Este ano, eu estava à procura de um substituto para meu leal Nexus 4 que eu pudesse comprar no Brasil – meus celulares sempre vão para a assistência técnica dentro da garantia, então inicialmente decidi não importar. Uma das poucas opções que se encaixava nas minhas exigências – leitor de impressão digital, ao menos 3 GB de RAM, e bateria de 3.000 mAh – era um smartphone da Samsung. Passar de um Nexus para um Galaxy parece loucura – até que eu me acostumei e não quis (tanto) voltar. Esta foi minha experiência com o Galaxy A7 2016.

Design

O Galaxy A7 2016 aproveita o design do Galaxy Alpha lançado em 2014 – o primeiro da Samsung com bordas de metal. Isto significa bordas firmes com uma longa reentrância nas laterais direita e esquerda (para se diferenciar do iPhone e evitar processo da Apple?), traseira de vidro e linhas de antena na parte superior e inferior.

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Fora isso, não há muitas surpresas no design aqui: botão Home com botões Multitarefa e Voltar (na ordem inversa do Nexus, ugh, mas eu me acostumei), botões de volume à esquerda e botão liga/desliga à direita. A bandeja para dois chips – ou um chip e um cartão microSD – também fica no lado direito. A entrada para fone de ouvido fica na parte inferior, junto à saída de alto-falante e a porta microUSB.

Com tela de 5,5 polegadas e 172 g, o A7 exige um ligeiro esforço para equilibrar na mão. Uma forma de se fazer isso é usando o dedo mindinho para apoiar a parte inferior – só que a porta microUSB é um pouco afiada na parte que encosta com a traseira, então isso pode ser incômodo. São 7,3 mm de espessura.

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A traseira de vidro atrai marcas de dedos e é um pouco escorregadia: se você a deixar em uma superfície inclinada, o celular pode cair no chão – mas ela provavelmente não vai quebrar graças ao Gorilla Glass 4. E ela consegue ser ergonômica na mão. A traseira é lisa (eu ficava procurando os furos do alto-falante que existem no Nexus 4), e traz a câmera de 13 megapixels e o flash LED.

Software

O Android personalizado pela TouchWiz está mais aceitável que versões anteriores. OK, ele é menos elegante que o Android puro, mas dá para ver que a Samsung se esforçou em eliminar partes da interface que pareciam remeter ao Gingerbread – adotando o Material Design nos apps padrão, por exemplo.

Ainda assim, há alguns pontos que poderiam melhorar. A gaveta de apps sempre joga para o fim da lista os novos apps que você instalar, em vez de organizá-los em ordem alfabética (é possível instalar um launcher alternativo para resolver isto). As notificações só exibem no máximo dois botões de ação, enquanto meu Nexus (com tela menor) exibia até três. E o modo multiusuário que existe no Lollipop padrão foi removido pela Samsung – queria criar uma conta “convidado”, mas para fazer algo semelhante é preciso usar o My KNOX.

São 16 GB de armazenamento, dos quais 9,5 GB estão disponíveis para o usuário. Felizmente, não há tantos apps instalados por padrão: você encontrará o pacote Office, OneDrive e Skype (devido à parceria com a Microsoft), mais os apps do Google e alguns da Samsung.

Há suporte a cartão microSD de até 128 GB, mas neste caso você só poderá usar um chip nano-SIM de operadora. Sobreviver com menos de 10 GB disponíveis será um problema, e faltará espaço até para atualizações: se você precisa usar dois chips, melhor escolher outro smartphone.

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São 3 GB de RAM, mas a TouchWiz vai consumi-los. No Nexus 4 de 2 GB, tenho quase 1 GB de memória livre para multitarefa ao ligá-lo. No A7, com basicamente os mesmos apps rodando em plano de fundo, são 1,2 GB livres ao ligar – a diferença fica por conta dos serviços de sistema da Samsung.

Temos aqui um processador Exynos 7580 Octa de oito núcleos Cortex-A53 a 1,6 GHz, mais um chip gráfico Mali-T720MP2. Inicialmente, algo que me incomodava eram engasgos ocasionais na renderização da interface, como se o celular estivesse sobrecarregado e demorando para reagir aos meus comandos. O chip gráfico não estaria aguentando a resolução Full-HD da tela? No entanto, esses momentos se tornaram cada vez mais raros. O aparelho pode, no entanto, esquentar na lateral direita sob tarefas mais pesadas.

