A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) homologou o uso no Brasil do “Starlink Router”, um roteador de nova geração desenvolvido pela empresa de internet via satélite de Elon Musk.

Porém, uma curiosidade no manual do roteador, que estava anexado ao processo da Anatel, chamou a atenção. A Starlink ressalta que não oferece garantia contra potenciais danos provocados ao equipamento por forças da natureza, como quedas de meteoros, tempestades solares — ou mesmo “dinossauros”. Veja no print abaixo:

A autorização da Anatel foi emitida no último dia 11 de maio, e revelada pelo site Tecnoblog. Durante esse processo de homologação, a agência realiza testes e ensaios para garantir, por exemplo, que o dispositivo — do modelo UTR-211 — respeite normas técnicas, não emita campos eletromagnéticos acima dos limites recomendados, além de não interferir em outras radiofrequências utilizadas no Brasil.

Vale lembrar que desde 28 janeiro deste ano, a empresa do bilionário Elon Musk está autorizada a prestar o serviço de banda larga via satélite em todo o país. Já a antena e o roteador de primeira geração — modelos UTA-211 e UTR-201, respectivamente — já estavam homologados no Brasil desde o final do ano passado.

Roteador de nova geração homologado pela Anatel
Imagens do novo roteador da Starlink homologado pela Anatel.

Na prática, o assinante do serviço pode optar por usar o roteador da marca que desejar para acessar a internet via satélite da empresa de Musk. Porém, ao usar roteadores de terceiros, o usuário perderá acesso ao aplicativo “Starlink”, assim como os recursos que o acompanham.

Segundo o documento da agência regulatória, o novo roteador oferece suporte ao Wi-Fi 802.11 b/g/n/ac, trabalhando com frequências de 2,4 GHz e 5 GHz. O dispositivo não será fabricado no Brasil, sendo importado diretamente de Taiwan.

Em comparação ao primeiro modelo, o novo roteador perdeu a porta Ethernet adicional e mudou o esquema MU-MIMO 2×2 para o padrão MU-MIMO 3×3, para reduzir o congestionamento de dispositivos. 

Por enquanto, a Anatel ainda não homologou a antena de nova geração da Starlink, a UTA-212, que tem um formato retangular e um tamanho menor do que a atual, que já está em uso no país.

Starlink no Brasil

Como a constelação de satélites da Starlink não está completa, o serviço ainda não está disponível em todo o Brasil.

De acordo com o mapa de disponibilidade, a Starlink oferece cobertura em boa parte dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina, e em algumas cidades localizadas no sul de Minas Gerais e no norte do Rio Grande do Sul. O restante dos municípios da região Sul e Sudeste estão na fase de “lista de espera”, cadastrando clientes interessados. O restante do país deve receber o serviço “em breve”.

Em São Paulo, por exemplo, o kit de instalação — com antena, roteador, cabos e fonte — sai por R$ 3 mil e o serviço de internet via satélite tem mensalidade a partir de R$ 530. Esses valores não incluem o frete e os impostos.

A empresa garante disponibilidade do serviço em 99% do tempo, com downloads entre 50 e 250 Mbps, upload entre 10 e 20 Mbps e latência de 20 a 40 ms. Não há um limite de uso de dados. Também existe a oferta do serviço para clientes corporativos, em que a velocidade de download pode alcançar 500 Mbps de download e 40 Mbps de upload.

Mapa mostra a disponibilidade do serviço da Starlink no Brasil.
Mapa mostra a disponibilidade do serviço da Starlink no Brasil.