O Oculus Quest, o headset VR sem fio do Facebook, que custa apenas US$ 400, vai receber alguns novos recursos ao longo do próximo ano. Eu tive a oportunidade de testar o que poderia ser o recurso mais legal: o rastreamento de movimento das mãos.

Mark Zuckerberg surpreendeu os diversos desenvolvedores e jornalistas durante o Oculus Connect 6 Day One Keynote quando anunciou novas atualizações para seu headset VR independente, o Oculus Quest. A primeira atualização permitirá que você pareie o Quest com um PC e o utilize da mesma forma que o modelo focado em PC, o Rift S, que tem o mesmo preço. Mas a atualização mais legal é o rastreamento de movimento das mãos, que está previsto para ser lançado em 2020.

O rastreamento manual geralmente requer muitas câmeras e/ou sensores de movimento e pode ser desajeitado ou afetar o desempenho em dispositivos mais lentos. A Oculus e o Facebook não forneceram todos os detalhes de como ele funciona no Quest, mas sabemos que o recurso usa as 4 câmeras do dispositivo para pegar os movimentos das suas mãos sem nenhum hardware adicional.

O Facebook tinha apenas duas demos disponíveis e, infelizmente, elas não me permitiram capturar imagens do que eu estava vendo dentro da demonstração, então você vai ter que usar sua imaginação. A primeira demo me fez rastrear vazamentos de água em uma casa, enquanto a segunda me colocou como aprendiz de bruxa. Nos dois, eu podia me movimentar e interagir com o ambiente usando minhas mãos.

Surpreendentemente, não foi necessária uma calibração confusa para que minhas mãos pudessem ser rastreadas durante as demos. Simplesmente coloquei o Quest, olhei para baixo e havia todos os dez dedos se movendo no mundo virtual, e parecia ser exatamente da mesma maneira que eles estavam se movendo no mundo real. Também não houve lags nem ficou travando. Ele funcionou de forma muito mais suave do que o esperado (ou como acontece geralmente nas demos de VR).

O rastreamento de mãos pode parecer o Santo Graal, mas, como o Facebook observou em sua palestra de duas horas ontem, não são apenas as mãos que precisam ser rastreadas em um mundo virtual se queremos uma experiência apropriadamente imersiva. Qualquer outro centímetro do seu corpo precisará ser rastreado. Você precisará olhar para baixo e ver seus pés, ou olhar para trás e ver sua bunda. Caso contrário, você será um avatar assustador do mundo virtual Horizons, como o Facebook mostrou ontem.

O Facebook brincou com a tecnologia que um dia poderia fazer isso (cerca de uma hora e 48 minutos no vídeo da palestra), mas é improvável que isso aconteça no Quest, que usa um processador Qualcomm Snapdragon 835 já antigo. É incrível o que o Quest pode fazer, mas provavelmente haverá limitações à medida que for ficando mais antigo.

O Quest foi lançado no início deste ano por US$ 400 e, na palestra de ontem, o Facebook afirmou que ele representava quase 20% das vendas na loja Oculus. É razoavelmente bem-sucedido, e a adição do pareamento com PCs este ano e do rastreamento manual no próximo ano pode ser uma prova futura de que as pessoas não se importarão com suas limitações.

Você não pode ver o mundo real usando o modo de passagem com o Quest, no entanto. Essa é uma habilidade única do Rift S. O Rift S também depende de um PC, que pode ser atualizado pelo usuário. Eventualmente, as limitações de processador e armazenamento do Quest (há apenas uma opção de 64 GB e 128 GB) significarão que ele precisará ser substituído.

Ainda assim, o Rift S não tem rastreamento manual e possui uma tela de resolução mais baixa que o Quest. Portanto, se você deseja experimentar o futuro de VR este ano ou no próximo, o Quest pode não ser uma má escolha. Apenas colocar um headset sobre os olhos e, imediatamente, ter até mesmo uma pequena parte do seu corpo transportada para um mundo virtual é uma experiência mágica o suficiente, e seria difícil não querer experimentá-lo.