A família One da Motorola está cada vez maior e com câmeras variadas. Ela já tem o primeiro modelo, o Vision e uma câmera de altíssima resolução, o Zoom com um arsenal de lentes e sensores e, ao que tudo indica, mais um modelo deve vir por aí, com capacidade para tirar fotos bem de pertinho.

Um desses modelos é o Action, que opta por ter uma câmera ultrawide exclusiva para vídeos. O mais inusitado é que o sensor foi montado em um ângulo de 90° em relação ao aparelho. Portanto, ao segurar o celular na vertical, o vídeo fica na horizontal. A ideia é ter uma câmera como as da GoPro direto no celular, para situações em que é necessário filmar movimento.

Usando

Tirando esse diferencial, o Motorola One Action é muito parecido com o Motorola One Vision por dentro e por fora. Os dois têm 4 GB de RAM, 128 GB de armazenamento, processador Exynos octa-core e bateria de 3.500 mAh.

Eles rodam Android quase puro — “quase”, no caso, porque eles têm o app Moto, que acrescenta alguns recursos interessantes de atalhos por gestos e notificações.

Nos dois modelos, a tela LCD é de 6,3 polegadas com resolução Full HD. A proporção é 21:9, mais alongada, que faz com que o smartphone seja mais “comprido” na vertical do que o padrão.

Como era de se esperar, a experiência com o One Action é praticamente idêntica à do One Vision. O smartphone não é tão rápido quanto um topo de linha, mas tem velocidade e desempenho muito bons, sem travamentos ou engasgos. A tela é bem bonita, e o formato mais alongado ajuda a segurar o aparelho e a digitar com uma mão só usando o polegar.

O Android quase puro é bem agradável de usar, e praticamente não há bloatware ou bugs causados por alterações de fabricantes. Ele chegou a receber atualizações nas duas semanas que o usei, mas, até o momento, não temos notícias do Android 10 rodando no One Vision. Seja como for, o programa Android One garante duas versões seguintes do sistema operacional. Elas devem chegar em algum momento.

E, assim como o One Vision, o One Action também tem o problema de gastar a bateria muito rápido. Eu achei ele levemente mais econômico, mas, no geral, eles se equivalem: dá para tirar o telefone da tomada no começo da manhã e chegar com um mínimo de carga no fim do dia, sem nenhuma folga.

Estas são as semelhanças entre os dois aparelhos. As diferenças estão na câmera.

Câmera

O One Vision tem um conjunto duplo, com uma câmera principal de 48 megapixels e uma secundária para efeitos de profundidade com 5 megapixels. Já o One Action tem um sistema triplo. A câmera principal é mais simples, com apenas 12 megapixels, e a câmera de profundidade é a mesma do outro modelo.

O diferencial está na terceira câmera, que a Motorola vende como uma câmera de ação. Ela tem um sensor de 16 megapixels (que filma em 1080p a um máximo de 60 quadros por segundo) e uma lente de 117º. O sensor é usado exclusivamente para vídeo, e não tem como tirar fotos com ele. Ele é montado em 90°, então dá para segurar o telefone na vertical e filmar na horizontal, como mostrado na imagem abaixo. A câmera ainda conta com estabilização eletrônica de imagem.

Ao abrir o app nativo da câmera e mudar para o modo de vídeo, você passa a ver a imagem apertadinha, na horizontal, com grandes áreas desfocadas acima e abaixo. Aliás, é necessário dizer que outros apps, como o Instagram, não têm acesso a essa câmera e usam o sensor principal convencional mesmo.

A ideia pode parecer meio boba em um primeiro momento, mas ela tem seu valor. Segurar o telefone na horizontal para filmar pode ser desconfortável, dependendo do aparelho, e aumenta os riscos de derrubar o celular da mão. Segurar na vertical é mais simples e intuitivo — afinal de contas, é assim que usamos nossos celulares todos os dias. Como muita gente esquece de virar o aparelho, faz sentido virar o sensor.

Eu não sou um grande aventureiro ou esportista. Mesmo assim, fazendo vídeos em caminhadas mesmo, fiquei um pouco desapontado com a estabilização eletrônica de imagem. Ela parece compensar os movimentos bruscos, mas deixa as imagens meio borradas, sem tanta definição. Até subindo uma escada isso aparece.

O que me agradou, por outro lado, foi que o ângulo de visão realmente permite capturar muito mais informações na imagem. Abaixo, duas capturas de tela de vídeos feitos na minha mesa, com a câmera de ação e a principal do One Action. Note como aparece muito mais coisa na câmera de ação.

Eu não cheguei a ficar muito tempo com o aparelho, mas a ideia da câmera virada com bom ângulo me pareceu bem promissora. Além do foco em esportes e aventura, ele também pode ser interessante para quem gosta de filmar shows ou quem produz conteúdo para o YouTube, por exemplo.

Já a câmera principal, de 12 megapixels, fica entre o razoável e o bom. Ela conta com o mesmo software com recursos de inteligência artificial do One Vision, que identifica cenas automaticamente. Por outro lado, nada de modo noturno. As fotos que tirei até ficaram bonitas, mas achei que faltaram detalhes ao ampliar as imagens. Há, ainda, uma câmera de 5 megapixels para ajudar na hora de tirar fotos com o efeito retrato.

Conclusão

Um aparelho tão parecido com o One Vision não poderia ter uma conclusão muito diferente, certo? O One Action, assim como seu irmão, tem bom desempenho, uma linda tela, um design bonito com boa usabilidade e uma bateria que desaponta.

Lançado por R$ 1.800, ele já pode ser encontrado na casa dos R$ 1.300. Se você faz muitas filmagens e quer um celular para isso, ele é uma opção interessante por causa da câmera, que serve bem para esportes, aventuras, shows e outras situações. Se você é mais da fotografia, o One Vision é uma opção mais interessante.

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