Após meses de espera, o Samsung Galaxy Fold foi oficializado. E parece que ele tem um defeito bem aparente.

Smartphone dobrável, smartphone que dobra, smartphone flexível — nós já sabíamos desde o último ano pelo menos que ele viria e agora ele é real. Em breve, você poderá comprar um smartphone dobrável por quase US$ 2.000 de uma das maiores empresas de eletrônicos de consumo do mundo.

Baseado nas demonstrações que vimos na tarde desta quarta-feira (20), há muito que se admirar da engenharia empregada no Galaxy Fold, da Samsung — até porque já vimos conceitos desastrosos nessa categoria.

A julgar pelas aparências, a Samsung refinou alguns dos problemas de interface que podem acontecer em um dispositivo com uma tela que “se desdobra” para revelar uma outra maior. O recurso “App Continuity” parece fazer a transição perfeita do que você está vendo na tela pequena para a tela maior ao “abrir” o aparelho. Embora usar múltiplos apps em uma única tela não seja algo que eu curta fazer em dispositivos sensíveis ao toque, as pessoas (alguns dos meus colegas, inclusive) parecem legitimamente impressionadas com o recurso da Samsung que permite abrir três apps simultaneamente.

Durante a tradicional demonstração do aparelho após o evento, no entanto, a Samsung não permitiu que ninguém visse o Fold. Às vezes as companhias são hesitantes em mostrar para a imprensa um novo hardware quando seu lançamento ainda está distante, pois o design ainda não foi completamente finalizado. Mas como este aparelho deve estar disponível em dois meses, eu achei bem esquisito a companhia não ter pelo menos uma unidade protegida por alguma redoma de vidro para a imprensa ver. E, olha, 26 de abril está quase aí.

Se eu fosse a Samsung, tentaria fomentar o máximo de empolgação possível sobre o Galaxy Fold, sem dar a ninguém a oportunidade de um olhar crítico sobre o aparelho. Criar vídeos chamativos e apresentações impressionantes é bem simples. Você pode fazer uma apresentação no palco durante o evento e não revelar como o dispositivo de fato é.

Não sei por que a Samsung está escondendo o Galaxy Fold de blogueiros de tecnologia, mas suspeito que seja pelo fato de que, quando comparado com os aparelhos que usamos ultimamente, as pessoas podem achá-lo um tijolinho. Isso não é óbvio? A Samsung revelou poucos detalhes sobre as dimensões do Galaxy Fold durante o anúncio. Contatado pelo Gizmodo, um porta-voz da marca disse que a espessura do aparelho não foi divulgada. Alguns dizem que aberto o telefone terá 6,9 mm de espessura, e quando estiver dobrado ele tem 17 mm. Infelizmente, não conseguimos confirmar essa informação.

Vamos dar uma interpretação generosa nas possibilidades. O Galaxy S10 tem 7,8 mm de espessura. Digamos que o novo dispositivo seja mais fino que dois Galaxy S10. Mesmo com 14 mm, seria considerado um aparelho com mais espessura que a primeira versão da série Samsung Galaxy lançada em 2009 (com 11,9 mm de espessura) ou a primeira geração do iPhone (11,6 mm de espessura). No fundo, o aparelho parece ter quase a mesma profundidade de um Nintendo Switch. Vou esperar você pegar seu Nintendo Switch da mochila e decidir se você quer um telefone desse tamanho em seu bolso.

Pelo menos na minha cabeça, o Galaxy Fold é um pouco mais “gordinho” que os 14 mm sugeridos. Como a Samsung não confirmará a informação, por ora, só nos resta tentar adivinhar.

Smartphones dobráveis são o futuro? Vai saber. Eu não tenho bola de cristal. Mas como dispositivos de primeira geração, é bastante seguro afirmar que o aparelho não corresponderá às expectativas, não importa quão grosso ele seja.