A Qualcomm revelou nesta terça-feira (19) um novo processador para celulares: o Snapdragon 870 5G, uma continuação do Snapdragon 865+ do ano passado e um degrau abaixo do chipset mais poderoso da companhia no momento, o Snapdragon 888.

De acordo com a fabricante, o Snapdragon 870 é composto por quatro núcleos Cortex-A55 de 1,8 GHz, para tarefas mais simples, e quatro núcleos Cortex-A77, para atividades que exigem um desempenho maior, podendo alcançar frequências de até 3,2 GHz. Vale lembrar que o Snapdragon 865+ foi o primeiro a quebrar a barreira dos 3 GHz.

O novo componente foi “projetado para oferecer maior desempenho em todas as áreas para uma jogabilidade aprimorada”, o que significa que dispositivos topo de linha, em especial os da categoria gamer, serão os principais beneficiados pela novidade.

Fabricado na tecnologia de 7 nanômetros, o Snapdragon 870 ainda faz uso da GPU Adreno 650 e traz suporte para Bluetooth 5.2, Wi-Fi 6, NFC, recarga rápida no padrão Quick Charge 4+ e compatibilidade com as redes 5G, tanto para ondas milimétricas (mmWave) quanto nas frequências de 6 GHz.

“Com base no sucesso do Snapdragon 865 e 865+, o novo Snapdragon 870 foi projetado para atender aos requisitos de OEMs e da indústria móvel. O processador estará nos principais dispositivos de marcas como Motorola, iQOO, OnePlus, OPPO e Xiaomi”, disse Kedar Kondap, vice-presidente de gerenciamento de produto da Qualcomm Technologies.

No geral, o Snapdragon 870 não é muito diferente de seu antecessor. O que vai diferenciá-lo do Snapdragon 865+ é núcleo quádruplo Cortex-A77, que é ligeiramente mais potente do que na versão anterior. De resto, tudo segue igual. Os primeiros smartphones equipados com o novo chipset devem ser anunciados ainda no primeiro trimestre de 2021.

“Mas a Qualcomm já não tinha anunciado um chip da série 800?”, você deve estar se perguntando. De fato, a companhia apresentou o Snapdragon 888 em dezembro do ano passado, e ele já está presente em alguns aparelhos, como o Mi 11 da Xiaomi e a versão para os EUA do Galaxy S21 da Samsung. Por que outro chip, então?

O 9to5Google menciona os custos como um possível motivo. Em 2020, várias empresas evitaram o Snapdragon 865 e preferiram lançar seus aparelhos de topo de linha com o 765G, que não era tão potente, mas tinha 5G e era mais barato. Como nota o AnandTech, o 870 vem ocupar esse espaço que era do 765G. Ao oferecer uma versão aprimorada do chip de topo de linha do ano passado, a Qualcomm dá mais alternativas às fabricantes.

Já o Engadget fala que o processo de produção pode explicar a estratégia da Qualcomm. Ao usar a técnica de 7 nm — que é moderna, mas não é tão recente — a empresa pode garantir o fornecimento de chips de topo de linha e evitar a falta do 888 no mercado.

[Qualcomm]