No início de abril, a Samsung começou a vender TVs 8K no mercado brasileiro, marcando a estreia da nova geração de qualidade de imagem no país. Uma questão comum sobre a TV é: para quê uma TV 8K, se quase não tem conteúdo nessa resolução? Na última sexta-feira (31), a companhia sul-coreana trouxe ao Brasil alguns especialistas para falar da tecnologia por trás do 8K e para, de alguma forma, responder a esta questão.

Antes de ir aos detalhes, vale lembrar que a resolução 8K quer dizer 7680 x 4320 pixels, enquanto a resolução 4K é 3840 x 2160. Portanto, em 8K você tem muito mais pixels na tela e, consequentemente, mais detalhes.

Sendo bem direto, a promessa da Samsung é contornar a falta de conteúdos 8K com tecnologia. No caso, o upscalling, a técnica que melhora a qualidade de imagem. Confesso que estava um pouco cético pelo tipo de resultado que veria, mas me pareceu bem convincente a melhoria na imagem feito pela TV 8K QLED da Samsung quando comparado com outras telas 4K, sendo uma QLED da própria marca e outra OLED.

Um dos diferenciais dessa nova onda de upscalling (pois, na verdade, isso ocorre desde as TVs Full HD) é que os processadores das TVs estão bem mais avançados. Nos aparelhos da Samsung, eles contam com o processador Quantum. Então, ele basicamente utiliza machine learning para melhorar a imagem.

Segundo a empresa, para a elaboração do chip para a TV, um algoritmo foi treinado com milhões de imagens em baixa e alta resolução, na sequência foi feita uma classificação dessa base de dados com texturas, detalhes e contornos. Por fim, foi criada uma fórmula presente no chip e que faz a melhoria de imagem em tempo real. Já tínhamos ouvido falar disso, mas não um comparativo em tempo real.

Em uma das demonstrações à imprensa, foi possível ver o quanto o algoritmo melhora a imagem. Em dois aparelhos 4K deu para notar alguns ruídos no fundo verde, além de alguns detalhes borrados — dá a impressão de que a fonte de imagem em algum momento foi comprimida. Na TV 8K, com o tal chip de machine learning da Samsung, os problemas são resolvidos, além de contar com brilhos e contrastes do homem da imagem mais próximos da vida real.

Demonstração TV OLED 4KRepare nos detalhes verdes em volta desta imagem exibida em uma TV 4K — estes mais à esquerda, estão assim por causa da posição que a foto foi tirada

Nesta imagem da TV 8K da Samsung os ruídos do fundo verde são eliminados e tom de pele parece ser mais real

Lógico, a ideia da empresa não é ficar só nessa de tentar melhorar fontes de imagem de qualidade menor. É comum que com o aumento de consumidores com TV 8K, as empresas passem a fornecer conteúdo neste formato — foi assim que rolou com as TVs 4K. Então, de alguma forma, a Samsung aposta que os conteúdos devem ser disponibilizados aos poucos num futuro próximo.

A Samsung ainda demonstrou o modo gamer presente nas TVs 8K da marca. TVs OLED costumam ter altos níveis de contraste, fazendo com que regiões escuras fiquem muito pretas. No entanto, na demonstração da Samsung, num shooter com ambiente sombrio, quase não dava para ver os inimigos na TV OLED, enquanto na QLED com o modo gamer ligado, a cena era escura, mas tinha claridade o suficiente para ver detalhes da cena, como inimigos escondidos armados.

O processador não cuida apenas de melhorar a imagem, mas também de causar mais realismo no áudio. Apesar de o setor encorajar cada vez mais o uso de soundbars (com TVs cada vez mais finas, o espaço para alto-falantes ficou menor), o sistema de inteligência artificial da TV se mostrou bem esperto ao ressaltar características conforme o tipo de conteúdo exibido.

TV 8K da SamsungCrédito: Divulgação

Quando a TV era colocada no modo inteligente, por exemplo, foi possível ouvir com clareza o piano de uma apresentação ao vivo — no modo normal, só era possível escutar de forma nítida o cantor, instrumentos de corda e percussão.

A mudança do modo inteligente é que o sistema de inteligência artificial analisa o som, detecta o sinal e extrai características (como voz e ambiente, por exemplo). Após este processo de identificação, o som é adaptado conforme a cena. É interessante, por exemplo, que em jogos de futebol, é possível ter uma sensação de imersão na cena, provocada pela emissão pelos dois speakers da TV que simulam um sistema estéreo.

Fora isso, os modelos deste ano vêm com Apple TV e Air Play 2, adições que devem melhorar ainda a experiência do usuário, sobretudo se ele já tiver um iPhone. Sem contar que as TVs 8K têm garantia contra burn-in — aquela mancha que fica na tela após uma imagem estática ser exibida por muito tempo no display.

Ainda que as TVs 8K tenham preços tenham preço inicial na casa dos R$ 25 mil, a ideia da Samsung é tentar convencer consumidores que o aparelho vale a pena, mesmo com conteúdo escasso na resolução exibida. Pelo menos nas demonstrações, portanto em um ambiente controlado, o upscalling foi bem convincente, e o som se mostrou bem realista com a ajuda de inteligência artificial.

É claro, o produto parece ter como foco early adopters endinheirados, mas para a primeira versão de uma TV de ponta, parece ser uma boa estreia para a empresa no ramo do 8K.