É como um sonho de um introvertido sendo realizado: poder pegar uma xícara de café da manhã sem precisar falar com outros seres humanos. Como resultado do surto de coronavírus, um café em Daejon, na Coreia do Sul, agora usa um barista robô para anotar e entregar pedidos e atender clientes.

Lá, servir café para os clientes é praticamente um trabalho em equipe, segundo a Reuters. Quando alguém faz um pedido em um quiosque, um braço robótico lida com todo o trabalho de fazer café atrás do balcão e depois entrega as bebidas a um robô que as serve, empregando tecnologia de direção autônoma para descobrir o melhor caminho de chegar até a mesa.

“Aqui está o seu café com leite de amêndoa e Rooibos. Tenha uma boa refeição! Fica ainda melhor se você mexer para misturar”, diz ao chegar a uma mesa, e os clientes pegam suas bebidas de uma bandeja carregada pelo robô.

Depois, presumo que o robô volta para trás do balcão, comenta sobre a música ambiente escolhida pelo gerente da loja naquele dia e depois sai para fumar um cigarro, enquanto reflete sobre a vida e a possibilidade de arrumar outro emprego com seu diploma de artes.

Este sistema totalmente automatizado pode preparar rapidamente 60 variedades diferentes de café: um pedido de seis bebidas leva sete minutos. Os robôs têm apenas um colega de trabalho não mecânico, um único funcionário humano que lida com algumas tarefas de limpeza e recarga de ingredientes.

Os fabricantes coreanos pesquisam maneiras de automatizar a experiência do café há anos, mas a chegada da pandemia de COVID-19 gerou um aumento na demanda, enquanto as empresas procuravam maneiras de ajudar a manter os clientes a salvo da potencial propagação do vírus. Ao empregar medidas rigorosas de distanciamento social e outras preocupações de saúde pública, a Coreia do Sul conseguiu conter o surto do novo coronavírus, que já infectou mais de 11 mil pessoas e matou 267 no país.

Embora a resposta das autoridades tenha se mostrado eficaz até o momento, o risco de surtos menores permanece um problema. No início deste mês, as autoridades de Seul foram forçadas a fechar os bares e boates da capital apenas alguns dias após a reabertura devido a um aumento nos casos de coronavírus.

Mas, à medida que os moradores começam a lenta transição de volta à vida normal, os robôs podem ser a chave para preservar as medidas de distanciamento social sem manter as pessoas presas em casa. Pelo menos é o que pensa Lee Dong-bae, diretor de pesquisa da Vision Semicon, fabricante que ajudou a desenvolver esse sistema robótico de entrega de café em conjunto com um instituto estatal de ciências.

“Nosso sistema não precisa de informações das pessoas entre o pedido e a entrega, e as mesas foram dispostas de modo espaçado para facilitar a movimentação dos robôs, que se encaixam bem com a atual campanha de distanciamento”, disse ele à Reuters. Quantos aos planos de longo prazo, a equipe pretende levar seus robôs e pelos menos 30 cafeterias no ano.

Ainda assim, nem todo mundo está tão empolgado com essa visão futurista do café automatizado.

“Os robôs são divertidos e foi fácil [usar] porque você não precisa ir até o balcão pegar o pedido”, disse à Reuters o aluno Lee Chae-mi. “Mas também estou um pouco preocupado com o mercado de trabalho, pois muitos de meus amigos estão trabalhando em meio período em cafés, e esses robôs substituiriam os humanos.”