Um trio de cientistas dos Estados Unidos e do Reino Unido ganharam o Prêmio Nobel de Química deste ano por utilizar a evolução para nossa vantagem. Eles desenvolveram novos métodos para a criação de moléculas que já nos ajudaram a produzir químicos mais seguros e sustentáveis, além de novas drogas.

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O prêmio foi dado para Francis Arnold, professora de engenharia química do Instituto de Tecnologia da Califórnia; George Smith, professor emético da Universidade do Missouri; e Gregory P. Winter, engenheiro genético e de proteínas do Laboratório M.R.C. de Biologia Molecular na Inglaterra.

Arnold, que é apenas a quinta mulher a ganhar o Prêmio Nobel de Química, recebeu metade do prêmio de US$ 1 milhão, enquanto Smith e Winter dividiram a outra metade.

“Os laureados deste ano do Nobel de Química foram inspirados pelo poder da evolução e utilizaram os mesmos princípios – mudança genética e seleção – para desenvolver proteínas que resolvem problemas químicos da humanidade”, diz a nota da Academia Real das Ciências da Suécia.

Arnold foi premiada com o Nobel por seu trabalho pioneiro com enzimas, proteínas que agem como catalisadoras para acelerar outras reações bioquímicas. Em 1993, ela se tornou a primeira cientista a provar que era possível direcionar diretamente a evolução das enzimas. Ela criou mutações aleatórias em certos códigos genéticos de enzimas, produzindo novas variações delas, e então selecionava as variações que produziam os efeitos que ela desejava – por exemplo, quebrar a proteína do leite. Seu processo foi refinado e utilizado pela ela mesma e outros cientistas para criar químicos mais seguros para o meio ambiente e até mesmo combustíveis renováveis.

Smith e Winter foram premiados por seus trabalhos com bacteriófagos, vírus que se alimentam de bactérias. Em 1985, Smith foi o primeiro a mostrar que os bacteriófagos poderiam ser utilizados para manipular a evolução de novas proteínas, em um método conhecido como “phage display“. Winter então utilizou o phage display para evoluir novos tipos de anticorpos que poderiam agir como drogas. Essas drogas – a primeira delas foi aprovada no início da década de 2000 – atualmente são utilizadas rotineiramente para tratar cânceres avançados e outras doenças autoimunes, além de neutralizar toxinas.

Essas aplicações são apenas o início daquilo que os cientistas podem criar utilizando a evolução dirigida, de acordo com a Academia Real das Ciências da Suécia.

“Estamos nos primórdios da revolução da evolução dirigida que, de muitas maneiras, está trazendo e trará o maior benefício para a humanidade”, escreveu a organização.

Imagem do topo: Uma placa representando Alfred Nobel na cerimônia do Prêmio Nobel da Paz realizada em Oslo, Noruega, em 2015. Crédito: Ragnar Singsaas (Getty Images)