Desde que apresentou a Alexa em 2014, a Amazon segue na tentativa de torná-la uma assistente pessoal mais… pessoal de verdade, colocando-a em vários dispositivos para nos ouvir em praticamente todos os cômodos da casa. De lá para cá, a Alexa foi ganhando novos “corpos” através da linha Echo, e agora ela chega junto com o Echo Show 10, que foi lançado esta semana aqui no Brasil.

Na prática, a Alexa é a mesma: você fala um comando, ela responde, e esse ciclo se repete quando você quiser. O diferencial está no fato que o aparelho pode “te acompanhar” no ambiente, girando a tela para a direção em que você for, seja preparando uma receita, assistindo uma série no Prime Video ou conversando com algum contato por chamada de vídeo.

Então, se a Alexa não muda entre os dispositivos Echo, será que vale a pena tirar o escorpião do bolso pelo Echo Show 10? Afinal, é o modelo mais caro da família, custando R$ 1.899. A seguir eu te conto minha experiência com o produto nos últimos dias.

Amazon Echo Show 10

O que é
Um alto-falante equipado com Alexa, tela touchscreen e base giratória

Preço
Sugerido: R$ 1.899. À vista: R$ 1.804,05

Gostei
Som bacana com graves potentes; câmera de 13 MP tem alta resolução para chamadas de vídeo; a experiencia Alexa de sempre; mecanismo giratório extremamente silencioso; tela com ótimo brilho

Não gostei
O melhor lugar para posicioná-lo precisa ser estratégico; opções multimídia, como fotos e vídeos, são muito limitadas; por esse preço, melhor investir em um Echo mais barato

Os Jetsons vêm aí

Se você analisar a linha Echo anunciada em 2020, com exceção do Echo Show 8 (que tem uma tela sensível ao toque), todos os aparelhos possuem quase o mesmo design — um gadget circular ou mais oval, às vezes maior, às vezes menor. O Echo Show 10, por sua vez, é como se fosse a unificação de todos os modelos: na parte de trás fica o alto-falante, uma base cilíndrica idêntica ao Echo Studio; na frente, um display touchscreen de 10,1 polegadas HD com 1.280 x 800 pixels de resolução. Ambas as partes estão ligadas como uma peça única.

Você pode ajustar manualmente o ângulo da tela “flutuante” para cima ou para baixo, enquanto que a base circular pode girar sozinha por completo em 360 graus enquanto o painel estiver desbloqueado. Confesso que achei mágico, mas ao mesmo tempo tenebroso, o Echo Show virar automaticamente para minha direção toda vez que eu mudava de lugar. E o fato desse mecanismo giratório ser silencioso, sem emitir ruído algum, só aumentou essas sensações. Mas sim, nos primeiros minutos, foi legal essa coisa meio Os Jetsons.

Ainda falando na tela, pode ser que 1.280 x 800 pixels seja algo bem menor que a resolução da TV da sua sala. De fato, não chega a ter a mesma qualidade do que um monitor ou tablet do mesmo tamanho. Contudo, nem por isso o novo Echo Show deixa de fazer bonito. O produto ficou posicionado alguns dias em um cômodo que uso para o meu home office, mas na maior parte do tempo deixei ele na cozinha. Os dois ambientes são bem iluminados, e nem assim foi difícil visualizar os conteúdos no display que, inclusive, tem ajuste automático de brilho. Mesmo à distância, a visualização não ficou comprometida.

Para a Alexa ouvir sua voz, a base cilíndrica conta com três alto-falantes, sendo um woofer virado mais para baixo e dois tweeters posicionados logo abaixo da tela. Na parte superior, fica o botão de liga/desliga, de volume e um switch para bloquear ou liberar a visão da câmera de 13 MP (que vamos falar mais abaixo) usada para acompanhar seu movimento e realizar videoconferências.

A experiência Alexa

Partindo para o “coração” do Echo Show 10, quero esclarecer já de início: a Alexa tem a mesmíssima performance que você encontra em qualquer outro dispositivo Echo, com exceção de que você pode visualizar no display de 10,1 polegadas as coisas que está dizendo. Lembre-se que, apesar da tela touchscreen, a maior parte do tempo você vai comandar a assistente usando sua voz. Mas te digo que foi um teste de resistência usar somente minha voz, e não navegar com os dedos pelos menus do Echo Show.

Se você usa ou já utilizou a Alexa, não tem segredo: basta falar “Alexa”, perguntar por alguma coisa e esperar ela responder. Não tem nenhuma melhoria significativa no software, porém as respostas fornecidas pela Alexa ainda são as mais naturais que eu já vi em uma assistente de voz, sem parecer tão robótica. Eu só achei que ela ainda não consegue cavucar mais fundo para abrir menus bem específicos ou as próprias configurações do Echo Show.

Não que eu fique horas conversando com a Alexa, mas tirando situações fechadas (procurar a receita de um bolo, abrir um vídeo na Netflix), meu uso diário se limita a pedir para a Alexa abrir as notícias do dia, falar a previsão do tempo e vez e outra definir um alarme. Quem tem múltiplos dispositivos inteligentes em casa, como lâmpadas e outros alto-falantes Echo, certamente vai ter uma experiência mais completa, uma vez que você pode centralizar toda essa automação para o Echo Show.

