitas incertezas sobre de onde uma onda veio — a fonte poderia ter vindo de basicamente qualquer lugar dento de um formato de banana que compunha cerca de um quadragésimo da área coberta pelo céu, disse Imre Bartos ao Gizmodo. Imagine tentar ouvir um som com seus olhos fechados. Você pode meio que adivinhar, mas não exatamente apontar de onde o som veio. O acréscimo do novo observatório na Itália, o Virgo, foi como acrescentar um terceiro ouvido ou abrir um olho. O Virgo diminuiu o tamanho da incerteza em dez vezes, pegando apenas os dados do LIGO, de acordo com o comunicado de imprensa.

O Virgo não é tão sensível quanto o LIGO, aponta Bartos, “mas foi suficiente para contribuir com potenciais detecções”.

Os cientistas do LIGO e do Virgo fizeram seu anúncio em frente aos ministros da Ciência do G7, para exibir seu esforço de colaboração internacional.

“Queremos mostrar o quão importante é a colaboração internacional”, disse González ao Gizmodo. Ela afirmou que a descoberta mostra “o quanto mais pode ser feito se tivermos uma rede de detectores”.

Imagem do topo: The Virgo Collaboration