“Ei, pombinha. Hoje você tem uma missão especial. Está vendo aquele prédio ali? Isso, o presídio. Você vai levar algo muito importante para lá: um celular. Assim a gente consegue falar com quem está lá dentro. E assim, você paga de pombo-correio apenas uma vez. O celular já está em suas costas. Voa, pombinha, voa!”

Pois é: estão usando pombas para levar celulares a um presídio de Pirajuí, no interior de São Paulo.

Segundo o Jornal da Cidade, que noticiou a história primeiro, isto vem acontecendo pelo menos desde o início de maio. Em um dos casos, a pomba acabou batendo no vidro de uma janela e morreu. Ela carregava uma bolsinha nas costas com celular, bateria e chip. Em outro caso, agentes penitenciários capturaram viva uma pomba que levava celular e bateria, depois de verem que ela não conseguia voar direito.

Pombos treinados

Estes não são pombos-correio de verdade: são pombos comuns, destes que surgem – e somem – aos montes. E, aparentemente, eles estão sendo treinados. Segundo o G1, a penitenciária achou quatro pombos no total: dois com celular e dois com sabão em barra, provavelmente para “testar” o método de entrega.

E quem está fazendo tudo isso? Ninguém sabe ainda. O Jornal da Cidade lembra que o presídio fica em área rural, próximo a fazendas e chácaras. Como seria difícil para os pombos voarem muito longe com um aparelho nas costas, eles podem estar sendo “armados” aí.

O delegado César Ricardo do Nascimento, da Polícia Civil de Pirajuí, diz à Folha o que pode estar acontecendo: alguém captura uma pomba com ninho no presídio, dá comida e amarra o celular nela. Quando a pomba volta ao ninho, ela tenta levar o celular nas costas. O presídio tem vários ninhos de pombo, tanto nos telhados como nas janelas. A penitenciária diz ao G1 que já tomou providências, como aplicar repelente em locais estratégicos – sim, existe repelente contra pomba.

A ideia não é nova: em 2009, uma penitenciária em Sorocaba (SP) apreendeu dois pombos-correio com um celular desmontado e um carregador de bateria. Foi a mesma estratégia usada um ano antes em uma penitenciária de Marília (SP), onde uma mulher foi flagrada saindo com dois pombos escondidos em uma caixa. Os pombos levavam sacos nas pernas, que serviriam para transportar drogas e peças de celular. [Jornal da Cidade via G1 e Folha]