Na prática

Embora eu já tenha citado isso nos parágrafos anteriores, quero reforçar o quanto fiquei impressionado com o motor silencioso do Echo Show 10. Minha cozinha não é grande, mas andando de um canto ao outro, a tela se voltou para mim rapidamente e de um jeito bem “natural”, apesar de essa talvez não ser a palavra mais adequada para descrever um (quase) robô. A Amazon te dá a opção para quando o display pode te acompanhar, então no meu caso eu só habilitei esse recurso enquanto preparava alguma receita na cozinha ou me movimentava no escritório.

Por falar no cilindro giratório, a Amazon permite configurar em qual ponto do cômodo o Echo Show 10 ficará posicionado. Pode ser em uma superfície sem nada em volta, no canto de uma parede, com uma parede atrás e as laterais livres. Enfim, são opções bem calcadas no mundo real. Só que aí tem um problema: o melhor lugar para deixar o alto-falante é em uma superfície que ele consiga fazer uma volta completa 360 graus, porque mesmo a uma certa distância da parede, a configuração sugere mais de uma vez que o Echo Show tenha todo o seu entorno livre de obstáculos.

Saber que o dispositivo desenvolvido por uma companhia gigantesca está te olhando o tempo inteiro pode não ser o incentivo necessário para utilizar o Echo Show 10. Talvez seja por isso que a Amazon incluiu um botão para bloquear/liberar o sensor a qualquer momento — algo que todo mundo deveria fazer com as webcams e câmeras dos notebooks. Não que isso seja necessário: a varejista diz que a câmera processa a captura das imagens localmente e não envia nada para os servidores da empresa, nem armazena o conteúdo no alto-falante. Além disso, ao ativar o switch a tela do Echo Show para de girar. E lembrando mais uma vez: o movimento giratório só acontece enquanto você utiliza o aparelho; ao deixá-lo no stand-by, ele fica totalmente parado.

Uma coisa que eu gostei muito durante o uso do Echo Show 10 é a parte das chamadas de vídeo. Além do vídeo ser em uma boa resolução, o dispositivo, graças à sua capacidade de acompanhar seu movimento, sempre vai tentar enquadrar você no centro da tela e mantê-lo no mesmo ângulo (da cabeça até um pouco acima da cintura). Foi bem divertido ligar para minha vó e minhas tias, que moram na Bahia, e conversar com elas por vídeo enquanto eu lavava a louça. A parte chata é que só dá para fazer chamadas de vídeo pelo aplicativo da Alexa, e tanto quem faz a ligação quanto quem a recebe precisam ter o app instalado no smartphone.

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Eu não tenho nenhum sistema de segurança em casa, mas você pode usar o Echo Show como uma câmera de vigilância e acompanhar as gravações remotamente pelo app da Alexa para celular. Tem até como controlar a base cilíndrica usando o mesmo aplicativo. Por alguns momentos, eu fiz esse teste estando alguns metros de distância no meu quarto, e funcionou muito bem. Pode ser particularmente útil para famílias com crianças recém-nascidas e substituir as babás eletrônicas. Se você tiver lâmpadas compatíveis com a Alexa, também pode sincronizá-las com o alto-falante.

O Echo Show 10 tem uma oferta limitada de serviços, mas os principais e que todo mundo usa estão aqui. Para plataformas de streaming, você pode pedir para a Alexa abrir o Prime Video e Netflix; são apenas essas duas aqui no Brasil. Para músicas, há suporte ao Spotify, Apple Music, Podcasts da Apple, Deezer e Amazon Music, além da possibilidade de parear o Echo Show com seu smartphone e reproduzir músicas armazenadas localmente no aparelho. Também há os navegadores Silk e Firefox, para pesquisas na internet.

No quesito qualidade de som, o alto-falante mantém o padrão de qualidade dos dispositivos Echo mais caros. Os graves são bem intensos r mesmo no volume máximo eles não ficam distorcidos. Ainda é possível ajustar os níveis de intensidade usando o equalizador do dispositivo. Para quem não for muito exigente e só quer ouvir músicas, eu diria que pode substituir tranquilamente uma caixinha de som.

Para reprodução de filmes e séries, o Echo Show 10 também entrega bons resultados. Só não espere a mesma experiência que você teria ao assistir um vídeo em uma TV. Como a ideia é deixar os vídeos rolando em segundo plano enquanto você realiza outra tarefa, a qualidade de imagem está mais do que satisfatória. Também gostaria que houvesse mais opções para usar fotos da minha família como plano de fundo na tela de descanso do Echo Show. Até o momento, só é possível importar álbuns do Facebook.

Vale a pena?

Sendo o mais caro da família Echo atualmente, o Echo Show 10 é mais uma alternativa oferecida pela Amazon para quem faz questão de duas coisas: uma tela touchscreen e um mecanismo giratório que, admito, tem o seu charme. Mesmo que cause um certo estranhamento em quem se preocupa com algo te olhando quase o tempo inteiro. O mais importante é saber que este ainda é um alto-falante, e não um gadget que visa substituir outros aparelhos, como tablets e notebooks. Esse não é o foco do produto.

Não posso dizer que desgostei do Echo Show 10 porque até então não tinha utilizado nenhum dispositivo Echo com uma tela sensível ao toque. É verdade que essa característica não chega a ser algo mandatório — e definitivamente não é —, mas meu tempo com o dispositivo tem sido bastante agradável. Eu recomendaria para quem já tem um Echo? Só se você quer usufruir do display e da base cilíndrica, que “dança” junto com o seu movimento para lá e para cá. No mais, todo o restante não é muito diferente das funções que você encontra nos modelos mais baratos da linha Echo.