Por que o autoteste de Covid ainda não é vendido no Brasil?

Exames do tipo já são vendidos em países da Europa e América do Norte, mas uma regra antiga da Anvisa impede seu uso por aqui. Entenda
Autoteste Covid
Imagem: Medakit Ltd/Unsplash/Reprodução

Se você viajar hoje para a Alemanha, por exemplo, poderá encontrar nas farmácias e supermercados kits de testagem para a Covid-19. A tecnologia usada é a mesma vista nos testes rápidos de farmácia: basta esfregar o swab lá no fundo do nariz e esperar entre 15 e 30 minutos para obter seu resultado.

O melhor é que tudo isso pode ser feito em casa por um valor acessível. No país europeu, por exemplo, é possível encontrar autotestes custando entre 5 e 30 reais. Essa já é uma realidade de países da Europa, América do Norte e até mesmo de alguns vizinhos da América do Sul.

Frente a alta de casos de Covid-19 no Brasil, fica aquela dúvida: se o exame de antígeno é igualzinho àquele feito nas farmácias, por que não temos autotestes no Brasil?

A resposta está em uma normativa de 2015 da Anvisa. De acordo com a agência, os resultados de doenças contagiosas e de notificação compulsória não devem ser coletados por leigos, mas sim profissionais especializados. A única exceção aberta até hoje foi para os testes de HIV.

Em nota divulgada à revista Exame, a Anvisa escreveu: “Outros países que adotaram a abordagem de execução de testes in vitro para Covid-19 fora do ambiente laboratorial detém critérios sanitários direcionados a tais situações e estabeleceram políticas públicas na perspectiva do combate à disseminação do coronavírus.”

Pode-se dizer que a proibição está intimamente relacionada à subnotificação dos casos. Os resultados positivos devem ser informados às autoridades sanitárias do país e registrados, mas ainda não está claro como isso poderia ser feito no Brasil caso o autoteste fosse liberado. 

A Anvisa disse à BBC que a disponibilidade destes exames precisaria estar vinculada a “políticas públicas com propósitos claramente definidos, associado ao atendimento e apoio clínico adequados e, conforme o caso, rastreamento de contatos para quebrar a cadeia de transmissão”.

É possível pegar como exemplo o que já é aplicado em outros países. No Reino Unido, os testes são acompanhados por um QR Code que abastece a base de dados do sistema de saúde britânico. Algo similar acontece nos EUA, em que a empresa americana Abbott oferece um autoteste conectado a um aplicativo para notificar os resultados às autoridades.

Serviços da Abbott, inclusive, chegaram em dezembro ao Chile e agora estão sendo lançados no Peru e Paraguai. A empresa informou que tem disponibilidade para trazer seus produtos ao Brasil.

Carolina Fioratti

Carolina Fioratti

Repórter responsável pela cobertura de saúde e ciência, com passagem pela Revista Superinteressante. Entusiasta de temas e pautas sociais, está sempre pronta para novas discussões.

fique por dentro
das novidades giz Inscreva-se agora para receber em primeira mão todas as notícias sobre tecnologia, ciência e cultura, reviews e comparativos exclusivos de produtos, além de descontos imperdíveis em ofertas exclusivas