por Bruno Izidro

Na madrugada desta sexta-feira (4), rolou lá nos EUA o The Game Awards 2015, evento que substituiu os antigos Video Game Awards e VGX e uma das principais premiações da indústria dos jogos. Porém, mais do que eleger os melhores do ano, por lá sempre acontecem também alguns anúncios importantes e surpresas.

Esse ano não foi diferente, e entre uma entrega de prêmio e outra houve anúncio de novos jogos, homenagens e até espaço para polêmica. Abaixo selecionamos o que aconteceu de mais interessante na premiação.

Batman da Telltale

Depois de usar séries como The Walking Dead, Game of Thrones e jogos como Borderlands e até Minecraft para criar suas experiências narrativas de sucesso, a Telltale agora parte para o mundo dos super-heróis. O estúdio já havia anunciado uma parceria com a Marvel para desenvolver projetos, só que para 2017. Antes disso, porém, eles preparam um jogo no universo de Batman.

No The Game Awards, foi divulgado o primeiro trailer desse jogo em parceria com a Warner e DC e que deve ser lançado em 2016.

O trailer não mostra como será o jogo, que ainda não tem nome oficial. Mas, no blog da Telltale, o diretor Kevin Bruner afirma que ele dará aos fãs do homem-morcego “uma oportunidade de ir a fundo na complexa vida e mente de Bruce Wayne, a dualidade de sua própria identidade e a luta pela responsabilidade em salvar a cidade tomada de corrupção e vilões”. Com o toque que só a Telltale sabe dar a seus jogos, é bom esperar uma experiência bem diferente da vista nos jogos da série Arkham.

Psychonauts 2

Quando Tim Schafer subiu ao palco certamente o pensamento de muitos foi: “Depois de Grim Fandango e Day of The Tentacle, será que finalmente chegou a vez da volta de Full Throttle?” Não, não foi dessa vez que Ben tirou sua moto da garagem, mas o chefe da Double Fine estava ali para mostrar que Psychonauts 2 é real… ou quase.

Assim como aconteceu com The Broken Age, a continuação do jogo de 2005 só verá a luz do dia com a ajuda de financiamento coletivo. Dessa vez não no Kickstarter, e sim pelo recém-fundado site FIQ, que é voltado somente para jogos e que, por sinal, tem envolvimento direto de Schafer em sua criação.

Na campanha, a Double Fine pede US$ 3,3 milhões, o que pode parecer pouco para um jogo como Psychonauts, mas no vídeo de apresentação Schafer deixa bem claro que esse dinheiro será somente para uma parte do desenvolvimento, e o restante virá de investimento externo de outras empresas. Mostrando que o estúdio ainda tem crédito com o público após todos os problemas e atrasos que tiveram após o Kickstarter de The Broken Age, em poucas horas eles já arrecadaram mais de US$ 700 mil.

Homenagem a Iwata

Uma parte bem emocionante do The Game Awards foi a homenagem prestada a Satoru Iwata, presidente da Nintendo que faleceu em julho desse ano, vítima de câncer. No palco da premiação, o diretor da Nintendo of America, Reggie Fils-Aimé, fez um discurso tocante exaltando a figura de Iwata não só como um excelente profissional que era, mas como colega de trabalho, chefe e amigo pessoal dele.

A homenagem também mostrou que mesmo a indústria dos videogames sendo nova, com pouco mais de 30 anos, alguns dos seus principais nomes começam a nos deixar.

Rock Band VR

O Oculus Rift deve ser lançado para os consumidores no começo de 2016, e se a ideia de jogos em realidade virtual ainda não parece ter te convencido, então talvez Rock Band VR faça você mudar de ideia. A parceria da Oculus com o estúdio Harmonix levou o jogo musical para a realidade virtual, e o anúncio no The Game Awards foi feito pelo próprio fundador da empresa, Palmer Luckey.

Pelo vídeo de anúncio, é certo que poderemos tocar guitarra/baixo no futuro jogo, mas por ser um Rock Band e não um Guitar Hero, será que podemos presumir que bateria e vocal também vão estar disponíveis? Também não sabemos que a versão VR vai utilizar os instrumentos de plástico do jogo padrão.

Por enquanto, só sabemos que Rock Band VR chega em algum momento de 2016, e que provavelmente teremos que vender um rim para poder ter o combo Oculus Rift + instrumentos + jogo por aqui.

