Autoridades russas declararam estado de emergência nas remotas e escassamente povoadas ilhas Novaya Zemlya, no Oceano Ártico, informou a BBC neste fim de semana, depois que “dezenas” de ursos polares cujas fontes de alimento estão limitadas devido à mudança climática começaram a vasculhar casas e outros edifícios próximos ao assentamento de Belushya Guba em busca de algo para comer.

Segundo a BBC, as autoridades disseram que os ursos não temem mais as patrulhas policiais ou os sinais usados para mantê-los afastados dos humanos,e que eles até mesmo cruzaram os terrenos da guarnição de defesa aérea local. Embora os animais sejam considerados ameaçados de extinção pela Rússia (a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza os classifica como “vulneráveis“, com uma população decrescente), as autoridades disseram que, se meios não letais não conseguirem afastá-los, eles podem ser forçados a abater os animais, acrescentou a BBC.

Vídeos circulando nas redes sociais e publicados pelo jornal russo Siberian Times pareciam mostrar ursos vasculhando partes do assentamento, além de vagarem olhando para as pessoas pelas janelas, embora esses vídeos não tenham sido verificados independentemente pelo Gizmodo.

(“Novaya Zemlya, na Rússia, está considerando um abate para repelir uma “invasão em massa” de ursos polares, como este no corredor da casa de uma jovem família. Cinquenta e dois ursos foram contados em Belushya Guba. Eles deveriam estar caçando focas no gelo marinho, mas o aquecimento global está os levando para a terra.”)

Entretanto, nenhuma ordem foi dada para matar os ursos, e as autoridades federais se recusaram a emitir licenças que permitissem aos moradores locais matá-los sem consequências legais.

A Deutche Welle informou que autoridades russas em Moscou disseram ter enviado uma equipe de investigadores para examinar a situação, enquanto o vice-chefe da administração local, Alexander Minayev, afirmou em um relatório para autoridades regionais que cerca de 52 ursos polares foram vistos desde dezembro, escreveu a Agence France-Presse. No passado, centenas de estruturas militares desativadas tiveram que ser demolidas depois que os ursos as invadiram, informou a AFP, mas a onda atual é sem precedentes.

Os ursos estão exibindo “comportamento agressivo”, escreveu Minayev, incluindo “ataques a pessoas e entrando em casas residenciais e edifícios públicos… Há constantemente de seis a dez ursos dentro da colônia”.

“Estou em Novaya Zemlya desde 1983, e nunca houve uma invasão em massa de ursos polares”, acrescentou o chefe da administração local, Zhigansha Musin, segundo a AFP.

Em declaração à agência de notícias estatal TASS, o pesquisador principal do Instituto Severtsev de Ecologia e Evolução, Ilya Mordvintsev, disse que os ursos estão migrando para o norte, mas foram atraídos para o assentamento de Belushya Guba pela probabilidade de encontrar comida:

“Em comparação com anos anteriores, eles chegam à costa na parte sul do arquipélago, onde o gelo está mudando. Migram por meio de Novaya Zemlya em direção ao norte, onde o gelo é sólido”, disse o especialista. “É migração do sul para o norte. Eles estão permanecendo nesse local (perto de Belushya Guba) porque há um pouco de comida alternativa. Eles poderiam ter passado direto pela comida. Porém, como há lixeiras com dejetos comestíveis, eles param para se amontoar.”

De acordo com a agência TASS, as autoridades locais instalaram cercas extras perto da escola, e funcionários e militares estão dirigindo “veículos especiais” para ir ao trabalho enquanto as patrulhas foram intensificadas, mas essas medidas “não produziram resultados tangíveis”.

Como noticiou o New York Times em 2017, a população mundial de ursos polares (estimada em cerca de 26 mil) deve diminuir devido à mudança climática. Os ursos usam gelo para se esconder enquanto caçam focas, a sua principal fonte de alimento, além de vasculhar resíduos. Mas o aquecimento das temperaturas significa que o gelo derrete mais rapidamente e mais cedo na estação quente, privando-os de alimentos e os forçando a caçar em terra. Algumas populações permaneceram relativamente estáveis, escreveu o National Post em 2017, mas outras estão sendo atingidas. Algumas pesquisas têm mostrado um cenário sombrio, com o futuro da espécie fortemente dependente do fato de os seres humanos pararem de contribuir para a mudança climática.

[BBC]