A Realme começou a vender smartphones por aqui em janeiro. De lá para cá, o catálogo de produtos não aumentou muito. No entanto, a companhia, que em entrevista anterior ao Gizmodo Brasil disse que o 5G seria um dos pilares de sua operação no País, fez jus a essa afirmação e lançou recentemente o Realme 7 5G.

Além de ser o primeiro celular 5G da marca no Brasil, ele também é o mais barato, custando R$ 1,9 mil no período promocional. A estratégia da fabricante é se firmar na tecnologia, que sequer teve o leilão das frequências realizados pela Anatel, e quem sabe abocanhar uma parcela de consumidores da Samsung, Motorola e LG — esta última de saída do mercado de smartphones. Isso é possível? Sim, mas vamos analisar melhor o que o Realme 7 5G tem a oferecer.

Realme 7 5G

O que é
O primeiro smartphone 5G da Realme no Brasil. E também o mais barato entre todas as opções atualmente

Preço
Sugerido: R$ 2,6 mil. No varejo: R$ 1,9 mil (quando rola promoção)

Gostei
Pronto para o 5G; tela de até 120 Hz é diferencial para gamers; software excelente; bateria grande e com recarga rápida

Não gostei
Faltou um display AMOLED; sem grandes apelos para quem já tem um Realme 7; por esse preço, melhor esperar quando o 5G realmente chegar por aqui

Design e construção

Não tem muito tempo que o Gizmodo Brasil publicou uma análise dupla do Realme 7 e Realme 7 Pro. E não estranhe se muito do que eu falar aqui pareça repetitivo, porque, de fato, é. Isso fica perceptível logo no design: o Realme 7 5G é como uma fusão dos dos primeiros aparelhos que a Realme trouxe ao País. A traseira, aliás, é uma fotocópia do modelo 7 Pro, com o módulo de câmeras posicionado na vertical e mais espaço, em vez de uma disposição mais fina.

A versão que eu testei é a cor azul névoa, em que o telefone mantém um risco na vertical que difere da maior parte da traseira, mas ambas vão mudando de cor conforme você reflete a luz. Tem um modelo na cor prata radiante em que o nome Realme está em letras garrafais enormes. Completam a carcaça do celular um leitor de impressões digitais (que, assim como no Realme 7, é extremamente rápido) no botão de liga/desliga, gaveta para chip de operadora e cartão de memória, porta USB-C e entrada P2 para fone de ouvido. Por sinal, o acessório não vem incluso na caixa.

Esses elementos fazem com que o Realme 7 5G não tenha tanto uma aparência de celular intermediário, uma vez que o acabamento é todo em plástico. Por esse motivo, não espere certificação contra água e poeira, nem uma traseira livre de marcas de dedos. No geral, o dispositivo é bem construído, mesmo para os padrões medianos, tem uma pegada firme e não pesa nas mãos.

Tela e som

Em comparação com o Realme 7 convencional, o display do Realme 7 5G mantém algumas características. Ele ainda é um painel LCD de 6,5 polegadas Full HD+ (2.400 x 1.080 pixel) com proteção Gorilla Glass 3 e aproveitamento frontal de 90,5%. O que muda é a taxa de atualização, que passou de 90 Hz para até 120 Hz. Pessoas que jogam no celular são as que mais vão notar diferença nesse quesito, desde que o título jogado ofereça suporte para esse formato. Para o uso do dia a dia, acredito que os 90 Hz já estão de bom tamanho.

Além da maior fluidez de navegação, a tela oferece um brilho decente mesmo em locais muito iluminados, e a taxa de saturação e contraste ficam dentro daquilo que eu espero de um smartphone intermediário. O que eu notei durante os testes é que, em dias mais ensolarados, cores mais escuras tendem a ficar em tons mais cinzas e não pretos. É provável que ninguém vá assistir uma série inteira embaixo do sol, mas tenha em mente que o preto pode não ficar tão escuro diante dessas condições. É aí que a gente vê a a falta que faz um painel AMOLED.

No som, nada de novo: o aparelho mantém as características do Realme 7 básico, que possui som mono, e não estéreo. Eu gostei do som no modelo anterior, e comparando com a versão mais recente, o Realme 7 5G às vezes tocava sons distorcidos, principalmente nos médios, em volumes mais altos.

Software

De fábrica, o Realme 7 5G chega com o Android 10 rodando a interface proprietária da Realme. Não é o Android Puro, mas está bem próxima disso, com janelas mais limpas, quase nenhum app indesejado que venha pré-instalado (embora a minha unidade de teste tenha vindo com algumas ferramentas chinesas, mas todas passíveis de remoção), ícones redondos e fontes menores. É inegável que a Realme mexeu pouco e o sistema continua bem bonito. Quero lembrar, especificamente, de um aplicativo interessante que duplica outros apps caso você queira usar duas contas em um mesmo serviço, como, por exemplo, o WhatsApp.

O que a Realme ainda não deixou claro é sobre como futuras atualizações serão distribuídas — isto é, se forem distribuídas. Durante uma coletiva de imprensa com um representante da marca no Brasil, a empresa informou que há previsão do Android 11, que já foi confirmado para o Realme 7 e 7 Pro, chegar também ao modelo 5G. Agora, quando isso vai acontecer, já é uma outra história. Tomara que seja o mais breve possível. Afinal, ninguém quer ver outra companhia empacando atualizações de sistema, como tem acontecido com a Nokia e a Motorola.