Ícones da indústria

Brett Sperry e Louis Castle. Você provavelmente não reconhece esses nomes, mas se você joga aquele Dotinha ou Lolzinho diários, deve muito a eles, pelo menos indiretamente. Os dois são os fundadores da extinta Westwood Studios, responsável pela criação do gênero Real Time Strategy e famosa pela série Command & Conquer. Foi por causa deles que a Blizzard criou Warcraft e foi a partir de Warcraft III que foi criado o gênero dos MOBAs.

Por terem contribuído tanto para os jogos é que Sperry e Castle receberam o já tradicional prêmio de ícones da indústria do The Game Awards. A premiação também elaborou um mini documentário muito bem produzido mostrando a trajetória dos dois e do surgimento do RTS. Mesmo para quem não curte muito o gênero, vale a pena assistir.

Polêmica Kojima/Konami

Metal Gear Solid V: The Phantom Pain é um dos maiores destaques do ano, mas tão falado quanto o jogo foi a turbulência nos seus bastidores, em especial os desentendimentos entre o criador Hideo Kojima e a produtora Konami.

No The Game Awards, mais lenha foi colocada na fogueira dessa treta. The Phantom Pain estava concorrendo e algumas categorias na premiação, incluindo jogo do ano, e era natural que Kojima estivesse por lá para receber o prêmio caso ganhasse, mas isso não aconteceu. Tudo culpa da Konami – pelo menos foi o que afirmou o apresentador e idealizador do The Game Awards, Geoff Keighley.

Keighley foi bem franco quando esclareceu o motivo do desenvolvedor não estar presente: “o senhor Kojima tinha toda a intenção de estar conosco essa noite, mas infelizmente ele foi informado recentemente por um advogado representando a Konami que não seria permitido a ida dele para a cerimônia para aceitar qualquer premiação”. A alegação, claro, gerou vaias na plateia e deixou a imagem da empresa japonesa ainda pior em toda essa confusão.

The Phantom Pain acabou ganhando o prêmio de melhor jogo de ação e aventura, mas o prêmio foi recebido pelo ator Kiefer Sutherland, que interpretou Big Boss no jogo. Climão.

The Witcher 3, melhor do ano

Lembrando que a The Game Awards é, antes de tudo, uma premiação, o evento mostrou que mesmo com todo o burburinho que Fallout 4 vem causando, os destaques do ano ficaram para outros jogos. Metal Gear Solid V: The Phanton Pain e a surpresa do ano, Rocket League, foram os jogos mais premiados, vencendo em duas categorias cada. Já o prêmio de melhor do ano ficou para The Witcher 3 e, de quebra, o estúdio CD Projekt Red também levou o prêmio de produtora do ano. Mais do que merecido.

Abaixo está a lista completa dos vencedores.

MELHOR JOGO PARA FAMÍLIA
Super Mario Maker (Nintendo EAD Group No. 4/Nintendo)

MELHOR JOGO DE LUTA
Mortal Kombat X (NetherRealm Studios/Warner Bros. Interactive Entertainment)

MELHOR JOGO MULTIPLAYER
Splatoon (Nintendo EAD Group No. 2/Nintendo)

MELHOR JOGO MOBILE PORTÁTIL
Lara Croft Go (Square Enix Montreal/Square Enix)

MELHOR TIME DE E-SPORTS
OpTic Gaming

MELHOR JOGADOR DE E-SPORTS DO ANO
Kenny “KennyS” Schrub (Counter-Strike: Global Offensive/Team EnVyUs)

MELHOR JOGO DE E-SPORTS
Counter-Strike: Global Offensive (Valve)

JOGO MAIS ESPERADO
No Man’s Sky (Hello Games)

MELHOR NARRATIVA
Her Story (Sam Barlow)

PERSONALIDADE GAMER
Greg Miller

MELHOR JOGO INDIE
Rocket League (Psyonix)

MELHOR DE ESPORTES CORRIDA
Rocket League (Psyonix)

GAMES FOR IMPACT
Life is Strange (Dontnod Entertainment/Square Enix)

MELHOR CRIAÇÃO DE FÃ
Portal Stories: Mel (Prism Studios)

DESSENVOLVEDORA DO ANO
CD Projekt Red (The Witcher 3: Wild Hunt)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Ori and the Blind Forest (Moon Studios/Microsoft Studios)

MELHOR JOGO DE AÇÃO E AVENTURA
Metal Gear Solid 5: The Phantom Pain (Kojima Productions/Konami)

MELHOR TRILHA SONORA
Metal Gear Solid 5: The Phantom Pain (Ludvig Forssell, Justin Burnett, Daniel James/Kojima Productions)

MELHOR ATUAÇÃO
Viva Seifert (Her Story)

JOGO DO ANO
The Witcher 3: Wild Hunt (CD Projekt Red/Warner Bros. Interactive Entertainment)