No final do mês passado, o Facebook removeu no Brasil 196 páginas e 87 perfis que “violavam as políticas de autenticidade” e que eram utilizadas para “gerar divisão e espalhar desinformação”. A iniciativa gerou uma reação do MBL (Movimento Brasil Livre), movimento de direita com grande alcance na rede social, que acusou a plataforma de censura.

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Em seguida, o procurador da República Ailton Benedito que investiga o Facebook, desde setembro do ano passado, por “supostos atos de censura e bloqueio de seus usuários brasileiros”, pediu para que a rede social enviasse ao Ministério Público Federal (MPF) a lista de páginas e perfis excluídos.

Benedito se expõe publicamente como crítico de “militantes esquerdopatas” e ao movimento feminista. No Twitter, ele já publicou que “a Constituição da República garante ao brasileiro o direito de ter preconceito“. Em entrevista ao Estadão, ele afirma que faria o mesmo pedido ao Facebook caso páginas ligadas ao PT tivessem sido removidas sem maiores explicações.

Nesta segunda-feira (6), o MPF publicou a lista. No documento enviado ao MPF, o Facebook afirma que “essas páginas e contas faziam parte de uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas”.

Na lista estão quatro páginas regionais do MBL, três páginas de apoio ao candidato à presidência Jair Bolsonaro, páginas que imitam veículos de imprensa como “G1 – O Portal de Notícias”, páginas que poderiam ser consideradas de oposição, como “Feminismo, Liberdade e Voluntarismo” e dezenas de outras que aparentemente não tinham teor político, como “A Fórmula do Amor”, “Canal De Emprego”, “Top Animes Forever”, “Flagras dos Famosinhos”, entre outras.

Além dessas, já sabíamos que integravam a lista a Jornalivre, Diário Nacional, Movimento Brasil 200, que juntas somavam mais de meio milhão de seguidores.

No Twitter, o vereador de São Paulo e coordenador nacional do MBL, Fernando Holiday (DEM) questionou a justificativa do Facebook apontando para as páginas sem aparente teor político: “Tantas outras páginas que não tem nada a ver com política, essa é a “rede de desinformação que serve para dividir e manipular o debate”. Sério, quem acredita nessa ladainha?”

De acordo com o Facebook, um grupo controlava as páginas utilizando perfis falsos, o que poderia enganar outros usuários uma vez que mensagens eram compartilhadas de forma coordenada, dando a sensação de que se tratavam de veículos de comunicação distintos e independentes.

Holiday também comparou a iniciativa do Facebook no Brasil com a remoção do perfil de Alex Jones – teórico da conspiração norte-americano de extrema-direita – e de sua página, a InfoWars. “Alguma página de esquerda foi derrubada? Ainda não vi…”, disse o vereador. Na semana passada, o Facebook excluiu 32 páginas e contas que estavam ligadas a um contra-protesto em Washington em resposta à manifestação de brancos nacionalistas batizada de “Unite the Right” (“Unir a Direita”, em tradução livre), que aconteceu em 2017 – o movimento, ligado a esquerda, também questionou a atitude da rede social.

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Você pode acessar a lista completa com as páginas removidas pelo Facebook neste link.

[MPF]

Imagem do topo: Getty