A Beats passou por uma enorme transformação desde que foi comprada pela Apple, lá em 2014. Em vez de apostar em um marketing agressivo e focado em celebridades, a companhia ganhou fones realmente funcionais, para um público muito maior e que figuram entre as melhores opções que você vai encontrar no mercado. Isso sem deixar de lado esse apelo ao design, que continua como algo bem característico da marca.

Em 2019, a Beats lançou seu primeiro fone de ouvido totalmente sem fio: o Powerbeats Pro, que mais recentemente ganhou quatro novas cores no Brasil. O acessório não é dos mais discretos, e arrisco dizer que mantém uma certa extravagância dos modelos supra-auriculares (que cobrem todo o ouvido). Mesmo um ano após o lançamento, o produto tem uma proposta bastante sólida, prometendo horas e horas de autonomia, resistência a suor e uma qualidade de áudio excepcional.

E como tudo que tem o dedo da Apple, o Powerbeats Pro não é nada barato: R$ 2.149. Se vale a pena gastar essa grana toda, é o que eu te conto nos parágrafos a seguir.

Beats Powerbeats Pro
O que é
Os primeiros fones totalmente sem fio da Beats, com foco no esporte

Preço
Sugerido: R$ 2.149. No varejo, por volta de R$ 1.650

Gostei
Uso confortável; seguro em qualquer tipo de orelha; bateria de longa duração; botões físicos em cada fone; pareamento rápido, mesmo em dispositivos Android; resistência à água e suor

Não gostei
Design não é lá muito discreto; estojo de carregamento não é tão portátil; sons graves poderiam ser um pouco mais intensos

A embalagem do Powerbeats Pro é bem discreta: um cubo todo preto. O susto maior vem mesmo quando você abre a caixa e se depara com o estojo de carregamento, que é gigante quando comparado a praticamente todos os outros fones de ouvido wireless do mercado. A vantagem é que a bateria da case é muito maior, garantindo uma autonomia que dificilmente é superada pela concorrência. A parte chata é que muito provavelmente você vai precisar levar o estojo dentro de uma bolsa ou mochila. No bolso da calça é que ele não vai caber, e se couber fica o belo de um calombo.

A case é carregada por uma entrada Lightning (vamos trabalhar no USB-C, Apple?), e o encaixe para deixar os fones é bem firme; basta colocá-los na parte interna para prendê-los aos conectores magnéticos.

Falando dos fones propriamente ditos, o design não é tão discreto quanto um Galaxy Buds ou AirPods. Isso, contudo, não significa que eles fiquem estranhos quando colocados na orelha. Ao contrário: o formato é super ergonômico, com hastes curvadas que ficam fixas na parte de trás da orelha. De novo: visualmente falando, não é o design mais básico, mas é algo que dá para usar tranquilamente no dia a dia, sem estar praticando atividade física, já que o produto tem esse público alvo. Agora em tempos de pandemia, o desafio talvez seja gastar alguns segundos a mais para colocar a máscara já usando o acessório, mas isso não é um problema.

A qualidade de áudio dos Powerbeats Pro é… ok. Se tratando de um fone da Beats, vai por mim: isso já é muito. Tanto os graves quanto médios e agudos estão super equilibrados, embora eu ache que a intensidade dos graves, que costuma ser marca registrada nos fones da Beats, poderia ser um pouco maior. Como se trata de um fone esportivo, talvez você nem note essas diferenças. E na verdade, acredito que, justamente por esse ser o foco do produto, um som mais apurado fique em segundo plano. No mais, as vozes e instrumentais, por conta desse equilíbrio de intensidade, estão excelentes, e consegui detectar facilmente cada um desses elementos. Para mim, o som é melhor do que os AirPods tradicionais.

Também não espere por nada muito refinado no que diz respeito a isolamento de ruído. O recurso funciona melhor do que os AirPods de primeira e segunda geração, mas opções como os AirPods Pro, por exemplo, fazem um trabalho melhor nesse quesito. Só por ser um fone do tipo intra-auricular, o som fica naturalmente mais isolado dentro do ouvido. No entanto, eu ainda consegui ouvir com clareza o ruído externo. Isso é algo pessoal, mas  me sinto mais seguro quando o som ambiente não é abafado por completo, em especial quando estou andando na rua.

O formato também passa uma sensação maior de segurança. Diferente dos AirPods e outros modelos de fones de ouvido sem fio, os Powerbeats Pro possuem pontas de silicone que se encaixam na parte interna do ouvido. E mesmo que elas fiquem mais folgadas, as hastes curvadas não deixam os fones caírem. Em alguns dias, eu corri cerca de 8 km; em outros, passei entre 1h00 e 1h30 fazendo exercício físico em casa, em movimento constante. Em nenhum momento senti os fones cambaleando na orelha, como é o caso quando eu uso os AirPods de segunda geração.

