Em meio a série de reportagens “The Facebook Files” do Wall Street Journal baseada em documentos sigilosos vazados pela ex-gerente de integridade cívica do Facebook, Frances Haugen, outra ex-funcionária da gigante da tecnologia volta aos holofotes ao prestar depoimento ao parlamento britânico. Trata-se de Sophie Zhang, que foi cientista de dados na empresa fundada por Mark Zuckerberg até meados de 2020.

Zhang, que era responsável pelo monitoramento de engajamento falso dentro da rede, fez denúncias contra a empresa em abril deste ano em uma entrevista concedida ao jornal The Guardian, onde revelou que o Facebook não era tão eficiente na remoção de contas falsas relacionadas a políticos quanto na remoção dos perfis falsos que não têm ligações partidárias.

A cientista de dados identificou o que considerou ser uma brecha não intencional do Facebook, mas que está sendo explorada por políticos para produzir engajamento falso na rede social. As diretrizes da empresas não permitem que uma pessoa tenha mais de dois perfis, no entanto qualquer pessoa pode criar uma “fan page”, que pode ser configurada como o usuário quiser, inclusive para ser um perfil pessoal comum. De acordo com Zhang, grupos utilizam esse artifício para gerar engajamento falso e assim, aumentar o alcance de publicações dentro da rede social.

Falso engajamento também acontece em outras redes sociais, como o Twitter, onde diversos perfis enganosos são utilizados para interagir com posts, ou mencionar de forma automatizada determinada hashtag. Isso foi um fenômeno muito comum nas eleições de 2018 no Brasil.

O Facebook classifica como “coordinated inauthentic behavior” (comportamento inautêntico coordenado) quando contas falsas são criadas com propósitos políticos na plataforma. Mas a fiscalização desse tipo de atividade não é muito eficiente em países do Oriente Médio e América Latina. Zhang descobriu uma alta prevalência desse tipo de atividade em países como Azerbaijão, Iraque e Honduras, onde o debate público é deteriorado intencionalmente com a utilização desses perfis para gerar engajamento falso. Ao levar o problema para os superiores, a cientista de dados foi informada que a empresa prioriza campanhas na América do Norte, na Europa Ocidental e adversários estrangeiros dos Estado Unidos, como Rússia e Irã.

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As equipes que trabalham monitorando engajamento falso não conseguem desempenhar seu trabalho melhor por falta de recursos. Na avaliação de Zhang, isso deixa claro o que o Facebook considera prioridade. Ela afirmou ainda que a inércia da empresa em resolver o problema afeta, principalmente, países com líderes autoritários, que se utilizam de métodos, como o engajamento falso, para “manipular seus próprios cidadãos”.