A Xiaomi lançou, na China, nesta segunda-feira (28) o seu novo smartphone premium: o Mi 11. Ele será o primeiro do mercado com um Snapdragon 888, mas também se destaca por ter uma tela de 120 Hz, câmera de 108 MP e… vir sem carregador na caixa. Mas, calma, a fabricante avisou que, ao menos no país, enviará um gratuitamente para quem pedir.

Desta vez, a Xiaomi lançará três modelos: um com 8 GB de RAM e 128 GB de armazenamento; outro com 8 GB de RAM e 256 GB de armazenamento; e mais um com 12 GB de RAM e 256 GB de memória. Os preços serão de ¥ 3.999 (aproximadamente R$ 3.239 na cotação atual) , ¥ 4.299 (R$ 3.482) ou ¥ 4.699 (R$ 3.808).  Ainda não há data nem preço de lançamento no Brasil.

A tela, de curvas laterais, parece ser voltada ao público gamer. Ela tem 6,81″ e resolução WQHD+ de 3200×1440 pixels com taxa de atualização de 120 Hz e resposta ao toque de 240 Hz. Essa resolução só tinha aparecido em um Mi Note Pro até então.

Sob a tela ainda há um leitor de impressões digitais que detecta batimentos cardíacos. O Mi 11 conta também com emissor de infravermelho para usar o telefone como controle remoto, 5G e NFC.

Na parte traseira há um conjunto triplo de câmeras composto por uma principal de 108 MP, uma ultra-wide de 13 MP, e uma macro de 5 MP.

Vale também destacar a MIUI 12.5, com interface personalizada e baseada no Android 11. Segundo a Xiaomi, a novidade traz reforço na privacidade e na customização. Há ainda alguns recursos como a MIUI Plus, que permite espelhar as notificações do smartphone em qualquer PC com Windows.

Ah, o Mi 11 uma bateria de 4.600 mAh com carregamento rápido de 55 W com fio, 50 W sem fio e reverso (que permite usar o smartphone para carregar outros aparelhos, como smartwatches) de 10 W. E o carregador? De acordo com o blog da Xiaomi:

“Com os esforços de proteção ambiental em mente, a versão padrão do Mi 11 na China Continental não será mais equipada com um carregador na caixa, enquanto a versão em pacote virá com um carregador separado de 55W GaN. Ambas as versões são oferecidas com o mesmo preço, permitindo que os usuários comprem com base em suas necessidades”.

A ironia do carregador fora da caixa

Embora prometa o carregador separado, o anúncio é irônico já que há dois meses a Xiaomi zombou da Apple nas redes sociais, exibindo o carregador na caixa de seu Mi 10T Pro. “Não se preocupe, não deixamos nada fora da caixa com o #Mi10TPro”, escreveu a empresa no Twitter.

A Xiaomi não foi a única. A Samsung também tirou sarro e postou uma foto do carregador do Galaxy nas redes sociais com a legenda: “Incluso no seu Galaxy”. No entanto, a marca coreana foi recentemente pega no flagra excluindo suas postagens sobre o carregador porque ela também não vai enviar carregadores na caixa do Galaxy S21, que deve ser lançado em janeiro.

Quando a Apple anunciou que não iria mais colocar carregadores ou fones de ouvido por razões ambientais em outubro, ela concluiu que os clientes já tinham mais de 700 milhões de fones de ouvido Lightning e que muitos usavam modelos sem fio. A empresa também disse que havia dois bilhões de adaptadores de tomada da Apple em circulação, bem como bilhões de carregadores de terceiros, e que remover os dois itens da caixa era ecologicamente correto.

A mudança foi inicialmente anunciada como uma vitória para o meio ambiente até que as pessoas perceberam que a Apple tinha mudado o cabo que vinha na caixa: agora, é um USB-C para Lightning. Considerando que quase todos os iPhone anteriores vinham com um carregador de parede USB-A, fica difícil defender o argumento “todo mundo já tem um carregador”.

Tomar atitudes para minimizar o desperdício ambiental é certamente positivo. Se a decisão da Apple fizer com que Xiaomi, Samsung e outros reduzam o desperdício de carregadores, o reconhecimento é todo dela. Mas quando você diz que quer reduzir o desperdício, concentre-se em realmente reduzir o desperdício, em vez de vender carregadores separadamente. O planeta não suporta promessas vazias.

Colaborou Kaluan Bernardo