Já reparou em como cresceu o número de mouses compactos, daqueles que, além de menores no tamanho, são extremamente leves? Esse é um movimento que parece não ter volta, seja pela praticidade de transporte ou pelos mesmos recursos que esses acessórios oferecem, em comparação com modelos tradicionais de mouses. A Razer também está apostando no segmento, e a investida mais recente da empresa é o mouse Orochi V2.

Pesando apenas 60 gramas, o periférico foi pensado justamente em quem precisa de um mouse sem fio que possa ser levado para qualquer lugar (quando pudermos fazer isso depois da pandemia, né?), seja o ambiente de trabalho, aeroporto, cafeteria ou mesmo para uso dentro de casa. Mas claro, por ser da Razer, o o mouse também é uma excelente opção para gamers, já que traz sensor óptico de 18.000 DPI 5G, switches mecânicos e até 950 horas de autonomia.

O Razer Orochi V2 começou a ser vendido no Brasil em julho por R$ 499. Eu venho testando o mouse desde junho, e te conto as minhas impressões neste review.

Razer Orochi V2

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

O que é
Um mouse gamer ultraleve e compacto para dentro e fora de casa

Preço
Sugerido: R$ 499

Gostei
Tempo de resposta extremamente preciso; design compacto e fofo; levíssimo; compartimento híbrido para até duas pilhas; autonomia de sobra

Não gostei
Botões nas laterais não são para canhotos; sem bateria recarregável; pode não ser confortável para pessoas de mãos grandes

Design e construção

O Orochi V2 segue o padrão Razer em tornar tudo o mais simétrico possível — e isso é ótimo. Visto de cima, as únicas saliências são os botões de comando secundário nas laterais e uma leve protuberância do botão de rolagem na parte superior central. O acabamento é em Teflon com uma superfície opaca, garantindo uma pegada extremamente leve e confortável, mesmo para pessoas de mãos grandes (eu incluso). Já na parte inferior, a Razer colocou um plástico antiderrapante que dá mais firmeza e ao mesmo tempo leveza para mover o acessório em todas as direções.

Minha única reclamação é o fato de este ser um mouse ambidestro. Quem é canhoto ainda pode usá-lo com os botões principais invertidos, desde que ignore por completo os botões nas laterais.

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

Além dos dois botões na lateral esquerda, há somente mais quatro botões: o scroll central, o botão para alterar o ciclo de DPI e os dois de comando principal (clique direito e esquerdo), que agora possuem switches mecânicos de segunda geração que a Razer diz aguentar até 60 milhões de cliques. Ao remover a parte superior, se revela o compartimento híbrido para pilhas do tipo AA e AAA, além de um dongle de 2,4 GHz para uma conexão mais estável e responsiva durante jogos. Só é possível utilizar uma pilha por vez, e não há entrada USB para usar o acessório via cabo, o que pode dificultar sua utilização caso a pilha descarregue por completo, mesmo com a promessa de horas de autonomia.

Sozinho, o Orochi V2 pesa exatos 60 gramas; com as pilhas, o peso pode aumentar para cerca de 70 gramas. Aí entra uma questão totalmente pessoal: se quiser o mouse mais leve, o ideal é usar uma pilha do tipo AAA, já que assim o peso fica em torno de 65 gramas. Uma pilha AA sobe essa medida para 72 g. Sete gramas pode parecer pouco, mas quanto mais leve for o mouse, mais precisa será sua movimentação dentro do jogo. O único mouse tão leve que eu me lembre ter usado é o Logitech G Pro X Superlight, que também pesa 63 gramas.

Curiosamente, apesar de ser um produto gamer, o Orochi V2 não conta com nenhuma iluminação RGB. O que é até bom, uma vez que, se for usá-lo fora de casa ou durante uma viagem, ter um mouse com luzes piscantes pode ser muito chamativo em locais públicos.

Performance e bateria

A leveza e o tamanho reduzido são as duas características que, em conjunto, tornam o Razer Orochi V2 um dos melhores mouses gamer que você encontra hoje no mercado. E olha que eu nem sou um dos públicos-alvo do produto — pessoas que jogam muito pelo PC ou notebook.

