À medida que o uso de máscara se torna a nova norma em todo o mundo, pesquisadores da EPFL (Escola Politécnica Federal de Lausanne) e do Empa (Laboratórios Federais Suíços de Ciência e Tecnologias dos Materiais), na Suíça, criaram uma maneira de melhorar pelo menos um dos muitos desafios do uso de proteção facial com um novo design transparente que não oculta, mas protege a boca do usuário.

Como todos agora são encorajados a usar máscaras em lugares públicos, os problemas com os projetos atuais estão finalmente sendo resolvidos, apesar de os profissionais de saúde serem forçados a simplesmente lidar com esses problemas há décadas.



Até máscaras finas podem ser quentes, desconfortáveis e tendem a abafar as vozes — qualquer pessoa que tentou usar uma já percebeu. Mas o maior desafio é que as máscaras descartáveis podem ser muito impessoais. Como as expressões faciais ficam parcialmente encobertas, cuidadores têm dificuldade para demonstrar compaixão ou confortar pacientes, principalmente aqueles que lidam com problemas auditivos.

Nos últimos meses, o protótipo de máscaras transparentes foi compartilhado online, mas os projetos envolviam principalmente a substituição de parte de uma máscara por painéis de plástico transparente, o que reduz a respirabilidade e geralmente embaça rapidamente com a respiração do usuário, tornando a solução principalmente sem utilidade.

Pesquisadores do EPFL e dos Empa (Laboratórios Federais Suíços de Ciência e Tecnologias dos Materiais) passaram os últimos dois anos desenvolvendo uma alternativa melhor que oferece uma transparência quase completa, embora ainda seja respirável e protetora.

Detalhe do material transparente desenvolvido por pesquisadores suíçosCrédito: EPFL

O resultado de seus esforços combinados são as HelloMasks, feitas de materiais orgânicos à base de biomassa. Além de transparentes, elas também são recicláveis e biodegradáveis, já que as máscaras precisam ser removidas e descartadas após um certo período de tempo para permanecerem eficazes.

Usando um processo de fabricação chamado eletrofiação, em que uma carga elétrica é usada para criar fios ultrafinos, o novo polímero desenvolvido pelos pesquisadores apresenta fibras espaçadas a 100 nanômetros de distância, o mesmo que as máscaras descartáveis convencionais que permitem que as partículas de ar passem, mas bloqueiem bactérias e vírus.

Felizmente, o novo design da máscara não é apenas um projeto de pesquisa. As equipes criaram um startup para comercializar a tecnologia e estão atualmente no processo de desenvolvimento dos processos necessários para a fabricação em massa das máscaras transparentes.

Os idealizadores dizem que as máscaras estarão disponíveis no início de 2021 e, embora sejam oferecidas pela primeira vez a profissionais de saúde e médicos, à medida que rola o aumento de produção, elas também poderão ser disponibilizadas ao público em geral.