Alguns pacientes recuperados de COVID-19 que testaram positivo mais uma vez para o coronavírus provavelmente não foram reinfectados. Nesta quinta-feira (30), autoridades da Coreia do Sul afirmaram que não há evidências de que o vírus esteja reinfectando pessoas no país e que resultados dos testes que sugeriram reinfecção foram provavelmente falsos positivos que encontraram partículas mortas do vírus.

A Coreia do Sul é um dos poucos países que conseguiram conter o coronavírus desde o início, graças a estratégias de testagem em massa e ao programa de rastreio de contato que foi capaz de isolar surtos desde o começo.

Para efeitos de comparação, os EUA e a Coreia do Sul relataram seus primeiros casos de COVID-19 em 19 de janeiro. E mesmo levando em consideração a população, os EUA têm agora mais de 3.000 casos confirmados por milhão de pessoas, enquanto a Coreia do Sul tem 200 casos confirmados por milhão de habitantes, de acordo com dados de até 30 de abril. No total, o país registrou cerca de 10.000 casos e 247 mortes.

A ampla disponibilidade de testes na Coreia do Sul também permitiu que os residentes fossem testados mesmo depois de estarem aparentemente recuperados da doença. Alguns desses pacientes tiveram resultado positivo para o vírus mesmo depois de os sintomas terem desaparecido.

Esses relatos (que também já ocorreram em outros lugares) levantaram a possibilidade de que a imunidade ao vírus pode não ser garantida e que a reinfecção imediata pode acontecer. De acordo com a última contagem, mais de 240 casos desse tipo foram relatados pela Coreia do Sul.

Porém, um comitê de especialistas reunido pelo governo sul-coreano disse nesta quinta-feira (30) que há poucas evidências de reinfecção, com base em suas descobertas.

Primeiro, os testes PCR (reação em cadeia da polimerase) que geralmente são usados verificar se as pessoas estão infectadas não são projetados para procurar o vírus “vivo”. Ao contrário, eles detectam vestígios mínimos de RNA viral, material genético que é então amplificado no laboratório. Esses traços podem vir de uma infecção ativa em uma pessoa, mas também podem vir de partículas virais mortas deixadas para trás nas células do corpo.

E parece que é isso que está acontecendo, segundo Oh Myoung-don, especialista em doenças infecciosas da Universidade Nacional de Seul e chefe do comitê clínico central da Coreia do Sul para o controle de doenças emergentes.

“Os testes detectaram o ácido ribonucleico [RNA] do vírus morto”, disse Oh em entrevista coletiva nesta quinta-feira, conforme a reportagem do Korea Herald. “A célula epitelial respiratória tem uma meia-vida de até três meses, e o vírus RNA na célula pode ser detectado com o teste PCR um a dois meses após a eliminação da célula.”

Oh também disse que é improvável que o vírus esteja de alguma forma se reativando no corpo após uma infecção inicial, como alguns médicos teorizaram anteriormente. Ao contrário de alguns vírus que podem ficar inativos no corpo, como o HIV, o coronavírus por trás do COVID-19 não parece sequestrar diretamente o centro de comando de uma célula, o núcleo. “Isso significa que ele não causa infecção crônica ou recorrência”, explicou Oh.

As conclusões de Oh e sua equipe devem ser verificadas por outros pesquisadores, mas este é um sinal promissor. Dito isso, mesmo que a reinfecção não esteja acontecendo nesses casos específicos, não significa que seja impossível que o vírus reinfecte pessoas.

Especialistas geralmente concordam que sobreviver a uma infecção deve conceder algum grau de imunidade, baseado no que sabemos sobre outros coronavírus humanos, mas não se sabe quanto tempo essa imunidade deve durar, e ainda não temos uma maneira confiável de saber se e quando alguém está imune.