No mundo cristão, depois do Carnaval, a festa da carne, vem a Quaresma, que são os 40 dias de preparação para a Páscoa, período em que se lembra a morte e ressurreição de Jesus Cristo. É comum, pelo menos no mundo católico, que se faça algum tipo de sacrifício nesta data, e desta vez o papa Francisco deu uma dica clara do que ele gostaria que os fiéis fizessem a respeito do comportamento virtual.

Em pronunciamento nesta quarta-feira (26), durante a cerimônia de cinzas, o sumo pontífice pediu para a galera dar uma segurada nos insultos às pessoas nas redes sociais durante a Quaresma e, por que não, durante a vida inteira — o que deve ser um pouco difícil, diga-se de passagem.

Disse o papa, durante cerimônia na Praça de São Pedro, no Vaticano (grifo nosso):

“A Quaresma […] é o tempo de renunciar a palavras inúteis, conversinhas, fofocas, mexericos e se aproximar do Senhor. É o tempo de se dedicar a uma ecologia saudável do coração, fazer uma limpeza nele. Vivemos num ambiente poluído por muita violência verbal, por muitas palavras ofensivas e nocivas, que a rede amplifica.”

Hoje, se insulta como se dissesse ‘Bom dia’. Somos submergidos de palavras vazias, publicidades e anúncios falsos. Nos acostumamos a ouvir tudo sobre todos e corremos o risco de cair num mundanismo que atrofia os nossos corações”

A agência de notícias Reuters lembra que o próprio papa tem sido alvo de insultos nos últimos anos. De fiéis ultraconservadores, passando por bots ou, simplesmente, pessoas querendo ensinar o papa a celebrar a missa.

Se as pessoas vão seguir o conselho do sumo pontífice só o tempo dirá. Porém, se ele fosse seguido parcialmente, talvez ajudasse a reduzir, pelo menos um pouco, o fluxo de chorume que circula livremente nas redes sociais.