Câmeras

A Realme optou por diminuir um pouco os números nas câmeras do Realme 7 5G. Se no modelo 4G o sensor principal tinha 64 MP, agora no 5G ele vem com 48 MP. As demais câmeras, sendo uma ultra-angular, uma macro e um sensor de profundidade, mantém as especificações anteriores com 8 MP e 2 MP cada, respectivamente.

Reafirmo meu posicionamento quanto ao conjunto fotográfico: ele produz fotos de boa qualidade em condições com iluminação satisfatória. O sensor de profundidade não é perfeito, porém corta direitinho as bordas em fotos de pessoas. Objetos e animais podem sair ligeiramente distorcidos, mas nada que seja difícil de aturar.

Só que um problema persiste: o contraste variável, que acaba escurecendo demais determinados pontos da imagem, e isso mesmo ajustando algumas opções de brilho, saturação e deixando o HDR ativado. A mesma coisa acontece na lente ultra-angular, com o “plus” de adicionar um efeito “lavado” na maioria das fotos e diminuir a resolução. A macro, então, nem se fala. Além de demorar para pegar foco, o pós-processamento não é dos melhores e deixa partes da imagem cheias de ruídos. Inclusive, ruídos não passam despercebidos no modo noturno.

A câmera frontal, também de 16 MP, ficou abaixo da qualidade que eu vi no Realme 7. Ela não é de todo ruim, mas parece que só funciona do jeito que quer e quando quer. Mesmo desativando o modo de embelezamento, que vem ativado por padrão, eu saí parecendo um fantasma na maioria das fotos. Se na câmera principal o contraste escurece, na frontal ele clareia por demais a captura.

Hardware, desempenho e bateria

O Realme 7 5G é o primeiro smartphone do Brasil com o processador Dimensity 800U de 7 nanômetros. É um chip octa-core de até 2,4 GHz com suporte ao 5G e também ao 5G DSDS. A fabricante garante que ele funciona nas 12 principais bandas da tecnologia, sendo elas: n1, n3, n5, n7, n8, n20, n28, n38, n40, n41, n77 e n78. Eu tenho um plano pós-pago 4.5G que tentei usar aqui no meu bairro, mas não funcionou. Fui até a Avenida Paulista, um dos locais com maior disponibilidade do 5G DSS, mas o chip também não encontrou nenhuma rede compatível.

Em conjunto com o novo processador está a memória RAM de 8 GB e 128 GB de capacidade, que devem ser mais do que suficientes para qualquer tarefa básica ou intermediária — desde apps de uso comum para a maioria das pessoas, como WhatsApp e Facebook, até rodar jogos da Play Store que demandam uma performance superior, como é o caso do PUBG Mobile e do Asphalt 9.

Por falar em demanda, o Realme 7 5G vem com uma bateria de 5.000 mAh, ou seja, 500 mAh a mais do que o Realme 7. Com brilho da tela no máximo, taxa de atualização nos 120 Hz e Wi-Fi e Bluetooth ligados, eu testei o aparelho com o app da Netflix aberto por cerca de cinco horas, depois mais uma hora de YouTube, meia hora navegando nas redes sociais (Instagram, Twitter) e mais 40 minutos jogando Free Fire. Dos 100%, a bateria caiu para 44%. São números excelentes e reforçam o quanto os dispositivos da Realme aguentam o tranco.

O smartphone ainda recarrega a bateria bastante rápido. Do zero até 100%, ele levou cerca de 1h10. Isso graças ao carregador de 30 W que vem na caixa do produto. Um detalhe importante: nas fotos você está vendo o adaptador no padrão americano, pois essa foi a versão da minha unidade de testes. Fique tranquilo: a Realme envia o carregador com os pinos de tomada no padrão brasileiro.

Assine a newsletter do Gizmodo

Vale a pena?

Para quem já tem um Realme 7, não é vantajoso fazer o upgrade para o modelo 5G. Primeiro porque, apesar de declarações oficiais do governo federal, ainda não há uma perspectiva clara de quando teremos acesso ao verdadeiro 5G. Em segundo lugar, as pequenas melhorias presentes nesta versão são quase nulas, e tirando o processador mais recente e a tela de 120 Hz, ambos os aparelhos são praticamente iguais.

O preço entre os dois também não difere muito. O Realme 7 5G é vendido oficialmente por R$ 2.599, mas de vez e outra pode ser encontrado por R$ 1.899, que era o valor promocional no lançamento e que é cerca de R$ 300 a mais do que o Realme 7, hoje à venda em uma média de R$ 1.599. Se você faz questão das especificações citadas no parágrafo anterior e quer se antecipar para o 5G, então vá em frente. Mas sendo muito sincero, o Realme 7 ainda é um baita intermediário, e eu esperaria daqui alguns anos para comprar um novo celular 5G, quando a tecnologia deverá estar melhor estabelecida no Brasil.

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

É ótimo ver que muitas fabricantes, entre elas a Realme, já estão lançando smartphones preparados para o 5G. Sabe-se quando vamos ter a tecnologia de verdade em nossos celulares, mas ate lá, é provável que um punhado de novos aparelhos surjam por aqui. Cabe a você se fazer algumas perguntas: eu preciso realmente do 5G na minha rotina hoje? É vantajoso gastar agora por um aparelho que eu só vou usar 5G mesmo daqui no mínimo um ano? Depois me conta nas redes sociais suas respostas.