Vivemos tempos estranhos. A pandemia do novo coronavírus já provocou centenas de milhares de mortes ao redor do mundo e tem obrigado bilhões de pessoas a ficarem em casa. Isso obviamente teve impactos na economia: maior número de desempregados nos EUA em 70 anos, petróleo negociado a preços negativos e projeções cada vez piores para o PIB mundial.

A situação é tão feia que pouco se fala da desvalorização do real, que costumava ser um assunto importante no noticiário. Afinal de contas, ninguém está podendo viajar a turismo por causa da pandemia, e a maior preocupação tem sido achatar a curva do contágio e preservar o maior número de vidas possível.

Mas, voltando ao assunto do real, você nem deve ter notado, mas o iPhone já está mais caro na Europa do que no Brasil, uma situação que parecia inimaginável há alguns anos.

É sério. O iPhone 11 de 64 GB custa R$ 4.999 na loja da Apple. No Reino Unido, sai por 729 libras, ou R$ 5.255. Na Zona do Euro, mesma coisa. Alemanha? 799 euros ou R$ 5.082. Espanha e França? 809 euros ou R$ 5.146. Itália? 839 euros ou R$ 5.337.

Os preços foram consultados no site The Mac Index, que mostra valores de produtos Apple no mundo todo, usando cotações desta quarta-feira (13).

Esses valores não levam em consideração as devoluções de impostos, mas o The Mac Index usa a cotação comercial das moedas, que geralmente é mais baixa, e ignora custos da conversão. Então, dá na mesma.

Isso serve para outros iPhones, mas não para todos — o recém-lançado iPhone SE é muito mais caro aqui do que lá fora, provavelmente porque o preço nacional foi definido já levando em consideração o câmbio dos últimos meses. E definitivamente não se aplica a Macs e MacBooks, que têm preços surreais no Brasil.

Sim, a Europa nunca foi o melhor destino para quem quer fazer compras. As cotações do euro e da libra sempre foram maiores que a do dólar, e os aparelhos da Apple chegam por lá a preços mais altos que nos EUA — onde o mesmo iPhone 11 de 64 GB sai por US$ 699 ou R$ 4.477 (com taxas), segundo o The Mac Index.

Mesmo assim, o Brasil saiu da lanterna no ranking do The Mac Index para alguns produtos. Infelizmente isso não quer dizer que estamos finalmente com iPhones mais baratos, e sim que nossa moeda desvalorizou a ponto de estar caro até mesmo comprá-los fora — quer dizer, se não houvesse uma pandemia e fosse possível viajar. Nada impede também que a própria Apple reajuste seus preços por aqui, como fez recentemente.

E, com voos cancelados, ordens para ficar em casa e altos índices de desemprego, não teremos o estranho fenômeno de europeus vindo ao Brasil comprar um iPhone baratinho.