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

A Razer apresenta o Orochi V2 como um mouse pensado para aqueles que, na visão da companhia, são os três principais tipos de pegada: garra (claw), palma (palm) e ponta do dedo (fingertip). O meu estilo é o terceiro, como dedo indicador levemente alto, pois assim eu tenho uma sensação maior de controle no que eu estiver fazendo no jogo. Embora eu admita que ficar nessa posição não tenha sido a mais confortável por longas horas, mesmo minha mão, que é grande, se encaixou muito bem ao formato ergonômico do mouse.

Essa sensibilidade apurada é graças a algumas novidades trazidas pela fabricante. Entre elas o sensor óptico Razer 5G, que garante até 18.000 de DPI (contagens por polegada), com precisão de resolução de 99,4%, e velocidade máxima de 450 IPS (polegadas por segundo). Em nenhum momento eu senti que o mouse derrapou além do que eu gostaria, e conseguiu rastrear meus comandos sem nenhum atraso. O dongle USB de 2,4 GHz deixa a conexão ainda mais estável e precisa, mas na maioria das vezes eu usava o mouse sem essa opção.

Os cliques usando os botões principais com switches mecânicos são muito precisos e silenciosos. O botão de scroll, por sua vez, é um pouco mais duro do que eu imaginava, apesar de não ter usado ele com frequência em jogos. Para tarefas de trabalho e produtividade, o uso constante da peça foi um tanto incômodo.

Todos os botões do Orochi V2 podem ser customizados por meio do software Razer Synapse. Ele permite criar perfis específicos para alternar entre jogo, trabalho ou qualquer outra tarefa que você queira fazer usando o mouse no computador. Também tem ótimas configurações para calibrar o acessório caso você tenha algum mouse pad da Razer. A parte ruim é essa: só é vantajoso para mouse pads proprietários da marca. O Synapse não é uma plataforma obrigatória, mas certamente vale o olhar de quem deseja extrai o máximo do periférico.

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

Por fim, temos a bateria. A Razer promete uma autonomia de até 450 horas, usando o dongle conector de 2,4 GHz, ou até 950 apenas pela conexão Bluetooth — em ambos os casos, com uma pilha AA de lítio. Isso equivale a cerca de 19 e 39 dias de uso contínuo, respectivamente, até que a pilha precise ser trocada. Eu ainda não usei o suficiente para que a pilha incluída na caixa do Orochi V2 ficasse descarregada, mas é uma autonomia generosa. E olha que eu fico alternando entre os dois métodos de conexão. O que pode desapontar é o fato do mouse não ter uma bateria recarregável. Portanto, o ideal é sempre ter uma ou mais pilhas por perto.

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Vale a pena?

Eu sei que a gente não pode exigir tudo de um produto. Porém, classifico o Razer Orochi V2 como um mouse do tipo “ame ou odeie”. Ele tem especificações incríveis para gamer nenhum botar defeito: 18.000 DPI de sensibilidade, botões programáveis, e uma autonomia fora de série. Ao mesmo tempo, o tamanho mais compacto não é lá muito confortável para pessoas de mãos enormes, além da ausência de luzes RGB e de uma bateria interna.

Por R$ 499, eu só indicaria o Razer Orochi V2 se você é o tipo de consumidor que joga muito pelo notebook e faz uso do aparelho em ambientes que não sejam a sua casa, como em viagens, por exemplo. Apesar de ser possível usá-lo para trabalho, ele pode não agradar esse público em específico porque o design é ambidestro, e nem todo canhoto talvez descarte o uso dos dois botões nas laterais. Tem também o fato de que muitos usuários de mãos grandes podem não gostar desse formato menor, especialmente aqueles que seguem o estilo de pegada em garra, com o dedo indicador bem levantado. Eu mesmo, que tenho o costume de erguer só um pouco o indicador enquanto usava o mouse, senti a mão casada após algumas horas de jogo.

O Razer Orochi V2 me lembrou bastante o Logitech MX Anywhere 3, que eu analise há alguns meses. Os dois são basicamente o mesmo mouse. Mas enquanto a opção da Logitech é totalmente focada em produtividade, o Orochi V2 tem um apelo maior ao público gamer. Os dois também estão na mesma faixa de preço. Então, no final das contas, você pode listar os itens que mais te agradam e optar por aquele que mais seja útil no eu dia a dia, seja para jogar ou trabalhar.