Meu maior problema com fones intra-auriculares, e essa é uma experiência totalmente individual, é que eu não consigo usá-los por mais de uma hora sem que eu sinta uma pressão bastante incômoda. Com o Powerbeats Pro, e os demais fones nesse estilo, não foi diferente: mesmo posicionando eles da maneira mais confortável possível, cerca de 50 minutos depois eu começava a sentir uma pontada que me obrigava a ficar dois ou três minutos sem os fones para deixar meus ouvidos “respirarem” um pouco. Só quero reforçar o que já disse: essa é uma reação totalmente particular.

Tirando esse detalhe, não tenho nenhuma reclamação quanto ao uso dos Powerbeats Pro. Só o fato de senti-los mais firmes no meu ouvido já é um grande diferencial. Além disso, eles são extremamente leves e possuem resistência a suor e respingos de água. Note: não é à prova d’água.

Outra característica interessante é que cada fone vem com botões independentes para controle das músicas. E são botões físicos mesmo: a parte central com a letra “b” da Beats você usa para pausar/continuar a música e responder/rejeitar chamadas telefônicas. Enquanto isso, na parte de cima, tem um botão para controlar o volume. Nem todo mundo pode gostar disso, mas a verdade é que os botões físicos dificilmente vão apresentar inconsistência de comandos, já que controles por toque capacitivo, presentes na maioria dos fones true wireless, podem não ser tão responsivos assim.

Responsivo, inclusive, é uma ótima palavra para descrever o chip H1 do Powerbeats Pro, que vem sendo usado desde a segunda geração dos AirPods. Ele é o responsável por fazer a conexão quase instantânea com os dispositivos da Apple: abrindo a case de carregamento próxima a um iPhone, o celular já reconhece o acessório – daí é só confirmar a conexão e vinculá-lo à sua conta no iCloud. A troca entre aparelhos (do Mac para um iPhone ou para um iPad, por exemplo) também leva questão de dois ou três segundos.

Mas ei, você que tem Android também vai notar uma rapidez considerável na hora de conectar os Powerbeats Pro. Eu testei ele com um LG K50S, que é um smartphone mediano, e ainda assim o pareamento foi muito simples.

É também graças ao H1 que os Powerbeats Pro sabem quando estão posicionados nas suas orelhas. Os sensores reconhecem automaticamente caso um deles seja removido e interrompe a música no mesmo instante. Claro, você pode continuar a reprodução usando só um dos fones ou compartilhá-lo com outra pessoas; basta apertar o botão “b” no centro. O H1 ainda fornece uma estabilidade de conexão que dificilmente você vai encontrar em outro fone de ouvido sem fio. Comigo eles funcionaram estando em um cômodo diferente do iPhone, e até no andar de cima daqui de casa, sem perda de conexão.

A bateria é um dos componentes que mais se beneficia do chip H1. Oficialmente, os Powerbeats Pro prometem nove horas de autonomia, o que já é um tempo bem acima da média para fones sem fio. Meu uso diário totaliza cerca de oito horas, sendo seis durante o trabalho e mais uma ou duas horas durante a prática de atividade física, ouvindo músicas pelo Apple Music na maior parte do tempo. Nessas condições e com 100% da carga, usando um iPhone 11 Pro, os fones chegavam ao final do meu dia com algo em torno de 47%.

E lembra do início deste review, quando eu citei o estojo de carregamento? Ele pode ser grande e não muito prático de ser transportado sem estar dentro de uma mochila, mas seu principal benefício é ampliar a bateria para até 24 horas de uso. Para ser sincero, eu devo ter recarregado os fones por completo somente duas vezes a cada semana. Aliás, apenas 15 minutos dentro do estojo garantem até três horas de autonomia.

 

Beats Powerbeats Pro Review. Imagem: Caio Carvalho (Gizmodo Brasil)

Mas e aí, os Powerbeats Pro valem a pena? Olha, é aquela coisa: dizer para você comprar um fone de R$ 2.149 iria contra a minha política de gastos. Sim, é um fone true wireless fantástico, e deve atender principalmente a esportistas que estão à procura de uma alternativa mais robusta, preservando boas características como bateria de longa duração, design ergonômico, estabilidade de conexão, boa qualidade sonora e simplicidade de pareamento, mesmo se você tiver um smartphones Android.

Se ainda assim o preço for muito elevado – e ele é -, você pode partir para opções mais em conta, como os Galaxy Buds Live, o Sony WF-1000XM3 ou os próprios AirPods. Eles podem não ter o apelo esportivo dos Powerbeats Pro, mas custam em média a metade do valor cobrado pela Apple.