Pode ser que um dia o bitcoin desapareça completamente, mas ele deixará uma baita nuvem de poluição de carbono. As instalações de mineração da criptomoeda usam tanta energia que o governo de Abecásia, uma república autônoma no norte da Geórgia, chegou a cortar a energia de 15 centros de mineração no ano passado.

Um representante do parlamento da Noruega chamou o bitcoin, em particular, a “forma mais suja de criptomoeda”. E alguns pesquisadores chegaram a estimar que o bitcoin sozinho poderia acelerar a chegada ao limite crítico de aquecimento de dois graus Celsius da temperatura do planeta.

Porém, um novo estudo mostra que a pegada de carbono não é tão grande quanto pensávamos. O que é uma notícia boa para algo que geralmente ganha destaque pelos golpes, lavagem de dinheiro, invasões, e mais golpes.

O Digiconomist, projeto de dados por trás do Bitcoin Energy Consumption Index (Índice de Consumo de Energia do bitcoin), estimou que a mineração da criptomoeda gera 37,73 megatoneladas de dióxido de carbono por ano, um número comparável à emissão de um país como a Dinamarca.

O novo estudo, por sua vez, faz uma estimativa mais modesta, de 17,29 megatoneladas emitidas em 2018.

Há um outro estudo que fica no meio termo e estima as emissões em 22,9 megatoneladas de dióxido de carbono pela mineração de bitcoin.

A nova descoberta pinta um quadro menos preocupante, mas em termos de proporção, é quase a mesma pegada de uma cidade como o Rio de Janeiro.

A mineração do bitcoin funciona ao resolver equações complicadas. Basicamente, a primeira pessoa com a resolução do problema recebe o bitcoin recém-criado. E essa lógica exige hardware computacional muito potente e que consome muita energia elétrica.

Ao contrário de estudos anteriores, a coautora Susanne Köhler disse ao Gizmodo que eles consideraram tanto a eficiência do equipamento de mineração quanto a dependência de combustíveis fósseis em vários locais, com base no número de tentativas de mineração de um bloco de bitcoin naquela região. Sabemos que o bitcoin é muito minerado na China, por exemplo, um país que gera mais eletricidade a partir do carvão do que qualquer outro país do mundo.

Em vez de basear os cálculos de emissões na produção total de carbono da China, os pesquisadores consideraram o fato de que o bitcoin minerado na província de Sichuan seria provavelmente “mais verde” devido à “grande utilização de energia obtida via hidrelétrica”. Além disso, a China pode estar reduzindo sua produção de bitcoins.

No início deste ano, a polícia de Zhenjiang teria encerrado uma operação ilegal depois que uma empresa de energia informou que mineradores havia consumido o equivalente a US$ 3 milhões em eletricidade; em abril, o governo propôs o encerramento total da mineração de criptomoeda, em parte por causa da poluição.

Köhler enfatizou que “ninguém sabe a localização exata da mineração”, mas que eles pretendiam tornar claras as “incertezas de tais estimativas explícitas e fornecer uma gama de resultados possíveis”.

Esses resultados ainda são muito difíceis de cravar, disse Ethan Lou, autor do livro Once a Bitcoin Miner (Um ex-minerador de Bitcoin, em tradução livre), ao Gizmodo. Lou, um dos primeiros investidores de bitcoin e fundador de uma startup de mineração de criptomoedas, comparou o bitcoin à indústria petrolífera, escrevendo para o Guardian que “a pegada ambiental do bitcoin vai assombrá-la”.

“Não me surpreenderei se outro estudo for publicado daqui alguns meses, com números drasticamente mais altos ou mais baixos”, disse ele por e-mail. O motivo, segundo ele, é que as informações precisas sobre localização, tipos de máquinas utilizadas e fontes de eletricidade são muito evasivas. “Os métodos estão constantemente sendo refinados”.