A Apple é cheia da grana. Ela vendeu quatro milhões de celulares em três dias. Ela é a empresa com o maior valor de mercado do mundo. Ela tem uma pilha de dinheiro praticamente parada no banco. Então porque eles gastaram só 2,2% da receita em pesquisa e desenvolvimento?

A ZDnet informa que o investimento em P&D da Apple está atrás de concorrentes como Google e Microsoft, que empregaram 14% e 13% em seus laboratórios internos, respectivamente. Por que essa diferença enorme da Apple? 2,2% é o valor mais baixo em P&D na empresa dos últimos dez anos. Mesmo com uma presença forte nos smartphones e quase dominância nos tablets, por que a Apple não gasta mais em ideias?

Há mais por trás disso do que parece. Primeiro, os gastos com P&D são enormes e estão aumentando: eles foram de US$43 bilhões para US$65 bilhões em 2010, e devem chegar a US$109 bilhões em 2011. É que a receita está crescendo mais rápido que o P&D.

Segundo, a Apple é uma empresa diferente do Google e Microsoft. Ela faz computadores, MP3 players, celulares, tablets, e o software necessário para eles. Mas isso é pouco se comparado ao Google, que cria tantas funções experimentais que precisa eliminar os fracassos em massa. A Microsoft, para servir a seus negócios em software e videogames, tem uma proeminente operação de P&D decididamente separada da empresa – a Microsoft Research – que consome dinheiro como água, trabalhando em tudo: de reconhecimento de fala a computação quântica a financiamento de ideias malucas do Jaron Lanier, co-criador do Kinect.

Terceiro, a Apple é uma empresa voltada para software e design industrial do hardware, e como lembra o ZDNet, nessas áreas “a inovação pode não exigir grandes gastos em P&D”.

Por fim, vale lembrar que a Apple gastou bastante em P&D no começo da década: em 2000, pesquisa e desenvolvimento representavam 5% da receita; de 2001 a 2003, o valor subiu para 8%. Agora, a Apple pode estar apenas colhendo os resultados. [ZDNet]

Foto por Greg Flinchbaugh/Flickr