Ele roda Android 5.1 Lollipop e, se olharmos para o histórico da Samsung, eu não esperaria uma atualização para o Marshmallow 6.0 tão cedo.

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O leitor de digitais funciona, mas não é excelente. É possível cadastrar três digitais, mas às vezes me deparava com a mensagem “sem correspondência” ou “certifique-se que o dedo cubra a tecla inteira”. Não há como calibrar o leitor para garantir que ele leia suas digitais com maior precisão. Ainda assim, eu preferia usar essa forma de desbloqueio a uma senha na tela, por exemplo.

A bateria de 3.300 mAh dura cerca de dois dias de uso moderado, e eu não precisava me preocupar tanto em carregá-la antes de sair de casa. A única exceção foi um dia em que usei muito o GPS, e ele não aguentou até o fim do dia – mas foi uma exceção. O carregamento rápido de bateria funciona bem, e o A7 chega bem rápido aos 100% mesmo, em pouco mais de uma hora (isso deveria ser padrão em todo smartphone).

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Temos aqui uma série de sensores – acelerômetro, magnetômetro, Hall, proximidade, luz RGB – mas não há giroscópio no A7. Isso significa que alguns apps de realidade virtual não vão funcionar, e que a câmera de realidade aumentada em Pokémon Go não estará disponível.

O A7 tem suporte a Samsung Pay, permitindo usar o smartphone para realizar pagamentos mesmo em maquininhas sem NFC, graças à tecnologia MST (transmissão segura magnética). No entanto, como meu cartão não está na primeira leva das bandeiras compatíveis, não pude testar o recurso.

Câmera

A câmera de 16 megapixels do A7 não se compara a flagships como o Galaxy S6, mas se sai bem. É ótimo poder ativá-la com dois toques no botão Home, e ela pode tirar fotos competentes em lugares iluminados (tal qual toda câmera de celular que se preze), como esta:

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Mas a câmera pode acabar se confundindo caso haja regiões muito claras e muito escuras na foto: o algoritmo vai escurecer as partes de sombra e “estourar” as partes iluminadas, como na foto abaixo – a placa “veículos cruzando a pista” deveria estar mais visível; e os prédios, menos iluminados.

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Aqui, o gato escondido na mochila deveria estar mais visível. É possível amenizar isso ativando o modo HDR; no entanto, não é possível configurá-lo como padrão, então você precisará se lembrar sempre de ligá-lo.

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O desempenho em pouca luz, no entanto, me impressionou – especialmente por essa faixa de preço – graças às lentes com abertura f/1.9 e à estabilização óptica de imagem. As fotos costumavam sair relativamente com pouco ruído mesmo sem ativar o modo noturno.

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A câmera de selfies tem 5 megapixels e tem desempenho comparável à câmera traseira: pode “estourar” partes iluminadas da foto, mas se sai bem em ambientes com pouca luz graças à lente f/1.9.

(Fotos originais: 1, 2, 3, 4, 5)

Vale a pena?

O Galaxy A7 2016 foi lançado em janeiro por absurdos R$ 2.500. Hoje em dia, você pode encontrá-lo numa faixa mais aceitável dos R$ 1.700.

Se você está procurando por um design premium e leitor de digitais, uma alternativa seria o Galaxy S6, que você encontra atualmente por menos de R$ 2.000. Você terá uma câmera melhor e desempenho mais rápido, porém uma bateria menor (de 2.550 mAh) e armazenamento não-expansível de 32 GB.

E, claro, é possível chegar a patamares menores de preço se você dispensar o leitor de digitais: por exemplo, o Asus Zenfone Selfie tem processador Snapdragon 615, 3 GB de RAM e bateria de 3.000 mAh. No entanto, para quem não está confortável em importar opções melhores do exterior (como o OnePlus 3, por exemplo), ou para quem procura design premium e leitor de digitais, o A7 é uma opção razoável no mercado brasileiro.